No gesto da procura
julmar, 01.11.25

Caro Zé Manel, costumo dizer que os meus amigos não morrem. Conhecemo-nos há 50 anos quando tu davas aulas de Português na Escola Preparatória D. Afonso Anes de Cambra e eu dava aulas de História na Secção Liceal de Vale de Cambra e aulas de Português da Escola Técnica, no ano da Revolução do 25 de Abril. Era nesse ano, professor da tua irmã, a Maria José que viria a falecer, anos mais tarde, num acidente de viação quando, como professora se delocava para a escola. Desde esses anos de Abril de cravos e de sonhos, que não mais nos encontrámos. Foi com surpresa que soube da tua morte.
Ias gostar de saber que te estou a escrever para te dizer que hoje ao desfazer-me de papéis antigos encontrei este opúsculo artesanal de poemas - de papel desmaiado e agrafos enferrujados - sobre o amor, a flor e a liberdade - dos teus alunos a quem inspiravas. Li e gostei.
Um dia encontrei uma velhinha. Pediu-me uma esmola e eu dei-lha. Ela agradeceu. Agarrei numa viola e comecei a tocar para ela. As andorinhas à nossa volta faziam roda e também começaram a cantar porque sabiam o que era o amor.
Aluno - Luís Jorge Santos Pinho
