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Badameco

Anotações, observações, reflexões sobre quase tudo o que me (co)move

Badameco

Anotações, observações, reflexões sobre quase tudo o que me (co)move

Montaigne é o meu padrinho, diz o Badameco

Avatar do autor julmar, 04.11.25

Ensaios - Antologia - 1
Michel Montaigne (1533-1592)

Se eu fosse sociólogo gastaria algum do meu tempo na observação de lugares recentes onde as gentes confluem por necessidade, por ócio, por prazer. De entre esses lugares, escolheria as “Fnac’s.  Agrada-me sobremaneira ver tanta gente interessada em livros. Da última vez, porque se comemorava o Dia Mundial do Livro, num gesto simpático, um funcionário entregava um opúsculo de Montaigne: Dos livros. Pequeno que é, li-o no mesmo dia. Tive a felicidade de nele encontrar uma citação que tinha anotada mas de que ignorava o autor: “A opinião que formulo serve igualmente para pôr em evidência os limites do meu discernimento e não os limites das coisas”, fórmula que antecipa em séculos o perspectivismo proposto por Nietzsche na construção do conhecimento e na procura da verdade. 
Igualmente, fiquei contente por encontrar em Montaigne uma metodologia que há muito sigo: “A minha memória é tão fraca que já me aconteceu mais que uma vez pegar de novo, como se fossem recentes e desconhecidos para mim, em livros que lera cuidadosamente uns anos antes e que rabiscara com as minhas notas. Para acudir a estas falhas, ganhei o hábito, desde algum tempo, de acrescentar no fim de cada livro a opinião que dele fiz em geral”, a data em que terminei a minha leitura e a opinião que dele fiz em geral para poder recuperar ao menos a maneira e a ideia geral que concebi do autor durante a minha leitura”.
Como se pode ler por muitas razões, Montaigne dá-nos as suas:
“Nos livros procuro apenas obter prazer num divertimento honesto; ou, se estudo, procuro apenas a ciência que trata do conhecimento de mim próprio e que me instrua no bem morrer e bem viver”.

Nota: Este post foi publicado no meu extinto blog Pitagórico que antecedeu o Badameco. Foi este hábito de tomar notas de acontecimentos, ideias e leituras,  partilhado com o filósofo M. Montaigne que inspirou o nome do blog Badameco (Vade mecum), uma espécie de agenda.