Contra o Progresso
julmar, 27.10.25

Não esqueço que sou filósofo e conheço o caminho que aí me conduziu. São tantos os livros que gostava de ler, são tantos os interesses que me movem no mundo da cultura que me falta o tempo para as leituras filosóficas que requerem um parentese especial na vida agitada que levamos: silêncio, concentração e o tempo que levar. Descartes comparava a filosofia a uma árvore:
"Assim, toda a Filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a Metafísica, o tronco é a Física e os ramos que saem desse tronco são todas as outras ciências, que se reduzem a três principais, a saber, a Medicina, a Mecânica e a Moral; entendo, porém, pela Moral, a mais alta e perfeita que, pressupondo um completo conhecimento das outras ciências, é o último grau da sabedoria.”
(René Descartes, Princípios da Filosofia, Carta-prefácio a Cláudio Picot, 1647)
O trabalho mais difícil e penoso é o das raizes, o verdadeiro trabalho dos filósofos. Não que a metafísica de Descartes seja a metafísica de hoje. Descartes que é considerado o pai da filosofia moderna, sabemos hoje que estava errado, como errado estava toda a física aristotélica o que não retira o enorme contributo de um e de outro na construção do saber. Não teríamos avançado sem os erros de um e de outro. O saber é feito de construções e descontruções. Por vezes, são construções (sistemas) que caem por terra. Quem durante a sua vida não desaprendeu pouco terá aprendido. Isto par dizer, que emboa parte é esta a mensagem mais tácita do que explícita do autor de "Contra o Progresso"