A Rota do Ouro
julmar, 12.12.25
Não deve ter sido nada fácil escrever um livro como este. São no total 508 páginas. Destas,105 são notas do autor, 60 de bibliografia e as restantes de índice remissivo. Tudo isto revela a serirdade do trabalho fundamentado em tão vasta documentação a que se acrescenta as viagens a lugares, monumentos e museus. A leitura também não é 'como se fosse um romance'. É tal a abundância e densidade de informação tal o entrelaçamento de dados culturais que exige atenção constante. De facto, só um livro assim poderia traduzir a incomensurável riqueza da indosfera. Penso que ao longo da nossa vida, incluindo a académica, nos centrámos na cultura ocidental como se ela fosse o alfa e o omega. Não é, e talvez estejamos no ponto de viragem em que a indosfera voltará a ser dominante. Já o é em termos demográficos. Talvez seja pertinente a mensagem de um livro de Roger Garaudy que li, há largos anos, "Para um Diálogo das Civilizações", com o acertado subtítulo: "O Ocidente é um acidente". Quando lemos um livro assim, estamos sempre à espera de ver mencionado o nome de Portugal, neste caso, porque também os portugueses por lá andaram e constitui, para nós, o ponto mais alto da nossa História. E, sim, na página 317, na antepenúltima página:
Isto ( A Summa de Pacioli, um enorme compêndio de matemática impresso em Veneza em 1498) aconteceu apenas quatro anos antes de Vasco da Gama ter desembarcado em Calcutá, e, em seguida, bombardeado a cidade, dando início à era do colonialismo europeu e assumido o controlo do comércio das especiarias que outrora tanata riqueza de Roma levara à Índia. Numa das grandes ironias da história, a Índia forneceu ao ocidente as ferramentas financeiras e comerciais que a Europa viria a utilizar mais tarde para ocupar."
Lido o livro, gostaria de asseverar a justeza da síntese da badana inicial do livro que diz:
"Em a Rota do Ouro William Darrymple recorre a uma vida inteira de estudo para realçar a posição, frequentemente esquecida, da Índia enquanto coração da antiga Eurásia. Pela primeira vez dá um nome a esta difusão das ideias indianas que alteraram o runo da História. Do maior templo hindu em Angkor Wat ao budismo da China, do comércio que ajudou a financiar o Império Romano à invenção so números que usamos na atualidade (incluindo o zero), a Índia marcou a cultura e a tecnologia não só do mundo antigo, como também do mundo de hoje".