Terça-feira, 15 de Março de 2011

Quem será o melhor professor de Portugal?

 

Isto refere-se ao ano lectivo 2006-2007

 

 
Para "reconhecer e galardoar os docentes que contribuem de forma excecional para a qualidade do sistema de ensino, quer no exercício da atividade docente, em contacto direto com os alunos, quer na defesa de boas práticas com impacto na valorização da escola" (in www.min-edu.pt 11/05/2007), o Ministério da Educação instituiu o Prémio Nacional de Professores, cuja candidatura terminou recentemente. A este Prémio Nacional se acrescentam-se quatro categorias de mérito: Carreira, Integração, Inovação e Liderança. Mais de 150 mil são os docentes portugueses. Trinta e cinco (35) são os que se candidataram ao tal Prémio Nacional. A eles se acrescentaram outros 30, distribuídos pelas categorias referidas (Inovação - 15, Liderança - 10, Carreira - 6 e Integração - 4). Se considerarmos apenas o Prémio Nacional de Professores, os docentes candidatos correspondem à extraordinária percentagem de 0, 023%. Se tivermos em conta a junção desse Prémio com as outras quatro categorias, a percentagem de concorrentes sobe para o significativo número de 0,043%.
Que conclusões podemos retirar dos factos apresentados? Ocorrem-me duas linhas de análise completamente diferentes:

Primeira linha de análise:
A imagem social degradada dos professores (pela qual, na minha opinião, o Ministério da Educação é muito responsável, através de algumas declarações públicas de responsáveis da política educativa e das suas "medidas de ferro") corresponde à sua efetiva qualidade. Os professores são mesmo uma classe preguiçosa, que falta muito e trabalha pouco, que tem muitas férias e que é a principal (ou única) responsável pelo insucesso dos alunos.

Segunda linha de análise:
Os professores, indignados com a desvalorização que têm vindo a sentir por parte do Ministério da Educação e com as medidas injustas contra eles tomadas, responderam com um rotundo NÃO à operação de branqueamento do ME, não querendo participar em tal concurso.

Inclino-me totalmente para a segunda explicação. Conheço muitos professores cujo mérito é reconhecido pelos órgãos de gestão das suas escolas, pelos seus pares, pelos alunos, pelos pais, e a quem, por isso, não faltariam entidades proponentes (já que a candidatura não pode ser apresentada individualmente pelo próprio professor, devendo sê-lo, antes, por entidades coletivas).

Acredito que o galardão que os bons professores (muitos) mais apreciam (e que os mantém a remar contra ventos e marés, até mesmo contra a desmotivação que o ataque cerrado à classe favorece) são os resultados que obtêm e o reconhecimento dos seus alunos. A este acrescenta-se o dos pais e o dos seus pares. Tudo temperado com uma forte consciência profissional e um grande sentido de responsabilidade.

E, já agora, retomando um tema que tratei anteriormente, não queria terminar este artigo sem mais uma homenagem a muitos professores que mereciam um Prémio de Carreira, pelo investimento que fizeram na profissão ao longo de toda uma vida e que, depois de deixarem de poder lecionar por terem sido vítimas de doença, passaram a desempenhar funções não letivas nas escolas. Do trabalho de muitos destes professores dependem projetos importantes que muito contribuem para a resolução de problemas como a indisciplina ou a integração de alunos estrangeiros. Qual o Prémio de Carreira que recebem, através da aplicação do Decreto-Lei n.º 224/2006? A criação de um Professorão - Vidrão... Papelão... Pilhão... Velhão (à Gato Fedorento)... Professorão -, para onde terão grandes probabilidades de serem lançados, depois de se submeterem a um concurso para entidades variadíssimas, do qual estão excluídas as escolas. O Professorão (cinzento, como esta política) encontra-se bem resguardado na Internet, onde muitas entidades poderão procurar estes professores para uma reconversão profissional (Estamos mesmo a ver a procura que vai haver e quantos virão a ser reconvertidos desta forma!). Segue-se, no fim de algum tempo, uma licença sem vencimento ou uma passagem à aposentação. (Para mais informação consultar o artigo "Depois de comida a carne (dos professores), quem (lhes) vai roer os ossos?").

Retomando o parágrafo inicial, concluo este artigo com uma recomendação ao Ministério da Educação: reflitam sobre os números expostos. Dão que pensar! E vale a pena fazê-lo! Não será uma cerimónia pomposa no dia 15 de dezembro que irá alterar o desagrado da classe docente ou contribuir para melhorar a educação em Portugal.
Armanda Zenhas ,

In, Revista Educare

publicado por julmar às 12:13
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