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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Os poemas grandes que são grandes poemas-A Cena do ódio

julmar, 15.11.10

 

 

Para ouvir o poema todo, na arte de dizer de Mário Viegas

http://www.youtube.com/watch?v=bm0JxtLdZfk

(...)

Em toda a parte o teu papel é admirar,

mas (caso inf’liz)

nunca acertas numa admiração feliz.

Lês os jornais e admiras tudo do princípio ao fim

e se por desgraça vem um dia sem jornais,

tens de ficar em casa nos chinelos

porque nesse dia, felizmente,

não tens opinião pra levares à rua.

Mas nos outros dias lá estás a discutir.

É que a Natureza é compensadora:

quem não tem dinheiro p’ra ir ao Coliseu

deve ter cá fora razões p’ra se rir.

Só te oiço dizer dos outros

a inveja de seres como eles.

Nem ao menos, pobre fadista,

a veleidade de seres mais bruto?

Até os teus desejos são avaros

como as tuas unhas sujas e ratadas.

Ó meu gordo pelintrão,

água-morna suja, broa do outro v’rao!

Os homens são na proporção dos seus desejos

e é por isso que eu tenho a Concepção do Infinito...

Não te cora ser grande o teu avô

e tu apenas o seu neto, e tu apenas o seu esperma?

Não te dói Adão mais que tu?

Não te envergonha o teres antes de ti

outros muito maiores que tu?

Jamais eu quereria vir a ser um dia

o que o maior de todos já o tivesse sido

eu quero sempre muito mais

e mais ainda muito pr’além-demais-Infinito...

(...)

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