Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

A Poética do Espaço, uma vez mais

julmar, 10.09.06

A mim também me encantam as palavras, de um modo especial, quando as consigo encontrar na sua nascente. Ou melhor, quando, a partir do rasto, consigo encontrá-las in principio. Gosto delas, quando jogadas nada dizem; gosto delas quando como espadas castigam a impiedade; gosto delas quando do púlpito sagrado amolecem o coração; gosto delas quando como o rugir do vento o marulhar das ondas me afagam os ouvidos; gosto delas quando simples, certas, rigorosas me desenham o mapa do pensamento.

«As palavras - imagino isso frequentemente - são casinhas com porão e sotão. O sentido comum resude no rés-do-chão, sempre pronto para o co'comércio 'exterior', no mesmo nível de outrem, desse transeunte que nunca é um sonhador. Subir a escada na casa da palavra é, de degrau em degrau, abstrair. Descer ao porão é sonhar, é perder-se nos distantes corredores de uma etimologia incerta, é procurar tesouros inencontráveis. Subir e descer nas próprias palavras é a vida do poeta. Subir muito alto, descer muito baixo é permitido ao poeta que une o terrestre e o aéreo. Só o filósofo será condenado por seus pares a viver sempre no rés-do chão?»

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.