Uma leitura transformadora
julmar, 21.05.25
Há tanto para dizer sobre esta leitura que, de momento, para quem queira entender como chegámos aqui, deixo um resumo feito pelo autor nos últimos parágrafos:
"Este livro centra-se em três dimensões da natureza humana vistas a partir de três perspectivas distintas: a evolução biológica da das da nossa psicologia ao longo de milhões de anos, a evolução cultural dos nossos sistemas políticos e económicos ao longo de milhares de anos e os problemas que hoje enfrentamos em consequência disso. O meu argumento principal tem sido o de que, embora a nossa capacidade de aproveitar e gerir os três vieses nos tenha permitido aumentar a cooperação no passado, os nossos métodos de cooperação herdados estão agora a conduzir por um caminho de destruição. Todavia, ao compreendermos melhor como a evolução cultural nos permitiu ultrapassar as limitações da natureza humana no passado, conseguiremos utilizar esse conhecimento na tomada de decisões determinantes para o nosso futuro coletivo. Apenas alguns dos velhos métodos continuam a ser viáveis. Outros não, e é fundamental distingui-los. Precisamos de dar uma série de passos que nos motivem a mudar o mundo em que vivemos e a planear o seu futuro do modo ponderado e consensual, em vez de aleatório e desagregador. Acima de tudo, é crucial que todas as comunidades da Terra estejam preparadas para aprender umas com as outras. Para além de aproveitarmos os valiosos recursos da investigação académica podemos aprender com os conhecimentos dos grupos e de indígenas sobre os males do capitalismo global e como resolver. A ideia de que as teorias do desenvolvimento devem invariavelmente fluir do ocidente próspero para os pobres e incultos não só é arrogante e condescendente como também nos prejudica a todos. E os meus mentores do Kivung eram fascinados por questões sobre as origens humanas. Como a maioria das pessoas da minha aldeia carecia de competência de literacia ideia acesso a livros, desenvolveu as suas próprias teorias experimentais. No entanto, estas eram sempre apresentadas com uma curiosidade gentil, em vez de uma insistência dogmática numa única interpretação. É Exatamente neste espírito que a operação poderá ser ampliada. A Terra tem 4 milhões e meio de anos e - salvo catástrofes provocadas pela humanidade- poderá ser potencialmente habitável durante mais uns mil milhões de anos. Com esta ampla profundidade temporal em mente, o crescimento da nossa espécie não passa de um piscar de olhos. Ainda assim, como os nossos avanços tecnológicos ultrapassam os nossos instintos sociais, o futuro do nosso planeta está agora em jogo. Conseguirão as nossas aptidões de coesão e cooperação em grande escala alcançar os nossos impulsos de destruição? Poderá psicologia dos nossos antepassados recolectores ser adaptado ao mundo em rápida mudança, no qual o conformismo, religiosidade e o tribalismo funciona a nosso favor e não contra nós? Se aproveitarmos a sabedoria do passado e a ciência de presente - os frutos da nossa história não natural - poderemos salvaguardar o futuro da humanidade e de um mundo que depende agora, como nunca antes, da sabedoria com que realizamos a nossa herança coletiva”. Página 378
