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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Como deixar de ser estúpido

Avatar do autor julmar, 27.07.20

Desafio Time In: é capaz de ler um livro por dia?

Se trocar o subtítulo pelo título e lhe disser, ora, aí está um livro bom para si, pergunto-me se não estou a ser estúpido. É por isso que não me atrevo aconselhá-lo, pois preservo a sua amizade acima do resto (como se o resto não fosse importante). Embora tropecemos com estúpidos por tudo quanto é sítio, nunca tropeçamos em nós mesmos. Tendo dito isto, tenho a certeza que, com um título tão apelativo, acabei também de matar o desejo de alguém o ler. 

QUE FAZER DOS ESTÚPIDOS 1 - Cópia (2).jpg

 

 

 

 

Elogio do Facebook

Avatar do autor julmar, 24.07.20

Eu que me admiro por tudo e por nada, que sou capaz de me espantar com coisas a que ninguém dá importância, que me encanto com pouco, que sou adorador do Deus das Pequenas Coisas, como não me hei-de maravilhar com toda a inventividade dos dias que correm? Com os milagres da ciência e da tecnologia? Que isto é uma loucura, é. Mas vamos fechar os olhos para não ver? As coisas vêm lá muito de trás e sempre apreciei o gesto de Eva que aguardou que Deus fosse dar o seu passeio de fruição pela brisa fresca da tarde, para colher o fruto da árvore proibida.  A serpente, o mais astuto dos animais à face da terra, disse-lhe: Ficareis a conhecer o bem e o mal, vós sereis como deus. E, foi assim, que da costela de Adão, depois de uma longa caminhada,  chegámos ao Facebook pela mão de Mark Zukerberger. Quem quiser os pormenores sobre esta caminhada tem muito que estudar mas  Yuval Noah Harari com os seus livros, em particular, Homo Deus - uma Breve História do Amanhã, pode constituir uma excelente ajuda. Se o fizer, saiba que está a repetir o gesto de Eva, isto é, a cometer o único pecado capital: A desobediência. Foi assim que todos os poderes na terra interditaram o acesso ao saber que codificaram em escrita  a que só acedia uma elite; foi assim que as religiões ajudaram a preservar os mistérios; foi assim que a Igreja Católica preservou em latim toda a liturgia até ao Concílio Vaticano II (1962); foi assim que a mesma Igreja criou o Ìndice e a Inquisição; foi assim que muitas bibliotecas tinham secções reservadas (O Nome da Rosa); foi assim que se fizeram fogueiras que serviram para queimar livros e, por vezes, os seus autores. Foi assim que todas as ditaduras, a nossa também, quiseram manter o povo ignorante - porque a inocência é uma virtude - e usaram a censura. 

Há na histórias épocas completamente explosivas em que um conjunto vasto de coisas amadureceram e desabrocham, em torrente, entrosando-se umas na outras num curso imparável. É o que acontece no século XVI e XVII com a invenção da Imprensa, com a descoberta do novo mundo, com a reforma religiosa, com a ciência, sobretudo, com a nova ciência.

Cinco séculos depois, estamos numa situação com algumas semelhanças: uma ordem perdida e uma outra que não sabemos como será. Incerteza, confusão, medo.

E voltamos ao facebook. Há sempre ( e eu vejo nisso uma enorme vantagem) os que não sendo reacinários, não querem que as coisas andem, não querem perder a ordem estabelecida e recusam-se a entrar numa (des)ordem diferente. Mais do que isso, não querem que ninguém entre. Lembro as crónicas semanais de António Barreto, no Público, quando chegaram os telemóveis. Penso que, provavelmente, hoje usará um. Lembro Miguel de Sousa Tavares que pensa que toda a gente é filha de escritores e jornalistas, que ostensivamente escreve fora do novo acordo ortográfico e que acha que quem não escreve tão bem como ele não deveria escrever. Primeiro insurgia-se contra os blogs, agora acha que as redes sociais e, nomeadamente, o facebook, vai dar cabo da língua portuguesa. Depois ficamos sempre sem saber como sabe do que se passa nas redes sociais se diz não as frequentar. Tenho para mim que gente que não lia passou a ler e gente que não escrevia, passou a escrever. Dirá que escrevem e lêm mal. Mas será preferível a não o fazer. Quanto aos conteúdos que por lá passam - sentimentos, opiniões, ideias - são os das mesmas pessoas que andam no mundo real que trocaram a conversa da taberna e do café ou dos lavadoiros da roupa pela Internet. Quanto às notícias falsas - as fake news - são tão velhas como a humanidade, a começar com o mito da expulsão do paraíso celeste. A História está cheia delas. A História de Portugal, também. Veja-se  a crónica de Fernão Lopes, quando, pelas ruas de Lisboa, grupos orquestrados lançam o falso pregão: - Acorram ao Mestre, matam o Mestre. Os homens continuam muito iguais ao que sempre foram. É o mesmo o homem que caminha pela selva e o que viaja em avião. O que os separa é a tenologia que usam. 

Tenho amigos que, não usam o facebook, uns por incompetência técnica, outros por escolha. Por mim, procuro tirar o máximo partido da tecnologia: Encontrei amigos, colegas de há mitos anos, encontrei excelentes pessoas neste espaço virtual, publicito aqui os meus posts dos meus blogs, sei como vão os meus familiares e conterrâneos. Só vejo e leio quem quero, só me vê e lê quem quero. Como na vida, é preciso saber estar.

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Reencontro com Amin Maalouf

Avatar do autor julmar, 22.07.20

Wook.pt - O Naufrágio das Civilizações

Nos bancos da escola que eu frequentei, fui muito mal educado. Não porque eu me portasse mal que no incumprimento da regra, cívica ou escolar, a régua impunha a ordem. Nenhum erro sem castigo era o norte de quem mandava. Foi assim que, a bem ou a mal, entre outras matérias aprendidas na História. Da História de Portugal não se estudava a mais recente, relativa à instauração da República, porque isso incomodava o regime; da História , dita Universal, os professores nunca tempo para ' adr a matéria da Idade contemporânea.  Ocorreu-me isto ao ler este autor, com quem não me encontrava, desde a leitura do livro “Identidades Assassinas”, um autor da minha geração, geração que viveu, vive numa época extraordinária. São 70 anos de História! É um prazer, agora com tempo e algum distanciamento nãó apenas temporal, ver como vivemos esses acontecimentos.

Aqui deixo um extrato dos acontecimentos por volta de 1979.

O que me saltou claramente à vista, ai revisitar a atualidade do passado, foi que se deram, por volta de 1979, acontecimentos determinantes, cuja importância me passou despercebida na época.

Provocaram, em todo mundo, uma espécie de “viragem “ duradoura das ideias e dos comportamentos. A sua proximidade temporal não resultou certamente de uma ação consertada mas também não foi fruto do acaso. Diria antes que se tratou de uma “conjunção” . Foi como se tivesse chegado o pico de uma nova “estação” e a suas flores desabrochassem em 1000 lugares ao mesmo tempo. Ou como se o “espírito do tempo “ estivesse informar-nos sobre o final de um ciclo ciclo e o início de outro. Este conceito, forjado pela filosofia alemã com a designação de Zeitgeist, é menos fantasmagórico do que parece; é, até, fundamental para se compreender o desenrolar da história. Todos aqueles que vivem numa mesma época influenciam- se uns os aos outros, de maneira diversa e sem que habitualmente sejam conscientes disso. As pessoas copiam-se, imitam se macaqueiam- se, adaptam suas atitudes prevalecentes, por vezes em modo de contestação. E em todas as áreas —Na pintura, na literatura, na filosofia, na política, da medicina, bem como no vestuário, no aspecto ou no penteado. É difícil definir os meios pelos quais o referido espírito se difunde e impõe, mas é inegável que funciona, em todas as épocas, com uma eficácia implacável.E, nesta era de comunicação massiva e instantânea, as influências propagam-se muito mais rapidamente do que no passado. Habitualmente, o espírito do tempo age sem que as pessoas se apercebam. Contudo, o seu efeito é por vezes tão manifesto que a sua intervenção quase se torna visível em tempo real. Em todo o caso, foi essa a sensação que tive eu ao voltar a debruçar-me sobre história recente, para tentar retirar dela alguns ensinamentos. Como foi possível que me passasse despercebida uma conjuntura tão forte entre os acontecimentos? Há muito tempo que deveria ter chegado à conclusão que agora me salta à vista, ou seja, de que acabamos de entrar numa era eminentemente paradoxal, na qual a nossa visão do mundo iria transformar-se e, até, inverter-se. Doravante,

seria o conservadorismo e proclamar se revolucionário enquanto o objetivo dos adeptos do progressismo e da esquerda passaria a ser apenas a manutenção dos direitos adquirido

s. Nas minhas notas pessoais comecei a mencionar “um ano de inversão” ou por vezes, um ano de grande viragem, e a recensear os factos marcantes que parecem justificar tais designações. São muitos irei referir alguns ao longo destas páginas. Contudo, há dois que considero particularmente emblemáticos: a revolução islâmica proclamada no Irão pelo auatola Khomeini em fevereiro de 1979, e a relação conservadora levada a cabo no Reino Unido pela primeira ministra Margaret Thatcher, a partir de maio de 1979.

Existe um mar de diferença entre os dois acontecimentos, tal como entre os dois conservadorismos. E também obviamente, entre as duas personagens-chave; Para encontrar na história de Inglaterra algo equivalente ao que aconteceu no Irão com com Khomeini seria necessário recuar até a época de Cromwell, na qual revolucionários regicidas eram igualmente puritanos e messiânicos. No entanto, existe, entre as duas sublevações, uma certa semelhança que não se resume a proximidade das datas. Em ambos os casos, ergue-se o estandarte da revolução em nome da força sociais e doutrinas que haviam sido até então, as vítimas ou, pelo menos, os alvos das revoluções modernas: num dos casos, os adeptos da ordem moral e religiosa; no outro, os adeptos da ordem económica e social. Cada uma destas duas relações iria ter repercussões importantíssimas a nível planetário. As ideias da senhora Thacher iriam chegar rapidamente aos Estados Unidos, com eleição de Ronald Reagan para a presidência; enquanto a visão khomenista de um Islão simultaneamente insurrecional e tradicionalista, resolutamente hostil ao ocidente, iria propagar-se pelo mundo, assumindo formas muito variadas e afastando as abordagens mais conciliadoras.
(Pg 124)



Eu e os livros

Avatar do autor julmar, 20.07.20

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Todos os dias me levanto antes do nascer do sol. Agora não posso ir ao encontro do seu nascimento no Cabeço da Porca, no Vale da Lapa ou em qualquer outro lugar, que todos os sítios são  bons para ver o sol nascer. Entro no escritório. Antigamente olhava mais para os livros, cuidava mais da sua ordenação, pegava num e noutro e mudava-os de lugar. Poesia para um lado, romances para o outro, sociologia e antropologia para cima, psicologia e pedagogia  para baixo, história para a direita, política para a esquerda, um cantinho para viagens e turismo e gastronomia, outro cantinho para os livros de bricolage (até um, e que importante foi - como construir um minhocário) e, por dever de ofício os livros de filosofia. Conheço a história de cada um, conheço cada um por dentro e por fora e sei o que cada um me deu. Por trás de cada um está o seu autor, esse homem ou mulher com quem partilhei o melhor das suas ideias - nem sempre os seus ideais. 

Hoje deu-me para arrumar livros e acabei por dar conta que tinha inventado uma nova prateleira com velhos livros. Será que tudo o que fazemos tem um propósito? 

A Decadência - O declínio do Ocidente

Avatar do autor julmar, 17.07.20

Decadência: o declínio do Ocidente

Não se trata apenas de um livro grande (seiscentas e vinte e quatro páginas), é também um grande livro que nos mostra exaustivamente os factos que levam a que o bárbaro se torne civilizado e que o civilizado seja substituído por aquele. Sempre pela força (guerra, violência, tortura, terror, propaganda, manipulação, desinformação, doutrinação...) e obedecendo a uma lei fundamental da natureza, da sociedade, da cultura: a entropia. 

A decadência é um facto. Mas é uma exploração política deste facto. Esta mostra-se sempre nociva. O otimista dirá que basta um homem providencial para inverter o valor decadentista. Um homem providencial uma máscara ou uma pespectiva messiânica: os marxismos e os fascismos, incluindo O nacional-socialismo são otimismos, pois, afirmam que basta agir num sentido para obter em inversão da curva entrópica. O islamismo entra nesta categoria das políticas otimistas que esperam um futuro radioso se o seu plano for aplicado. A vida segunda ordem da sharia eliminaria tudo o que é apresentado como decadente. Marxistas, leninistas, maoistas, castristas, fascistas, vichystas, nazis, islamitas, todos falam de regeneração do homem novo do renascimento acreditam que o mundo poderia ser diferente do que é, ou seja melhor, próspero,florescente, de certa maneira, edénico. O sangue não é levado em conta neste delírio de regeneração pelo proletariado, a nação, a raça, a jiade. Este otimismo acompanha-se de hecatombes inomináveis e de um fracasso sistemático dos seus projetos na história.

O pessimismo dirá que nada há a fazer, que as coisas são assim, tudo faz parte da ordem do mundo, que é preciso um forte dique para reter esta maré de água suja. Natureza humana para os laicos, pecado original para os cristãos, pulsão de morte para os freudianos, todos comungam da mesma crença no regime forte para conter a violência que não pode deixar de existir. (...)

Por vezes, o pessimista torna-se otimista quando se declara reacionário, ou seja no sentido etimológico, quando deseja restaurar uma ordem antiga o otimista quer melhorar o presente com o futuro; o pessimista quer o mesmo mas com o passado. Um promete o paraíso com o progresso; o outro, com o regresso. O primeiro espera a salvação do futuro porque pensa que tudo se resolva com a suas receitas progressistas; o segundo penso que, como as coisas eram melhores antes, é preciso regressar aos fundamentais antigos. Ora, o presente não se faz nem com o futuro do otimista nem com o passado do pessimista, mas com o instante do trágico. Nem o otimismo nem o pessimismo servem quando se impõe a terceira opção, que é o pensamento do trágico.: O trágico vê a realidade tal como é, pelo menos esforça- se o mais possível para ver o real tal como é. Não se contenta a acreditar, como o otimista que se pode tapar a cratera do vulcão em erupção ou, como o pessimista a pensar que um dia que pode conter o fluxo da sua lava. O trágico vê e não giza nenhum plano para impedir que o real existe é assim e não de outra maneira. Factum, diziam os romanos. O vulcão que expele a sua lava, como a civilização que se desmorona, é uma manifestação de puro determinismo. Melindrar- se com isso equivale a um pensamento mágico. Mas dirão os amantes do livre arbítrio, não devemos então preferir uma causa a outra? Escolher um campo e afastar o outro? Aquilo que não aconteceu teria acontecido se aquilo que aconteceu não tivesse acontecido. (...) Pouco importa o nome do ditador, a ditadura está inscrita na ordem das coisas. A resistência à ditadura obedece a um determinismo  mesmo acontece com indiferença a ditadura. Os nomes próprios são máscaras usadas pela necessidade.

(Pg 33)

 

Os meus amigos. Hortêncio da Silva

Avatar do autor julmar, 16.07.20

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Tenho, para minha felicidade, um conjunto de amigos  com quem partilho a minha vida com laços tão fortes que a perda de qualquer um deles seria uma verdadeira morte para mim. Já me tenho zangado com alguns e, por vezes, passa muito tempo sem nos vermos. Nem sempre é facil a relação, porque o tempo é limitado e cada um deles me solicita para convívios, trabalhos, tertúlias muito diferentes e quando se juntam todos é certo o desacordo. Vejo-me e desejo-me para os manter como amigos. Um deles, de nome Afonso Leonardo, de perfil conservador, pediu-me pra escrever num blog, o primeiro que tive, chamado O Pitagórico, porque um amigo meu, de nome Ruas, com a profissão de professor, escrevia, no referido blog, artigos, que muito o enervavam, em que se queixava da falta de respeito à dignidade dos professores, dado o exercício do seu ofício, que era grande ofensa não ser reconhecida. Foi uma contenda que, felizmente, não passou do papel. O amigo Amora Da Silva, começou por ser apenas Da Silva  e conheci-o, não sei exatamente quando, mas foi nos bancos da escola. O que me foi chamando a atenção nele era o seu feitio introvertido, mais dado a confessar à folha de papel os seus pensamentos do que a partilhá-los com gente. Dado ao silêncio, foi desenvolvendo um descrédito cada vez maior nas histórias que lhe contavam com a obrigatoriedade de nelas acreditar se não quisesse que toda a vida neste mundo e no outro fosse um tormento perpétuo. Já nos bancos da Universidade eu olhava para a folha de papel do Da Silva e estava sempre dividida por uma linha de alto a baixo. Do lado esquerdo ia tomando notas da lição respeitando com exatidão a exposição do professor. Do lado direito, garatujava, poetava, citava e, sobretudo, criticava. Havia dentro dele como que um princípio de desobediência, de dúvida que obrigavam a uma suspensão do juízo ou a ajuizar contra a autoridade. Deu-se conta, mais tarde, que estava a exagerar nesse seu criticismo e, querendo adoçá-lo, onde ao cimo da página escrevia, do lado direito - Da Silva, passou a escrever Amora Da Silva.

Não é tempo de falar dos amigos Luís Leonardo, Inocêncio da Silva, Florêncio da Silva ou Julião.

O que me trouxe aqui foi Hortêncio da Silva, um amigo da minha mais tenra idade, do tempo em que manhã, muito cedo íamos para o campo regar, semear, plantar, sachar, colher... um autêntico jardim de infância com atividades tão variadas. Este amigo, chegado o confinamento por mor de uma epidemia que passou a pandemia, disse-me:

- Bem que  me podias deixar fazer uma horta aqui num canto do teu jardim.

- E tu, ainda, sabes fazer isso?

- Claro, há coisas que nunca se esquecem. 

Não é por nada. Mas agora que os outros amigos não ouvem, adoro o Hortêncio

Este livro que nos enlouquece

Avatar do autor julmar, 14.07.20

Bertrand.pt - Este Vírus que nos Enlouquece

Há livros que se lêem de um só fôlego, como este de Bernard Henry Lévi, um filósofo da minha geração. Geração que quis um mundo novo e que, felizmente, o não conseguiu. Agora, maduro demais, já não quer um mundo cujo contorno  está presente nos sinais do confinamento desta epidemia. 

O título do post é o título que, por lapso, aparece na biografia do filósofo, na última página. Desde Freud que sabemos que muitos lapsos não são inocentes.