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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Andar passo a passo, à espera que chegue

julmar, 12.02.20

In Praise of Walking

Abstrat

Walking upright on two feet is a uniquely human skill. It defines us as a species. It enabled us to walk out of Africa and to spread as far as Alaska and Australia. It freed our hands and freed our minds. We put one foot in front of the other without thinking – yet how many of us know how we do that, or appreciate the advantages it gives us? In this hymn to walking, neuroscientist Shane O’Mara invites us to marvel at the benefits it confers on our bodies and minds. In Praise of Walking celebrates this miraculous ability. Incredibly, it is a skill that has its evolutionary origins millions of years ago, under the sea. And the latest research is only now revealing how the brain and nervous system performs the mechanical magic of balancing, navigating a crowded city, or running our inner GPS system. Walking is good for our muscles and posture; it helps to protect and repair organs, and can slow or turn back the ageing of our brains. With our minds in motion we think more creatively, our mood improves and stress levels fall. Walking together to achieve a shared purpose is also a social glue that has contributed to our survival as a species. As our lives become increasingly sedentary, we risk all this. We must start walking again, whether it’s up a mountain, down to the park, or simply to school and work. We, and our societies, will be better for it.

Andar passo a passo, In Praise of Walking

julmar, 12.02.20

Paisag.jpg

Early one morning, any morning, we can set out, with the least
possible baggage, and discover the world.

It is quite possible to refuse all the coercion, violence, property,
triviality, to simply walk away.

That something exists outside ourselves and our preoccupations,
so near, so readily available, is our greatest blessing.

Walking is the human way of getting about.

Always, everywhere, people have walked, veining the earth with 
paths, visible and invisible, symmetrical and meandering.

There are walks in which we tread in the footsteps of others,
walks on which we strike out entirely for ourselves.

A journey implies a destination, so many miles to be consumed,
while a walk is its own measure, complete at every point along
the way.

There are things we will never see, unless we walk to them.

Walking is a mobile form of waiting.

What I take with me, what I leave behind, are of less importance
than what I discover along the way.

To be completely lost is a good thing on a walk.

The most distant places seem most accessible once one is on 
the road.

Convictions, directions, opinions, are of less importance than 
sensible shoes.

In the course of a walk, we usually find out something about our
companion, and this is true even when we travel alone.

When I spend a day talking I feel exhausted, when I spend it 
walking I am pleasantly tired.

The pace of the walk will determine the number and variety of 
things to be encountered, from the broad outlines of a mountain 
range to a tit’s nest among the lichen, and the quality of attention 
that will be brought to bear upon them.

A rock outcrop, a hedge, a fallen tree, anything that turns us out
of our way, is an excellent thing on a walk. 

Wrong turnings, doubling back, pauses and digressions, all contribute
to the dislocation of a persistent self-interest.

Everything we meet is equally important or unimportant.

The most lonely places are the most lovely.

Walking is egalitarian and democratic; we do not become experts
at walking and one side of the road is as good as another.

Walking is not so much romantic as reasonable.

The line of a walk is articulate in itself, a kind of statement.

Pools, walls, solitary trees, are natural halting places.

We lose the flavour of walking if it becomes too rare or too
extraordinary, if it turns into an expedition; rather it should be
quite ordinary, unexceptional, just what we do.

By Thomas A. Clark

Homenagem a G.Steiner - Elogio da transmissão

julmar, 04.02.20

Publicado há 15 anos no meu primeiro blog O Pitagórico

A escola em que eu aprendi teria muito defeitos (imperava o magister dixit, os pais davam incondicionalmente razão ao professor, a menina dos cinco olhos afastava para longe a preguiça e o desleixo), mas devo-lhe quase tudo. Fazia-se cópias, muitas cópias; a tabuada era um ritual cantado quotidianamente; treinava-se a caligrafia (do grego escrita bela) em caderno próprio que nos obrigava a um controlo motor da dimensão e forma dos caracteres; ditado todos os dias para aprender a escrever sem erros; leitura em voz alta com pronúncia e entoação como deve ser, cadenciada pela pontuação. As antologias olho-as hoje e bem vejo como eram ideologicamente reaccionárias. Mas olho os textos e revivo-os e muitos dos poemas sei-os ainda de cor. É verdade que com tudo isso me quiseram aprisionar a alma. Não o conseguiram. Se tivermos asas voaremos para os céus que escolhermos.
Ler este livro de Steiner mais que à vida de professor levou-me à minha infância e às minhas aprendizagens e ao modo como aprendi a gostar da literatura. As palavras encantavam-me e as exíguas ilustrações dos textos com a imagem do escritor foram a minha forma de fixar os escritores. Como pensar em Camões, em Vieira, em Camilo, em Eça, em Júlio Dinis, em Pessoa sem os visualizar nas suas feições físicas?
Como agradeço hoje que tenha sido obrigado a decorar rios e serras, estações de caminho de ferro, distritos e capitais, nomes de reis e datas … e sobretudo poemas. Até em latim o professor Torrão me obrigou a saber recitar a introdução da Eneida de Virgílio (Arma virumque cano, Troiae qui primus ab oris…) A memória precisa de exercício.
Não havia ainda Ciências da Educação e o difícil ainda não era sentá-los. Depois chegou o eduquês, o consumismo, a vida fácil, o lúdico permanente, a horizontalidade, as taxonomias, as competências, as transversalidades, a autonomia precoce, os construtivismos. O resultado está à vista.
Diz Steiner:« É por isso que lamento que não se aprenda de cor. Aprender de cor é, em primeiro lugar, colaborar com o texto de uma maneira totalmente única. O que aprendemos de cor muda em nós e nós mudamos com isso, durante toda a nossa vida. Em segundo lugar, ninguém nos pode tirar isso. No meio dos porcos que governam o nosso mundo, a polícia secreta, a brutalidade dos costumes, a censura – e também temos isso na nossa casa sob todas as formas -, o que sabemos de cor pertence-nos. É uma das grandes possibilidades da liberdade, da resistência.»

O que passava pelo «Pitagórico» (http://pitagoras.blogs.sapo.pt/), antecessor do Badameco