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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

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As anotações de Júlio Marques.

Livros proibidos

julmar, 09.12.19

A Arte de Não Acreditar em Nada e Livro dos Três Impostores | Antígona

Os livros sempre constituíram um perigo e, por isso, eram de acesso reservado. A forma mais eficaz de o conseguir era impedir as pessoas de aprender a ler. Ou, então, escrevê-los numa língua não popular. Com Lutero, o aparecimento do protestantismo (que preonizava a leitura dos livros sagrados na língua materna) e com a descoberta da imprensa, a Igreja Católica estabeleceu , através do Index, o que não se podia ler. Quanto aos livros sagrados - a Bíblia - continuariam em latim até ao Concílio Vaticano II. E recordo o embaraço do velho pároco Inácio Faria que a primeira vez em que celebrava a missa segundo os normativos do referido concílio, calhou de ser uma leitura de S. Paulo aos Gálatas, 4:22 - 31 : 

 "Diz lá que Abraão teve dois filhos: um da escrava e outro de sua mulher que era livre."

O padre, apanhado de surpresa: - Porra, porra, meu povo! Vamos lá regressar ao antigo. Voltou as costas ao povo e leu em latim.

"Embora interesse a todos os homens conhecer a verdade, são muito poucos os que gozam desse privilégio. Uns são incapazes de a procurar por si próprios, outros não querem fazer esse esforço. Não devemos por isso espantar-nos com o facto de o mundo estar cheio de opiniões vãs é ridículas; nada as faz correr melhor do que a ignorância, aí reside a única fonte de falsas ideias que temos da divindade, da alma, dos espíritos e de quase todos os Outros temas que constituem a religião. O uso prevaleceu, contentamo-nos com os preconceitos que vêm desde o nosso nascimento e entregamos as coisas mais essenciais a pessoas interesseiras que têm como lei sustentar teimosamente as opiniões recebidas e não ousam destruí-las com medo de se destruírem a si próprias"