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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

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As anotações de Júlio Marques.

A CRUZ MUTILADA . Alexandre Herculano

julmar, 16.10.19

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Há textos, poemas do meu tempo de estudante que não mais esqueci. Basta-me olhar uma cruz, de preferência em espaço aberto, para que ele me ocorra à memória

Amo-te, ó cruz, no vértice, firmada
De esplêndidas igrejas;
Amo-te quando à noite, sobre a campa,
Junto ao cipreste alvejas;
Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
As preces te rodeiam;
Amo-te quando em préstito festivo
As multidões te hasteiam;
Amo-te erguida no cruzeiro antigo,
No adro do presbitério,
Ou quando o morto, impressa no ataúde,
Guias ao cemitério;
Amo-te, ó cruz, até, quando no vale
Negrejas triste e só,
Núncia do crime, a que deveu a terra
Do assassinado o pó:

Porém quando mais te amo,
Ó cruz do meu Senhor,
É, se te encontro à tarde,
Antes de o Sol se pôr,

Na clareira da serra,
Que o arvoredo assombra,
Quando à luz que fenece
Se estira a tua sombra,

E o dia últimos raios
Com o luar mistura,
E o seu hino da tarde
O pinheiral murmura

Mário Cláudio

julmar, 16.10.19

 

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Já havia lido alguns livros de Mário Cláudio, mas nenhum me soube como este.Há seis ou sete anos foi o autor que me aconselhou a sua leitura, num curso seu sobre Escrita Criativa. Agora entendo porquê.  Um grande escritor!

«Meu mano não se continha e lançava nisto, 'Não há história que eu saiba que não vá desaguar nessa história, e desta rede é que se tece o génio de quem escreve, tentarei narrar amores e mortes sem medida, convocar a este Mundo um milhão de personagens, ensaiar frases, inventar palavras, e coar outras da nascente onde repousam há milénios, e a história que hei-de escrever será sempre a dos grandes Brocas»