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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Hard Times

julmar, 26.01.19

Captura de ecrã 2019-01-26, às 21.02.10.png“Now, what I want is, Facts. Teach these boys and girls nothing but Facts. Facts alone are wanted in life. Plant nothing else, and root out everything else. You can only form the minds of reasoning animals upon Facts: nothing else will ever be of any service to them. This is the principle on which I bring up my own children, and this is the principle on which I bring up these children. Stick to Facts, sir!"

"Bôs dias le dê Deus"

julmar, 24.01.19

Poucos davam uma saudação tão simples e encenada como a sua: a entoação da curta frase, acompanhada de um gesto que leva a mão ao chapéu, que nunca tira, era generosamente dirigida a todos que com ele se cruzavam, como um ritual, fossem ricos ou fossem pobres que a saudação não se nega a ninguém. Ao contrário de tantos outros, José Vicente, não se rebaixava junto dos ricos da terra que o seu mundo não tinha fronteiras e metia os pés ao caminho e tanto ia até à vizinha Espanha como aparecia em qualquer aldeia dos arredores na procura do sustento para si e para a sua Maria das Dores. Melhor que tudo era uma aguardente pela manhã e um copo de vinho a qualquer hora. Grande Zé Vicente que, sabe-se lá porquê, carregava a alcunha de Salazar.

Science and Islam, aprendendo em inglês

julmar, 15.01.19

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Europeus, neste cantinho da Europa chamado Portugal, o que aprendemos do mundo árabe quase se reduz a sabermos que as palavras portuguesas começadas por al, grande parte, são de origem árabe. Curiosamente, o nosso mundo rural, onde quase não chegou a entrar a tecnologia da revolução industrial fundada na ciência moderna, assentou nalgumas tecnologias criadas no mundo árabe. Refiro apenas duas: a nora e o alambique. 

Aprendendo com os melhores

julmar, 09.01.19

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O tempo é o bem mais precioso que temos. Sabemos quanto já tivemos e não sabemos quanto teremos. Podemos decidir em que o gastamos: a tratar de nós, a tratar dos outros, a tagarelar, a bricolar, a viajar, a pintar, a escrever, a ouvir música, a pasmar, a pensar na morte da bezerra, a rezar. Por mim, uma considerável parte desse bem escasso é usado a andar(passo a passo) e a ler (linha a linha, página a página). A leitura contém esta coisa extraordinária: podermos escolher o que de melhor pensaram os melhores filósofos, cientistas, escritores, poetas. Edward O. Wilson está entre eles.

Memórias de um Viandante

julmar, 07.01.19

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Referem as biografias de I. Kant (1724-1804), filósofo alemão, que ele se levantava às cinco da manhã, tomava o seu chá, fumava o seu cachimbo e, passando pela preparação de aulas, escrita e lecionação, impreterivelmente, às cinco horas da tarde, fazia a sua caminhada habitual, cujo horário, segundo a famosa lenda, era tão preciso e invariante que as donas de casa de Königsberg podiam acertar os seus relógios pelo minuto em que o Professor Kant passava pela rua de suas casas. Ora, admirador que sou da obra de Kant, encontrando-me em férias em Vilar Maior, durante o mês de Agosto, todos os dias, quase com a regularidade cronométrica do filósofo, antes do nascer do sol, iniciava o percurso Vilar Maior-Aldeia da Ribeira – Vilar Maior. Como filósofo, tão longe do esplendor de Kant mas com a mesma atitude filosófica, sei quão importante é para a reflexão e para o devaneio, a mecanização do corpo andante. Ocorreu, nesses devaneios matinais, perguntar-me: Porque não fazer todos os dias um trajeto diferente? Porque não percorrer todas as terras do concelho? E veio-me à memória o título da obra de Joaquim Manuel Correia – Memórias Sobre o Concelho do Sabugal. Não medi distâncias nem fiz cálculos; não consultei mapas nem fiz qualquer preparação. No dia seguinte, e todos os dias que seseguiram encontrei-me num trajeto diferente. À noite,antes de adormecer, decidia o trajeto do dia seguinte. Em cada percurso procurava, sobretudo, ver, ouvir, cheirar, sentir a brisa da manhã, ver o prateado do horizonte que gradualmente se doirava até aparecer a bola de fogo. Não há raiar da aurora tão belo como o da Raia, aqui onde o dia nasce pequenino, ali perto, em Espanha. E o tempo de andar a pé, dá para tudo: para sentir, pensar, sonhar, imaginar…e para desenhar o que faria com estas viagens. Poderiam ficar pelo andar, pelo ver, pelo pensar, como conversas para mim próprio. Porém, sei bem do prazer e do proveito que advém de tentarmos interpretar as nossas experiências e de as comunicarmos aos outros e, se uns o fazem pelo desenho, pela pintura, pela música, ou por qualquer outra forma, eu não o consigo fazer senão, e com dificuldade, pela escrita.
Assim, o que escrevo não tem pretensão maior do que conhecer melhor estas terras na sua configuração natural, na compreensão do esforço multissecular de gerações na humanização da paisagem e na construção de um património cultural que nos deu a identidade que nos tornou aquilo que somos. Escrevo para aprender; não escrevo para dizer como as coisas são, mas, tão só, como eu as vejo. Se torno público, estas divagações, é só por considerar que outros, vendo como eu olho, tenham a oportunidade de olhar de modo diferente. Como dizia A. Gedeão no poema Impressão Digital:
Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros, com outros olhos,
Não veem escolhos nenhuns.
E lá fui eu, qual D. Quixote sem escudeiro, caminho fora, passo a passo na redescoberta das terras do Côa, da margem esquerda e da margem direita, subindo e descendo montes, atravessando rios, olhando horizontes que se perdem por Espanha, pela serra da Estrela, por Malcata

Por Terras do Sabugal, passo a passo – Memórias de um Viandante

Primeira leitura de 2019 - A arte de caminhar

julmar, 05.01.19

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É difícil (impossível?) entender assuntos dos quais não se tem experiência e daí o meu sentimento de alegria e felicidade na leitura da presente obra. De uma assentada (difícil para quem anda tanto a pé) li metade do livro, uma interessante conversa, entre mim e o autor, nós que partilhamos o amor à sabedoria (filósofos) e o gosto de andar : para Erling - um passo de cada vez; para mim - passo a passo.

E a experiência de andar desta maneira leva-nos a dar uma suprema importância às pequenas coisas, à persistência, à coragem, à humildade, à apreciação das coisas simples, ao vagar necessário para o saber e o sabor.

E subscrevo o agora meu companheiro e amigo Erling Kagge:

"Depois de calçar os sapatos e deixar vaguear os meus pensamentos, cheguei a uma certeza: pôr um pé à frente do outro é uma das coisas mais imortantes que podemos fazer"