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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Leituras incómodas

julmar, 27.03.17

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 Por norma, leio um livro de fio a pavio. Por vezes, mais pelo meu feitio de não gostar de deixar as coisas a meio ou com esperança, quase sempre vã, de que o que está para a frente valha a pena. Nem gosto de saltar páginas ou capítulos, quero seguir o caminho de quem o escreveu. Pois, desta vez, tornou-se impossível: é demasiado escabroso, demasiado chocante. A Cúria romana, encarregada do governo da Igreja, comporta-se como as elites mais corruptas dos estados: o luxo em que vivem os cardeais, não apenas o senhor Bertone, as fraudes fiscais, a lavagem de dinheiro, a especulação imobiliária. Tudo documentado. Pior é impossível.

Mas o povo não lê. Acredita porque é na fé que está a salvação e continuará a queimar velas, dar esmolas, cumprir promessas num rio de dinheiro que desagua na Praça de S. Pedro.

E a pregação continuará: BEM AVENTURADOS OS POBRES PORQUE DELES É OREINO DOS CÉUS

Andar, andar, andar por terras da Rússia

julmar, 16.03.17

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 Cheguei a Smolensk,  cidade no oeste da Rússia , localizada às margens do rio Dniepre, próxima da fronteira com a Bielo Rússia. com uma população superior a 300 000 habitantes, dista de Moscovo 360 Km. Por aqui passaram, a pé como eu, os soldados de Napoleão e de Hitler que aqui defrontaram tropas russas.  Atualmente, Smolensk é uma cidade industrial, principalmente nos ramos eletrônico, têxtil e alimentício. Até 1939 a cidade pertenceu à Bielorrússia. 

Com alma para continuar, por Kaluga, em direção a Moscovo.

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Vigiar e Punir - Michel Foucault

julmar, 07.03.17

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Ao longo dos anos, por falta de tempo e de dinheiro, muitos livros ficaram por ler. Agora o dinheiro deixou de ser problema porque uma boa parte dos livros, de bons livros, existe em suporte eletrónico - os ebooks - e gratuito, como é o caso da presente obra. Quanto ao tempo, agora é todo meu e procuro aproveitá-lo o melhor que posso e sei, como é o caso desta obra extraordinária.

O Panóptico é uma máquina maravilhosa que, a partir dos desejos mais diversos, fabrica efeitos homogéneos de poder. Uma sujeição real nasce mecanicamente de uma relação fictícia. De modo que não é necessário recorrer a força para obrigar o condenado ao bom comportamento; o louco à calma; o operário ao trabalho; o escolar à aplicação; o doente à observância das receitas. Bentham se maravilha de que as instituições pa nópticas pudessem ser tão leves: fim das grades,  fim das correntes, de fim das fechaduras pesadas: basta que as separações sejam nítidas e as aberturas bem distribuídas. O peso das velhas "casas de segurança", com sua arquitetura de Fortaleza, é substituído pela geometria simples e económica de "uma casa de certeza". A Eficácia do poder, sua força limitadora, passaram, de algum modo, para o outro lado — para o lado da sua superfície de aplicação. Quem está submetido a um campo de de visibilidade e sabe disso retoma por sua conta as limitações do poder, fa-las funcionar espontaneamente sobre si mesmo; escreve em si relação de poder na qual ele desempenha simultaneamente os dois papéis; torna-se o princípio da sua própria sujeição. Em consequência disso mesmo, o poder externo, por seu lado, pode se aliviar do seus fardos físicos; tende ao incorpóreo; e quanto mais se aproxima desse limite, mais esses efeitos são constantes, profundos, adquiridos em carácter definitivo e continuamente recomeçados: Vitória perpétua que evita qualquer defrontamento físico e está sempre decidida por antecipação. Pg 226