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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

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As anotações de Júlio Marques.

Andar, passo a passo

julmar, 31.12.16

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Fim de ano é tempo de fazer balanços do que andámos a fazer. Ora, entre as coisas notáveis - numa avaliação completamente subjetiva-que fiz encontra-se o andar. O gráfico representa uma parte objetiva de quanto caminhei em cada mês e no ano. Percorri um total de 3270km contabilizadosa a partir de 14 de Janeiro. Uma boa parte deles foram percorridos no meu projeto Por terras do Sabugal, passo a passo, em que me propus visitar todas as freguesias do Sabugal (faltam apenas 4) a pé. Como auto-motivação imaginei-me a caminhar Europa fora, o que corresponde a ter atravessado Portugal (Vila Nova de Gaia-Vilar Formoso), Espanha, França, Alemanha, quase toda a Polónia, estando a chegar à Bielo-Rússia. 

Andar assim exigiu persistência e disciplina, levantar cedo, quase sempre antes do nascer do sol. A quase totalidade foi feita sozinho, tendo descoberto que sou um bom companheiro de mim mesmo. Aprendi que os ditos, provérbios e anexins são aplicados segundo as conveniências. Daí que do provérbio, que dizem ser africano, e que reza: se queres ir depressa vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado, que quase sempre é usado para elogiar o trabalho em equipa, dele não tenha feito uso. 

Material usado: Sapatilhas, bordão e chapéu. O Iphone que registou e contabilizou todos os meus passos. Assim, enquanto ando faço duas coisas essenciais na atividade mental que cabem no mesmo verbo: CONTAR: contos e contas. Galileu Galilei sabia muito acerca disto - O universo está escrito em linguagem matemática. Talvez o andar a passo e passo seja o caminho dessa metafísica matemática que só o andar devagar permite.

Passo a passo, chegada a Varsóvia

julmar, 24.12.16

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 Sempre os mesmos princípios: Devagar se vai ao longe, das coisas pequenas se fazem as grandes. Com vontade, com persistência. Letra a letra, palavra a palavra, página a página se escreve (ou lê) um livro. Tijolo a tijolo se faz uma casa. Passo a passo se faz uma viagem. Dia a dia se vive uma vida. 

Assim "cheguei" a Varsóvia (hoje, dia 24 de Dezembro de 2016, véspera de natal), percorridos que foram 3200 km. Próxima etapa - Minski, na Bielo-Rússia.

 

Leituras de 2016

julmar, 20.12.16

resultado Imagem Pará Livros

Prestes a chegar ao final do ano é altura de começar a apresentar balanços e relatórios. Aprendi que é assim que aquilo que fazemos se torna experiência útil. Aprendemos ou apreendemos e ensinamos (in-signare) fazendo marcas, sinalizações, razão porque sempre insisti com os meus alunos em que ao estudar tivessem um lápis na mão para sublinhar, anotar, escrever no próprio livro. Nos dias de teste a primeira coisa que faziam era colocar os livros sobre a minha secretária para que eu pudesse avaliar, enquanto respondiam às questões, como ' tratavam' os livros. Um livro que não estivesse marcado, que estivesse virgem era um péssimo sinal. Não entendo, por isso, a questão de não estragar os livros por mor de voltarem a ser usados. É um pouco o mesmo que dizer a alguém que não ande muito porque estraga os sapatos e isso fica caro. Eles é que sabem. 

Porque as leituras - que são modos de viajar acompanhados por gente muito ilustre - ocupam uma boa parte do meu tempo, aqui vai a lista dos livros:

1- O Torcicologista, Excelência, - Tavares, Gonçalo M.

2- A Liturgia do Silêncio - Batista, Afonso

3- Viagem ao poder da mente - Punset, Eduard

4- O Caminho da Vida, Pierro - Michael e Gross-Loh, Christine

5- Mein Kampft - Hitler, Adolf (PDF)

6- História dos Reis de Portugal, vol. I  - coordenação de Manuela Mendonça

7- O Carisma de A. Hitler - Res, Laurence (PDF)

8- Discurso da Servidão Voluntária - Boétie, Étienne de Lá (PDF)

9- Ética a Nicómaco - Aristóteles (PDF)

 10- Sentido da Vida Humana - Wilson, Eduard

11- Ikigai - Viva bem até aos 100, - Miralles, Francesc eHéctor

12- A Pérola -J. Steibeck (PDF)

13- História da Vida Privada na Idade Média em Portugal - Direcção de José Mattoso 

14 - As Vinhas da Ira  - J. Steibeck (PDF)

15- Ouvir com outros olhos - Lobo Antunes,  João 

16- Crónicas - vol.I - Dylan, Bob

17- A doença, o sofrimento é a morte entram num bar - Pereira, Ricardo Araújo

18- SPQR - Beard, Mary (em leitura)

19- Fernão Capelo Gaivota - Bach, Richard (releitura) (PDF)

Nota Bene- O número de leituras em PDF vai crescendo de ano para ano.

 

O riso, as lágrimas e a morte

julmar, 20.12.16

A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram Num Bar

Sou um apreciador do humor de RAP e passo a ter maior consideração por ele depois de ter lido este pequeno livro. No humor como na música ( e em muitas outras áreas) há vários níveis de elaboração e diríamos que o humor ao nível da anedota está para a música pimba, como o humor de RAP está para a música clássica. Do mesmo modo, que há muita gente divertidíssima com a música pimba, há muita gente divertidíssima a ouvir anedotas. Espíritos preguiçosos. 

O humor, de algum modo comunga com a filosofia o trabalho de desconstruir a realidade, de a surpreemder, de a fintar, de a espreitar por ângulos inhabituais ... e de no fim, acabar sempre por se enfrentar e humiliar frente à morte.

«Aquilo a que chamamos humor, ou sentido de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas. É raro, não por se tratar de um dom oferecido apenas a alguns eleitos, mas porque aquele modo de olhar e de raciocinar é muito diferente (às vezes, o oposto) do convencional. Este livro procura identificar e discutir algumas características dessa maneira de ver e pensar.»