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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

As portas que Abril abriu

julmar, 25.04.16

VC Lomba 75.jpg

 Nem água, nem luz, nem saneamento, nem estrada. Este era o retrato de muitas aldeias de Portugal. Da minha aldeia natal também. 

Comecei a dar aulas de Português (na Escola Técnica) e História (no Liceu) em outubro de 1973. 

24 de Abril de 1974, deitei-me passava da meia noite, ouvi a canção "E Depois do Adeus" de Paulo de Carvalho ... e gostei de ouvir. 

A partir do dia seguinte  tudo era diferente e como no poema de Vinicius de Morais o "operário em construção", também eu cresci:

Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 

Farto e refarto da bolororenta escolástica, leio e discuto textos de Marx, de Mao e, claro de W. Reich. E porque a revolução era levada a sério, havia era que meter as mãos na massa dando cumprimento ao pensamento de Marx:

Até hoje os filósofos interpretaram o mundo de diversas maneiras; ora, o importante é transformá-lo 

E lá estou eu, em tempo de férias, em campanha de alfabetização com os mais velhos e em atividades com estas crianças.

Muita inocência, muita ingenuidade mas não trocaria estes tempos por nada. 

Leitura de Abril

julmar, 19.04.16

Cada livro que lemos é  é uma viagem fazemos ao mundo dos outros e ao nosso próprio mundo. Este livro leva-nos numa intensa viagem ao infinitamente grande e ao infinitamente pequeno que os dois se ligam ao nosso mundo que é o mundo das nossas percepções, dos nossos conceitos e das nossas emoções. O 'conhece-te a ti mesmo' socrático adquire uma nova dimensão que não passa apenas pelo examinar-se a si mesmo mas que, hoje, exige o contributo do conhecimento científico que nos traz luz à questão ' o que é o homem'. Não entenderemos o homem se não entendermos ccomo aqui chegou e, por isso, se torna imprescindível o contributo de todas as ciências. Das  ditas ciências naturais: da Física, da Química, da Biologia, da Astronomia. da Etologia ... E mais uma vez, chegamos à conclusão que o homem descendeu dos céus e que foi a olhar para os céus que o homem descobriu a terra e nela se descobriu a si. 

É tempo de o homem se libertar de explicações míticas e religiosas, de dogmas e de preconceitos. E não é fácil porque o nosso cérebro odeia mudar de ideias, custa tanto mudar de crenças que há quem morra por elas. Assim, diz-nos o autor que tem de haver uma pedagogia da desaprendizagem. Para tanto temos de aprender como lidar com o nosso cérebro e essa é uma aprendizagem que, hoje, está ao nosso alcance.

 Com o autor descobriremos que «o cérebro está preparado, embora não lhe agrade, para mudar de opinião; que construímos o futuro em torno do passado; que nem todos os sistemas irracionais da mente são válidos; que estamos programados mentalmente para sermos únicos e que nisso reside, talvez, a explicação para a capacidade infinita dos seres humanos para serem felizes».