
Livro desaconselhado aos consumidores de enredos fáceis, aos que ficam pela pergunta 'para que serve isto', aos idólatras, aos anjinhos, aos cretinos militantes, aos homens íntegros, genuínos e de uma só fé, aos comerciantes de palavras, aos que esperam a ressurreição dos mortos, aos apressados, aos ladrões, aos obedientes, aos moradores de altos prédios sem elevador com vistas para o Tejo. E aos que não sabem ler. Resta alguém?
Então, à página 129, diz assim Acácio, dito Gurmesindo:
Foi na porra da guerra que conheci o único tipo genuíno. Era alentejano e só falava na saudade das paredes caiadas de branco das casas, dos avós, das sopas de beldroegas, das migas e da açorda. Por isso, os outros cabrões puseram-lhe o nome do «açordas». Morreu estraçalhado por uma mina. Do que deixou, encontrei este pedaço de papel com esta prosa. O tipo escrevia às escondidas. Dava-se bem com as palavras. Mas, como me dizia, preferia o silêncio. Foi por isso que se fodeu e ficou a falar com o silêncio eterno.
E não me contive, saltou-se-me o riso e com o que a seguir vinha mais imparável se tornava. Estancado o riso, lembrei a minha leitura do Candide de Voltaire e o Valente Soldado Chveik de Jaroslav Hasek.
E o que vinha a seguir era assim:
«Dói-me a madeira do caixão em que me encerraram. É dura e de má qualidade. Porque não me cremaram como pedi? Sabiam que sofro de claustrofobia. Não consigo estar fechado nesta caixa em que me enclausuraram. É uma crueldade. Merecia isto? Mesmo sabendo como sofro com o calor, era melhor o crematório. Estar aqui a apodrecer neste abandono, encerrado neste caixão, de madeira barata, é uma ingratidão. Protesto. Amanhã vou aí fora reclamar. Haverá livro de reclamações? De certeza que a puta da guerra não tem livros de reclamações?
Pelo Tó Rasteiro, no Facebook, soubemos do falecimento desta nossa conterrânea, no dia 23 do passado mês de Janeiro. O blog Vilar Maior, Minha terra minha gente, há-de ser para os vindouros uma memória das gentes da Vila. Poder recordá-los é uma maneira de os continuarmos a ter connosco. Por isso agradeço ao Tó o poder dar este apontamento. O sorriso que vemos na foto, é a imagem que temos de Maria Alves da Costa e, em torno dela, lembramos o seu pai José, a sua mãe Maria, o seu irmão. Viúva de José Rasteiro, fomos colegas na escola primária dos filhos Manuel e José, a filha era um pouco mais nova. Para os familiares e, em especial, para os filhos, as nossas condolências.
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