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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Leitura da liturgia de Afonso V. Batista

julmar, 19.02.16

 

Livro desaconselhado aos consumidores de enredos fáceis, aos que ficam pela pergunta 'para que serve isto', aos idólatras, aos anjinhos, aos cretinos militantes, aos homens íntegros, genuínos e de uma só fé, aos comerciantes de palavras, aos que esperam a ressurreição dos mortos, aos apressados, aos ladrões, aos obedientes, aos moradores de altos prédios sem elevador com vistas para o Tejo. E aos que não sabem ler. Resta alguém?

Então, à página 129, diz assim Acácio, dito Gurmesindo:

Foi na porra da guerra que conheci o único tipo genuíno. Era alentejano e só falava na saudade das paredes caiadas de branco das casas, dos avós, das sopas de beldroegas, das migas e da açorda. Por isso, os outros cabrões puseram-lhe o nome do «açordas». Morreu estraçalhado por uma mina. Do que deixou, encontrei este pedaço de papel com esta prosa. O tipo escrevia às escondidas. Dava-se bem com as palavras. Mas, como me dizia, preferia o silêncio. Foi por isso que se fodeu e ficou a falar com o silêncio eterno.

E não me contive, saltou-se-me o riso e com o que a seguir vinha mais imparável se tornava. Estancado o riso, lembrei a minha leitura do Candide de Voltaire  e  o Valente Soldado Chveik de Jaroslav Hasek.

E o que vinha a seguir era assim:

«Dói-me a madeira do caixão em que me encerraram. É dura e de má qualidade. Porque não me cremaram como pedi? Sabiam que sofro de claustrofobia. Não consigo estar fechado nesta caixa em que me enclausuraram. É uma crueldade. Merecia isto? Mesmo sabendo como sofro com o calor, era melhor o crematório. Estar aqui a apodrecer neste abandono, encerrado neste caixão, de madeira barata, é uma ingratidão. Protesto. Amanhã vou aí fora reclamar. Haverá livro de reclamações? De certeza que a puta da guerra não tem livros de reclamações?

Requiescat in Pace

julmar, 02.02.16

maria Alves.jpg

 

Pelo Tó Rasteiro, no Facebook, soubemos do falecimento desta nossa conterrânea, no dia 23 do passado mês de Janeiro. O blog Vilar Maior, Minha terra minha gente, há-de ser para os vindouros uma memória das gentes da Vila. Poder recordá-los é uma maneira de os continuarmos a ter connosco. Por isso agradeço ao Tó o poder dar este apontamento. O sorriso que vemos na foto, é a imagem que temos de Maria Alves da Costa e, em torno dela, lembramos o seu pai José, a sua mãe Maria, o seu irmão. Viúva de José Rasteiro, fomos colegas na escola primária dos filhos Manuel e José, a filha era um pouco mais nova. Para os familiares e, em especial, para os filhos, as nossas condolências.