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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Resgate

julmar, 20.05.15

Poema inédito de Manuel Alegre Resgate 23-12-2012 Manuel Alegre "Não podem cortar o verão/ nem o azul que mora/ aqui/ não podem cortar quem somos", diz Manuel Alegre num poema inédito intitulado "Resgate". Versos para meditar nestes tempos de "défices de vida e de sonho" e de "(...)dívida/ de alma". Resgate Há qualquer coisa aqui de que não gostam da terra das pessoas ou talvez deles próprios cortam isto e aquilo e sobretudo cortam em nós culpados sem sabermos de quê transformados em números estatísticas défices de vida e de sonho dívida pública dívida de alma há qualquer coisa em nós de que não gostam talvez o riso esse desperdício. Trazem palavras de outra língua e quando falam a boca não tem lábios trazem sermões e regras e dias sem futuro nós pecadores do Sul nos confessamos amamos a terra o vinho o sol o mar amamos o amor e não pedimos desculpa. Por isso podem cortar punir tirar a música às vogais recrutar quem os sirva não podem cortar o verão nem o azul que mora aqui não podem cortar quem somos. Águeda 23/12/2012 Manuel Alegre

Lendo Hegel - Introdução à fenomenologia do Espírito

julmar, 12.05.15

«2 - [So wird auch] Do mesmo modo, a determinação das
relações que uma obra filosófica julga ter com outras sobre o mesmo
objeto introduz um interesse estranho e obscurece o que importa ao
conhecimento da verdade. Com a mesma rigidez com que a opinião
comum se prende à oposição entre o verdadeiro e o falso, costuma
também cobrar, ante um sistema filosófico dado, uma atitude de
aprovação ou de rejeição. Acha que qualquer esclarecimento a
respeito do sistema só pode ser uma ou outra. Não concebe a
diversidade dos sistemas filosóficos como desenvolvimento progressivo
da verdade, mas só vê na diversidade a contradição.
O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se
que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer
um falso ser-aí da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da
flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem
como incompatíveis entre si. Porém, ao mesmo tempo, sua natureza
fluida faz delas momentos da unidade orgânica, na qual, longe de
se contradizerem, todos são igualmente necessários. E essa igual
necessidade que constitui unicamente a vida do todo. Mas a contradição
de um sistema filosófico não costuma conceber-se desse
modo; além disso, a consciência que apreende essa contradição não
sabe geralmente libertá-la - ou mantê-la livre - de sua unilateralidade;
nem sabe reconhecer no que aparece sob a forma de luta e
contradição contra si mesmo, momentos mutuamente necessários.»