Que seria de mim sem livros? Que seria a humanidade sem livros? Talvez não fosse humana ou o não fosse da mesma maneira. Talvez tenha sido uma deriva ou um parentese no caminho que nos levará sabe-se lá onde. Bastaria para a ausência dessa deriva que as palavras ditas as não levasse o vento, que se pudessem assim fixar como hoje o sabemos fazer em gravadores de voz. Em vez de livros haveria apenas audio livros. E teríamos a voz, não dos deuses que não falam mas dos seus profetas, as vozes de reis e imperadores. Fácil como é a palavra dita teríamos hoje uma enorme confusão e profusão de banalidades. Ao contrário, a invenção da escrita exigindo meios de suporte, instrumentos, tintas e, sobretudo uma esforçada esforçada aprendizagem, tornou-se um filtro que permitiu que para os vindouros apenas se transmitisse o importante. Provavelmente sem livros não chegaríamos ao estabelecimento de códigos éticos e de códigos jurídicos, não chegaríamos à matemática, à filosofia, à ciência e não teríamos chegado à informática. O livro, escrita e leitura.
Lembro-me de todos os livros que li. A maior parte deles lá estão nas estantes e em cada um deles uma parcela do meu tempo. Faltava lá aquele que tenho memória de ter sido a minha primeira extensa leitura. Lembro ainda como vivi os conbates entre os turcos e os cristãos naquele que é o mar onde nasceu a nossa civilização: o mediterrâneo. Chegou há dias no correio, comprado na net. E lá está, igual ao que li, com o cheiro tão carcterístico dos livros antigos.
Posso ter negado a satisfação de um qualquer desejo aos meus filhos. Nunca lhes neguei um livro.