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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Leituras de Março

julmar, 31.03.15

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 Ler é, para mim, não raras vezes uma forma de preguiça: viajar sem sair do lugar, pensar por conta de outrem, sonhar os sonhos dos outros, escusar-se à escrita, escutar alguém que procura fazer-se ouvir. E na leitura como na vida sentimo-nos melhor com gente que comunga experiências, sentimentos, pensamentos e crenças semelhantes. Questões de simpatia. 

Leituras de Março - História da Rebolosa

julmar, 25.03.15

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Origem do nome Rebolosa

Lenda da Rosa

Meu pai dizia que o nome de Rebolosa vem do 'rouba la rosa. Era um rapaz mouro, que namorava uma moça cristã chamada ROSA. Mas, nem os pais dele nem os pais dela consentiam no namoro, por causa do ódio que havia entre Cristãos e Mouros. Então, os jovens combinaram fugir e amigaram-se por lá. Quando regressaram traziam uma menina nos braços que apresentaram às famílias como justificação para os deixarem casar. Mas em vez disso as famílias entraram numa guerra, onde os pais da rapariga acusavam os Mouros de lhes terem roubado  a filha Rosa. Gerou-se uma briga do género da dos ciganos, onde o rapaz mouro acabou morto. A rapariga Rosa, que o amava e tinha dele uma filha, ficou muito desgostosa e suicidou-se. A menina, orfã de pai e mãe, ficou entregue aos cuidados dos avós maternos que, cada vez mais repassados de ódio contra os mouros, quiseram baptizar a criança apenas com nome da mãe Rosa. Mas o padre disse-lhes que devia também ter o nome do pai. Ora, o pai ficou conhecido pela alcunha de 'Rouba la Rosa', e era reboleiro de profissão, porque tabalhava com os rebolos. Foram então buscar a raiz REBO, do pai, que juntaram à ROSA, nome da mãe e a menina passou a chamar-se REBOLOSA. 

História da Rebolosa, Bernardino Pinheiro, ed. do autor .Pg 44

Quando Vier a Primavera

julmar, 22.03.15

Quando vier a Primavera, 

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Teorema de Pitágoras

julmar, 22.03.15

Criou-se na família a ideia de que tínhamos boa memória para as línguas mas que não tínhamos jeito para a matemática. Foi assim que as minhas dificuldades dobraram na matéria até ao momento em que tive,  numas Férias Grandes - assim se chamavam as férias de Verão -, por mim próprio, sem apoio de ninguém, com o célebre Compêndio de Matemática de J. Jorge G. Calado e o caderno de Exercícios de Álgebra e Geometria, de Palma Fernandes, preparar-me para fazer o exame do 5º ano. Corria o ano de 1965. Foi das experiências mais gratificantes que tive: resolver problemas. Mais tarde essa minha experiência foi iluminada com o estudo de Descartes ao dar-nos como modelo de evidência inteletual o conhecimento matemático. Foi isso que Galileu nos ensinou na afirmação de que a natureza se encontra escrita em linguagem matemática. Presumo que não se pode chegar ao espírito científico sem esta convicção e sem o entusiasmo que ela gera. Imagino a alegria de Pitágoras, certamente igual à do Eureka de Arquimedes, na descoberta do teorema que tem o seu nome: A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. 

Na falta do conhecimento do dito teorema, vi os meus artífices a usarem uma regra prática para conseguirem esquadrias usando  medidas standard dos catetos 60 e 80 e da hipotenusa 100. Artifices que nunca na escola chegaram a esse estudo. 

Trechos preferidos

julmar, 20.03.15

Eclesiastes 3

Também na Bíblia há mensagens de paz e de guerra, de amor e de ódio, de perdão e de vingança.

1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

10 Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.

11 ¶ Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.

12 Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;

13 E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.

14 Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.

15 O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.

16 ¶ Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.

17 Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

18 Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

19 Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.

20 Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

21 Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

22 Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Gedeão, sempre

julmar, 18.03.15
Isto de a gente sorrir, de cabeça inclinada

sobre o ombro direito,

para uma tela sarapintada

sem forma nem jeito,

só porque tem luz,

só porque tem cor,

é signo de graça,

é sinal de amor