Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

Memórias de Champigny 1962

To Zé Duarte_edited.jpg

Fotografia publicada mo FacebooK por António Rasteiro

(da esquerda para a direita o Manuel, o Tó e a Isabel, filhos do Zé Duarte e Ana Maria)

Champigny abrigou na década de 60 a maior parte dos conterrâneos que, a salto, emigraram para França. O primeiro, penso eu, a establecer residência em Champigny foi o Zé Duarte. Foram muitos os que lhe bateram à porta para comer, para arranjar o rapissé (como raio se escreve isto?), para ir à Mairie, ao Consulado ou para arranjar trabalho.

 

publicado por julmar às 11:57
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Perdão Real

Quem andar a cuscar por documentos antigos, acaba por encontrar destas coisas

A João Gonçalves, morador em Malhada Sorda, termo de Vilar Maior, Perdão por ter induzido por afagos Maria, filha de Afonso de Afonso Anes e de Lianor, pelo que se amorou,

Chancelaria de D. Manuel I, liv. 32, fl. 20

publicado por julmar às 11:46
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015

Coisas simples

Vozes de animais 

Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha;
Os ternos pombos arrulham ;
Geme a rola inocentinha.

Muge a vaca, berra o touro;
Grasna a rã, ruge o leão;
O gato mia; uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo;
Os elefantes dão urros ;
A tímida ovelha bale ;
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa
(Bichinho muito matreiro);
Nos ramos cantam as aves;
Mas pia o mocho agoureiro.

Sabem as aves ligeiras
O seu canto variar;
Fazem gorjeio às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar .

O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas
Apenas sabe chiar.

O negro corvo crucita ;
Zune o mosquito enfadonho;
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre; grasna o pato;
Ouvem-se os porcos a grunhir ;
Libando o suco das ores,
Costuma a abelha zunir.

Bramem os tigres, as onças;
Pia , pia o pintainho;
Crucita e canta o galo;
Late e gane o cachorrinho.

A vitelinha dá berros ;
O cordeirinho, balidos ;
O macaquinho dá guinchos ;
A criancinha vagidos.

A fala foi dada ao Homem,
Rei de outros animais,
Nos versos lidos acima
Se encontram em pobre rima,
As vozes dos principais.

Pedro Dinis, Tesouro Poético da Infância, org. Antero de Quental, Publicações D. Quixote, 2003

publicado por julmar às 18:43
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

Leituras - Quando um burro fala ...

 

Os portugueses ouvem mal, ouvem-se mal, soam mal. Falam muito, falam depressa, falam uns por cima dos outros, falam para não deixar ouvir os outros, falam de tudo, falam sobre tudo. Falam para atacar, falam para defender. Raramente falam para mostrar, raramente falam para perguntar, para se perguntar. A televisão é o seu lugar preferido e por ali se vê o retrato do país. 

Há áreas importantes para a qualidade de vida e da educação das pessoas a que - quase- se não presta atenção. 

Quase poderíamos dizer:« Diz-me qual é a paisagem sonora do teu país, dir-te-ei como é».

«Ouvir o outro não se faz sem silêncio e reflexão. Em Portugal, as vozes soam sempre demasiado alto e de forma confusa, lançam-se muitos foguetes, bate-se com muita violência nos bombos, ovaciona-se frequentemente, de forma muitas vezes despropositadam, mas a estes actos não corresponde, o mais des vezes, uma escuta cuidada e atenta. Talvez esteja aqui a explicação para a expressão popular "quando um burro fala o outro baixa as orelhas». A palavra «diálgo», em Portugal, parece enquadrar-se neste jogo de baixar as orelhas uns aos outros. Mas a epressão contém uma contradição que talvez justifique e dê especificidade ao problema português: não se pode querer falar e convidar, ao memso tempo, o ouvinte a encolher as orelhas. Sabendo que não irão ter ouvidos para ouvir, os oradores cuidam pouco daquil que dizem e os ovintes limitam-se simplesmente a abanar acabeça. Na verdade, parece-me que, tenham ou não algo para dizer, é indiferente aos oradores se vão ou não ser ouvidos.» pg 17

In, Sons e Silêncios da Paisagem Sonora Portuguesa, Carls Alberto Augusto, Ed. Fundação Francisco Manuel dos Santos. Lisboa, 2014

 

 

publicado por julmar às 17:19
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

Retrato Breve

O "Anuário Comercial de Portugal" faz a seguinte descrição de Vilar Maior ( Publicado no Capeia Arraiana), relativa ao ano de 1942.
Esta freguesia situa-se a 19 quilómetros da sede do concelho e a 15 da estação de caminho-de-ferro da Cerdeira. Tinha uma população de 694 habitantes.
Serviços institucionais, actividades económicas e profissionais:
Presidente da Junta de Freguesia: Joaquim A. Simões.
Juiz de Paz: António Esteves Pinheiro.
Pároco: Manuel Lourenço Rodrigues.
Regedor: Henrique Silva da Cunha.
Encarregado do Correio: Albino Monteiro Freire.
Professores (2): Adélia Gata Gonçalves e António Esteves Pinheiro.
Lavrador: Alexandre Gonçalves de Araújo Júnior.
Registo Civil: António Esteves Pinheiro.
Vendedores de fazendas (2): Albino Monteiro Freire e António Gata.

António Gata já havia falecido em 1938, mas, naturalmente, o estabelecimento continuava no seu nome.

publicado por julmar às 17:39
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015

Conversas banais, convers a mais

Para tomar café, apenas um café

- Um café, por favor

- Normal?

- Sim, por favor

- Alguma coisa para acompanhar?

- Não, obrigado.

- Quer fatura, com número de contribuinte?

- Não.

- Tem número de cliente?

- Não.

publicado por julmar às 12:11
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015

Amor sem trégua - António Gedeão

A propósito da tragédia de Charlie Hebdo, veio-me à memória este poema.

É necessário amar,

Qualquer coisa, ou alguém;
O que interessa é gostar
Não importa de quem.

Não importa de quem,
Nem importa de quê;
O que interessa é amar
Mesmo o que não se vê.

Pode ser uma mulher,
Uma pedra, uma flor,
Uma coisa qualquer,
Seja lá do que for.

Pode até nem ser nada
Em que ser se concretize,
Coisa apenas pensada,
Que a sonhar se precise.

Amar por claridade,
Sem dever a cumprir;
Uma oportunidade
Para olhar e sorrir.

Amar como o homem forte
Só ele o sabe e pode-o;
Amar até à morte,
Amar até ao ódio.

Que o ódio, infelizmente,
Quando o clima é de horror,
É forma inteligente
De se morrer de amor
.

publicado por julmar às 10:32
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015

Tou-Tou! Tá-lá-Tá-lá

Cabina telefónica

Em 24 de Novembro de 1953 a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e  Telefones

Ofício a informava que

«a abertura do posto está pendente da vistoria do compartimento onde deve ficar instalado o telefone, a qual se efectuará na semana corrente»

Cerca de 100 anos após a invenção do telefone (1860), chega à Vila a possibilidade de falar para qualquer parte do mundo. Foi instalado  o locutório (cabine que custou 300$00) no Comércio do Senhor Aníbal. A ligação ao recepor final não era direta e, por vezes, era precisa muita paciência. Primeiro ligava-se para Aldeia da Ponte e dali era estabelecida a ligação. 

publicado por julmar às 17:04
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CHARLIE HEBDO

JE SUIS CHARLIE

publicado por julmar às 14:50
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

Primeira Leitura do ano - As Portas da Percepção

as portas da perceção.jpg

Li há muitos anos «O Admirável Mundo Novo» de A. Huxley, então, publicado numa criteriosa coleção de Livros de Bolso da RTP. O livro que me marcou, tornou-se um clássico. A presente obra já me tinha aparecido em citações de obras lidas e ao deparar com ela na Fnac, comprei e li avidamente no fim de semana. Importante pelas questões filosóficas que levanta, pela defesa que faz de uma revisão do uso de drogas na sociedade e pela beleza da escrita. Sendo um livro de análise, as decrições que faz, nomeadamente do mundo visionário e de pinturas célebres, lê-se com o agrado de um romance.

A tese fundamental é a seguinte:

«Cada pessoa é, em cada momento, capaz de recordar tudo o que alguma vez lhe aconteceu e de apreender tudo o que está a acontecer em todos os lugares do universo. A função do sitemaa nervoso e dos órgãos dos sentidos é proteger-nos, evitando que sejamos submergidos e confundidos poe esta amálgama de informação em grande medida inútil e irrelevante, bloqueando parte daquilo que, de outro modo, nos veríamos obrigados a apreender ou recordar num dado momento, deixando apenas aquela parcela muito reduzida e especial que tem mais probabilidades de se revelar útil do ponto de vista prático» Segundo esta teoria, cada um de nós é, potencialmente, uma Mente sem Limites. Porém, na medida em que somos animais, cabe-nos a todo o custo, sobreviver. Para tornar possível a sobrevivência biológica, a Mente  sem Limites tem de ser canalizada através da válvula redutora do cérebro e do sistema nervosa. O que sai no outro extremo do cano é o gotejar modesto do género de consciência que nos ajuda a manter-nos vivos na superfície deste planeta em particular.»

Ora, o que as drogas fazem, nomeadamente, a mescalina (LSD), é relaxar ou eliminar a válvula redutora. 

E com esta metáfora do mundo da pichelaria subimos a explicações que nos levam à ciência infusa que a S. Tomás de Aquino, chegou depois, muito depois da escrita da Suma Teológica, o que, sem esse atraso, nunca o conheceríamos.

Não está mal para começo de ano!

Poderá aceder a esta obra em ebook

http://culturadigital.br/contraculturadigital/files/2012/02/Aldous_Huxley-As_portas_da_percepcao.pdf 

publicado por julmar às 11:52
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