Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Lembrando o amigo Rodrigues

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Disseram-me que tinhas morrido. De todos os que por mim passam e, sentidamente, me cumprimentam eu guardo sempre uma recordação. De ti guardo, além do apertar forte da tua mão grande e das conversas sobre a arte fotográfica, sobre as trivialidades da vida, esta fotografia tirada por terras de Cinfães no dia 20-07-2005. Requiescat in pace.

publicado por julmar às 17:15
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Plágios e copianços

Consultado o dicionário Houhaiss da Língua Portuguesa sobre o significado de plágio: 1. acto ou efeito de plagiar; 2. JUR apresentação feita por alguém, como da sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual, etc produzido por outrem. ETIM gr. plagios,a,on 'oblíquo, que não está em linha recta, que está de lado; transversal, inclinado, p,ext.que usa meios oblíquos; equívoco, velhaco. Todos os que passámos pelos bancos da escola temos experiências de aprendizagem e dos apertos em que se viram quando tivemos de prestar contas do que andámos a fazer, fosse em testes, em trabalhos ou em exames. Nos testes o recurso a cábulas e copianços exigia, por vezes,engenhos, artes e manhas deveras criativas. Lembro, no meu tempo de estudante do antigo 5º ano, no seminário, os testes de matemática. O Dr Brandão, cónego do cabide da Sé de Beja, e meu professor de Matemática, tido por nós como uma sumidade na matéria, tinha o seu próprio caderno de exercícios exclusivo a que chamávamos o 'Canhenho'. Ora, como há muitos anos dava aulas e os exercícios eram sempre os mesmos, ano após ano foram-se coligindo os ditos exercícios de modo que ao meu tempo já circulavam entre nós cópias dos referido 'Canhenho'. Habituámo- nos a confiar na perícia de algum de nós em encontrar, no dito 'canhenho' as resoluções dos exercícios durante o teste. O que primeiro o encontrasse copiáva-o para um papel e passava-o a um que por sua vez fabricava mais uma cópia que punha a circular; por vezes, o exercício era colocado nas costas da capa negra que o dr Brandão trazia e, qual placard ambulante, ao passear pelas filas, cada um ia copiando. Isso levou a uma coisa ruim que no exame, com vigilância apertada, não me tendo chegado as cópias necessárias tive uma nota que me obrigou a ir à oral onde, raramente alguém se safava. Quem chumbasse em Junho tinha que prestar provas em Outubro. Foi assim que descobri a matemática, sem professor, sem explicador, sem colegas,Só com o livro do Calado e o caderno de exercícios de Palma Fernandes (Perguntem aos alunos de matemática de hoje quem são os autores dos seus livros) treinei todos os dias porque nem me passava pela cabeça que eu pudesse chumbar. A minha avó ficava impressionada: Ai, filho que tu dás cabo da vista sempre a leres. A verdade é que fiz o exame com êxito, para grande espanto do Dr Brandão. Espantado fiquei eu comigo por ter descoberto que, afinal, a matemática erra uma coisa fixe, que eu gostava de praticar matemática. Hoje sei que só na matemática o espírito verdadeiramente se ilumina pela exacta compreensão do que intelige. É essa experiência que Descarte nos narra no Discurso do Método. Passei a minha vida dentro da escola como aluno e como professor e sempre de maneira crítica. Fui aprendendo o que era mais e menos importante até aprender que o verdadeiramente importante era mesmo aprender, o prazer de arender, ainda que trabalhoso. Copiar nos testes é sempre enganar alguém que merece ser enganado, seja o professor, seja o sistema. Por isso, os testes ou trabalhos que dava em Filosofia eram feitos de forma a que o engano não fosse possível. A brincar a sério, dizia aos meus alunos que podiam fazer copianços para os testes mas que só os deviam usar se estivessem bem feitos. Perguntavam-me como sabiam que estavam bem feitos e eu pedia-lhes que mos dessem para analisar. É que quem fizer um copianço bem feito, não vai precisar dele. Plagiar fica para a próxima.

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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Leituras- Retrato de Rapaz - Mário Cláudio

retrato-de-rapaz.jpg

Se tivesse de nomear alguém absolutamente extraordinário ao nível da ciência e da arte na História da humanidade não hesitaria em indicar Leonardo d'Avinci(1452-1519). Se me perguntassem sobre a época mais fértil na história indicaria o Alto Renascimento correspondente ao ocaso da Idade Média e ao alvorecer da Idade Moderna com o nascimento da ciência moderna e do espírito científico. Esta obra de Mário Cláudio introduz-nos no clima cultural da da época de uma forma muito envolvente num discurso narrativo extraordinário. Em termos literários estará acima de qualquer escritor contemporâneo da língua portuguesa.

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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Grancho e a deontologia docente - Afonso Leonardo

joão grancho.jpg

Nada mais descarado que falar de deontologia e de no próprio ato discursivo negar o que afirma. Falamos do Secretário do Ensino Básico e Secundário, João Grancho. Vi no jornal Público os originais e o texto plagiado e as explicações agravam ainda mais o ato. Há poucos anos um ministro (da Defesa, se não estou em erro) no governo alemão, acusado de plágio, demitiu-se. Errar é humano, persistir no erro é burrice ou fazer dos outros burros. O nosso deficit financeiro é, tão só, o resultado de todos os outros deficits. Esta equipa educativa é a imagem da incompetência, da falta de rigor, da falta de ética. Que grande modelo para professores e alunos! Há dias, um amigo enviou-me as universidades frequentadas pelos nossos ministros e secretários. Quase todos em universidades privadas, infelizmente nas menos meritórias. Universidades muitas criadas por políticos e ex-políticos que nelas conseguem títulos académicos ou nas quais vão dar umas aulinhas. E num país quando falha a educação, falha o mais importante.

publicado por julmar às 16:03
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Travar o tempo - Afonso Leonardo

Gente desenraizada, gente sem raízes, nomadismo voluntário ou forçado, diásporas, migrações, refugiados, viagens sem regresso. Efemeridade, transitoriedade, pressa, eficiência, rapidez. De pé ou sentado a andar. Sentado a dormir e a andar. Perguntas? Nem pensar! Não, perguntas não: baralham, confundem. Pensar é perder tempo e não se pode pôr travões no tempo. Ainda outro dia ia num autocarro e o condutor pôs travão a fundo e o resultado foi deveras desastroso. Acusaram o condutor de se distrair mas ele disse que estava concentrado a pensar. Foi deveras censurado e os mestres do senso comum lembraram-lhe que «a pensar morreu um burro» e que quando se conduz não se pode «estar a pensar na morte da bezerra» O chefe dele disse-lhe que ele era pago para conduzir e não para pensar que quem pensava era ele. Ocorreu-lhe fazer esta repreensão que o seu chefe já lhe havia feito quando quis introduzir alterações aos turnos dos condutores.

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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Lembrando Hannah Arendt no 108º ano do seu nascimento

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Bondade e Sabedoria devem ser Inocentes. Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade, embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como acto de solidariedade. Daí: «Não dês as tuas esmolas diante dos homens, para seres visto por eles». A bondade só pode existir quando não é percebida, nem mesmo por aquele que a faz; quem quer que se veja a si mesmo no acto de fazer uma boa obra deixa de ser bom; será, no máximo, um membro útil da sociedade ou zeloso membro de uma igreja. Daí: «Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita.» (...) O amor à sabedoria e o amor à bondade, que se resolvem nas actividades de filosofar e de praticar boas acções, têm em comum o facto de que cessam imediatamente - cancelam-se, por assim dizer - sempre que se presume que o homem pode ser sábio ou ser bom. Sempre houve tentativas de dar vida ao que jamais pode sobreviver ao momento fugaz do próprio acto, e todas elas levaram ao absurdo. Hannah Arendt, in 'A Condição Humana

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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Galveias, um regresso à ruralidade

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As cidades mudaram muito mas continuam a ser cidades. As aldeias acabaram. Algumas literalmente, as outras porque se urbanizaram. Os que nunca vivenciaram a vida na aldeia encontrarão nesta magnífica obra uma oportunidade. Para os que gostarem da literatura ponto. Difícil encontrar melhor «As sombras cobriam certas faces dos objectos e cantos inteiros da casa. As chamas do lume pegavam ao madeiro e faziam-no estalar fagulhas. Esse tempo,como uma suspensão, como uma bolha de vácuo onde não se podia respirar , alongava-se cada vez mais. A mulher sentia essa asfixia. Com os olhos dentro de duas sombras, peneirava o silêncio em busca de qualquer reacção. O seu corpo magro estava pronto para qualquer palavra repentina, qualquer grito ou murro no tampo da mesa. Sabia que as ondas do tampo grosso da mesa, madeira maciça, anos de invernos gelados, anos de verões braseiros, mas muitas vezes parecia-lhe que também podiam ter sido feitas por murros na mesa: trovões com a parte de baixo da mão fechada. Antes, em novo, eram murros fortes, tinham mais violência de carne; depois em velho, batia devagar, mas com mais ódio, raiva decantada».

publicado por julmar às 16:30
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10 razões de orgulho na minha carreira profissional

1. Participação na instauração da Primeira Comissão de Gestão Democrática do país em Vale de Cambra ( A seguir ao 25 de Abril de 1974) 2. Ter organizado eventos Educativos, Científicos e Pedagógicos 2.1 Jornadas Científico-Pedagógicas sobre Deficiência Auditiva e respetivas atas (Vale de Cambra, 1985) 2.2 Jornadas Científico-Pedagógicas dobre Disfunções Cerebrais e respetivas atas (vale de Cambra,1986) 2.3 Jornadas Pedagógicas – Educação XXI – Uma Aposta na Qualidade e respetivas atas (Vila Nova de Gaia - 2000). 3. Ter sido pontual e assíduo. Nunca ter recorrido a Atestado Médico; quanto aos dias de faltas os dois dedos das mãos sobram para as contar.4. Ter colaborado na lei que implementou uma quota de entradas no Ensino Superior para alunos portadores de deficiência física ou sensorial 5. Ter diversidade de experiências ao nível do ensino 5.1 níveis de ensino - 2º ciclo, 3º ciclo, secundário e Ensino Superior 5.2 Matérias lecionadas – Português, História, Filosofia, Integração, Psicologia, Sociologia, Antropologia, História da Cultura Portuguesa 5.3 Ensino Público, Ensino Privado, Ensino Cooperativo 5.4 Ensino Especial (1982-1989) 6. Funções Exercidas 6.1 Professor, coordenador de grupo, diretor de turma 6.2 Direção da Escola ( vogal e assessor) 6.3 Assessor do Centro de Formação de Professores; 6.4 Diretor do Centro de Formação de Professores 6.5 Coordenador do CNO 6.6 Formador de Professores - CCPFC 7. Criação do Centro de Novas Oportunidades da ESOD 8. Ter feito um trabalho – Ensinar, Aprender e Investigar - para acesso ao 8º Escalão, ter prestado provas, ter uma classificação de MUITO BOM 9. A qualidade do ensino ministrada, bons resultados, nomeadamente em exames e a boa relação com os alunos. 10. Redação do Pojeto Educativo da ESOD que vigora ainda. (Lá estão os referenciais, a citação de Coménio e de Séneca…)........................................................................ Vida Cívica e Cultural 1. Fundador da Associação Cultural e Recreativa de Vilar Maior - 1970 2. Publicação da obra de caráter histórico e etnográfico Vilar Maior, minha terra, minha gente – 1997 3. Blogs 3.1 Badameco http://badameco.blogs.sapo.pt/ - 3.2 Blog VilarMaior1 http://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/ 4. Promotor e organizador da feira franca anual , a caminhar para a 4ª edição:- Feira de Talentos 5. Amasso, tendo e cozo em forno de lenha um pão de excelência

publicado por julmar às 16:00
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Homenagem aos professores aposentados de Vila Nova de Gaia

«Não fique triste quando ninguém notar o que fez de bom. Afinal, o sol faz um enorme espetáculo ao nascer, e mesmo assim, a maioria de nós continua dormindo». Charles Chaplin Parte 1 Durante vários anos o Presidente da Câmara Luís Filipe Menezes reunia todos os professores do 1º Ciclo do concelho, a que se juntavam os Conselhos Diretivos das Escolas Básicas e Secundárias e outros convidados que, somando todos, ultrapassava a ordem das centenas. O objetivo explícito era reconhecer todos os professores do 1º ciclo que, no ano, se haviam aposentado. Para o efeito se contratava um restaurante com a suficiente dimensão de acolhimento e serviço de jantar com a adequada dignidade que o ato requeria. Havia animação musical. Da última vez esteve a cargo de José Cid. E havia o discurso do Presidente da Câmara de elogio aos homenageados e a excelência do trabalho desenvolvido no Município de Gaia. E, claro, a distribuição do louvor aos homenageados. Naturalmente, havia os que criticavam o excesso de despesa, o culto narcísico do presidente e a conquista de votos. Parte 2 «A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia decidiu homenagear, esta quinta-feira (9 de Outubro), um conjunto de professores aposentados do concelho, numa cerimónia que decorrerá a partir das 21h30 no Auditório Municipal. Com esta iniciativa, a autarquia pretende prestar homenagem a docentes aposentados do pré-escolar ao 3.º ciclo de ensino que se tenham distinguido ao longo da sua carreira. Os 55 antigos professores foram indicados pelos diferentes agrupamentos escolares do município. A cerimónia contará com a presença do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e ficará também marcada por um momento musical interpretado pelo Estúdio de Ópera do Conservatório Superior de Música de Gaia.» A cerimónia decorreu de acordo com a divulgação feita. Para além de todas as diferenças na circunstancialidade (e são grandes), há uma diferença que é crítica: No primeiro caso considera-se que todos são dignos de reconhecimento e, por isso, todos devem ser homenageados. No segundo caso que apenas alguns são dignos de reconhecimento ou que, pelo menos, uns são mais dignos de reconhecimento que outros. No segundo caso o maior problema que se coloca é como avaliar os “que se tenham distinguido ao longo da sua carreira” A Câmara dirá que nada tem a ver com o assunto, que a escolha é dos agrupamentos. E nos agrupamentos, se estiver errado que me corrijam, não houve estabelecimento de critérios. A coisa é feita na base de simpatias e/ou a olhómetro. Gostaria de ver – uma simples página A4 – os feitos que distinguiram cada um ao longo da sua carreira.

publicado por julmar às 11:45
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

O rio Coa - aprendendo com os antigos

 

«O rio Coa, chamado dos antigos Cuda, como se vê na ponte de Alcantara é um dos grandes e afamados que há em Lusitânia. Nace perto da villa de Alfayates, mete-se no Douro junto de Villa Nova de Fozcoa: he rio de muita copia de peixe, como são barbos, bogas e bordalos, e outros modos de pescaria. A cor de suas águas é pouco clara, tirando a verde escuro: he de malíssima digestão e muito pesada, causa tristeza e dores de barriga, e de cabeça, engrossa o entendimento, e para mulheres fermosas he de muito pouco proveito, porque lhe dana o carão notavelmente, só tem virtude para tingir lãs e caldear o ferro, que neste particular é excelente»

In Monarquia Lusitana, Parte V, Francisco Brandão

publicado por julmar às 18:54
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

...


Há quantos anos? Há vinte? Há trinta? 

Já tinha começado a emigração, já havia tratores  mas ainda se arranjava um rancho de vindimadores. O tempo do carro das vacas com a dorna em cima já tinha dado o lugar ao trator e aos bidons. 

As vindimas era um tempo de muita alegria, trabalhava-se de graça com comida abundante, enchia-se a barriga de gatchos e bebia-se o mosto. De recordação tenho um arroz de tomate com bols de bacalhau ao cimo da vila. enquanto comíamos o meu pai tentava, com uma bola de cêbo de porco, vedar a dorna que teimava em deixar escapar o sumo da uva. 
publicado por julmar às 11:55
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