Vivo no concelho de Vila Nova de Gaia e, eleições à porta, tenho a felicidade de não ter dificuldade na escolha que vou fazer no próximo domingo. Conheço o Eduardo Vítor Rodrigues, há muitos anos, era ele aluno na escola onde eu era professor, conheço o trabalho dedicado que durante anos teve como presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, conheço o Vítor como professor, como formador de professores. Conheço a obra escrita do Vítor. E em tudo o que conheço há autenticidade, procura de verdade, há explicação que baseada em teoria é alicerçada numa realidade de pessoas concretas da rua Y e do bairro X. Sim, quando escreve de Solidariedade Social ou de Exclusão Social, o Vítor sabe o que está a dizer. Eu sei isso. Por isso, o seu discurso é diferente. É um político diferente que não precisa de fazer promessas vãs. E nós precisamos de políticos sérios como de pão para a boca.
Porque lhe assenta o poema de Sofia de Melo Breyner Andersen:
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner AndresenVemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
(Sofia de Melo Breyner Andresen)
Vemos, ouvimos e lemos
Promessas, promessas
Na feira, na rua e no fim da missa
Num ar de cheiro a porco e a chouriça
Gente que diz e desdiz
sem honra e sem vergonha
Querem curvar a cerviz
Da gente que com liberdade sonha
Por isso, em dia de eleições
Hão-de levar um grande manguito
Da trapalhada e confusão
Que puseram o povo aflito.
Vamos dar ao Amorim
Uma grande lição
Dizendo ao Vitor SIM
Dizendo ao Abreu NÃO
Se nenhum governo até hoje, mentiu tanto como o de Passos Coelho - mentiu Passos Coelho quando prometeu uma coisa e fez outra, mentiu o ex- ministro das Finanças quando afirmou categoricamente que em 23 de Setembro regressaríamos aos Mercados, mentiu a atual ministra das Finanças quando disse que nada tinha a ver com Swaps, mentiu Paulo Portas quando disse ser irrevogável a sua saída do Governo, mentiu Rui Machete quando disse nunca ter sido acionista do BPN - teremos de louvar Nuno Crato por, em tempos de comentador, ter dito que se um dia fosse ministro da Educação implodiria o dito ministério. Apenas mudou de método pois em vez de ser implosão, que seria uma derrocada violenta e instantânea, optou por um método gradualista, um passo de cada vez: acaba-se com As Novas Oportunidades, acaba-se com o Plano Tecnológico, acaba-se com a Formação de Professores, acaba-se com o ensino de Adultos, diminui-se o número de professores (cortam-se disciplinas e apoios, aumenta-se o horário dos professores, fazem agrupamentos, fecham-se escolas, misturam-se níveis de ensino na mesma sala, aumenta-se o número de alunos por turma), fazem-se cortes nos orçamentos, acaba-se com o Inglês como oferta obrigatória aos alunos do 1º ciclo, oferecem- se condições melhores ou exclusivas ao ensino privado ... até chegarmos ao cheque ensino.
Ontem, num telejornal, disse que não disse o que dizem que ele disse acerca das AEC, num jogo de palavras a tentar enganar papalvos num discurso miserável ( a simplicidade e a clareza é atributo de matemáticos de que não recebeu a parte devida). Ficámos a saber que tinha ideias muito esclarecidas sobre as AEC e o ensino: 1) ia seguir um médodo gradualista; 2) iam mandar fazer um estudo sobre o assunto. Não percebeu? Pois, o ministro também não.
Morreu Ramos Rosa. Morte sem retorno. Entristecer é morrer um pouco como aconteceu ao meu amigo no mês de Setembro sem gritos, sem ódios, sem gumes ... apenas porque aurora indecisa assim ficou.
Não Posso Adiar o Amor
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o rneu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

Este governo é uma anedota e o ministro Crato é uma piada sem graça. Na educação eles destroem tudo e não deixam nada. Cortam a torto e a direito, às cegas: Acabaram com as Novas Oportunidades, acabaram com o Plano Tecnológico da Educação (o Magalhães deixou de servir os alunos portugueses e passou a ser vendido por Paulo Portas a países da América Latina), acabaram com a avaliação de professores, acabaram com a formação de professores, acabaram com o ensino de adultos, acabaram com a obrigatoriedade de a escola ter oferta de Inglês no 1º ciclo, em nome da liberdade dos pais e da autonomia das escolas. Em nome da liberdade sufocam a escola pública que, sem meios, há-de produzir cada vez piores resultados, tão maus que hão-de fabricar o argumento que o Ensino Privado é melhor e, por isso, não faz sentido a escola pública.
Dizia, frequentemente, José Sócrates quando era acusado de despesismo na educação, nomeadamente no parque da Escola Pública «se acham que a educação fica cara, experimentem a ignorância». Estranho, ou talvez não, é que foi esse exatamente que maior contestação sofreu por parte dos professores e dos seus sindicatos. A história há-de repor as coisas no seu devido lugar. Os bons resultados, avaliados por instituições internacionais, começam a regredir. Os maus ou péssimos resultados dos exames dos vários níveis de ensino deste ano são já o produto da política de Nuno Crato que com as condições criadas às escolas e aos professores só podem piorar.
Para um país pequeno e periférico como o nosso a prendizagem de línguas estrangeiras, com o o inglês à cabeça, é fundamental para a economia do país, é fundamental para os cidadãos que, em crise ou sem crise, sempre hão-de procurar trabalho junto de outras terras e outras gentes. Um governo que tem o desplante de mandar os seus cidadãos emigrarem deveria procurar, ao menos, dar-lhe ferramentas para poderem serem bem sucedidos.
Um governo para quem a qualificação é sinónimo de desemprego e reduz toda a política a uma questão de tesouraria significa um regresso ao tempo do Estado Novo que de uma maneira pouco ilustrada reduz a educação dos seus cidadãos ao saber ler, escrever e contar, mesmo que dispensando a componente ideológica (que hoje os meios são outros)da «escola como oficina de almas».
Uma parte do país anda entretido. Outra parte dorme. Quando acordar vai ter um enorme pesadelo.
Parafraseando Zeca Afonso
Quando o país em que tu vives cheira a merda
O que faz falta?
Se abrisse todos os mails que alguns dos meus amigos têm a amabilidade de me enviar ficaria exausto de riso, umas vezes, de indignação, outras e sem tempo para mais que não fosse indignação e riso. Eu que já me divertia bastante a olhar para os cartazes que, de rompante, começaram a enxamear ruas, largos e praças, em tamanhos, feitios e cores para todos os (maus) gostos, abri hoje um mail que me remetia para os Tesourinhos Autárquicos https://www.facebook.com/escrutinarasautarquicas2013
e, um após outro, não resisti a ver umas boas dezenas de cartazes e concluí que a vida deve estar difícil para o Ricardo Araújo Pereira e para todos os que professaram fazer das suas vidas fazer rir os outros. Muitas vezes é o contexto que torna o cartaz risível. Numa das candidaturas de Rui Rio ao Porto havia um grande outdoor do candidato na margem do Douro, ao Fluvial, precisamente sobre o local onde desaguava uma enorme conduta de esgotos, cujo texto declarava: ESTE RIO NÃO PARA DE CORRER. Mas todos sabemos ou devíamos saber como o contexto é importante na (des)valorização, deturpação da mensagem. O que é que lhe desperta a atenção, sem recurso a interpretações freudianas?
Noutros casos são os nomes dos das freguesias em que a infelicidade de uma qualquer frase espreita, seja Pêga, Mamarrosa, Manigoto ou Coina
Outras vezes é a generosidade em excesso que não bate com a ortografia ou a sintaxe
Outras poderá ser a provocação gratuita ou simples estupidez
Depois há as promessas para vivos e para defuntos
Há, ainda, as seduções grosseiras do consigo e do comigo. E as caras que fazem ou que têm senhores!
Poderia, hoje, Camões dizer:« Esta é a pátria ditosa minha amada»?
Tenho sentimentos escondidos na boca que chora, carente de uma lágrima de Outono que despe o corpo da folha.
Este cinza que os dedos transportam para a folha pálida de papel carregam nas sombras o desiludido de um olhar e, queda-se lentamente sobre o precipício do corpo afogado agora nas ruas virgens onde moram os sossegos imitando as mãos surdas de um grito das palavras.
Tenho um abraço pendurado no roupeiro do quarto da alma e um beijo a decorar o espelho para onde os olhos se entornam pálidos.
Não imagino o que seria do mundo sem boca para gritar...
Lá atrás, no jardim dos sonhos, morre todos os dias uma sombra do meu passado, o tempo ocupa-se de repousar sem aviso na roseira vermelha onde o beijo há-de nascer.
Tenho os ouvidos mergulhados no céu e as mãos a nadar os segundos do tempo…
O corpo é sombra levianamente deitada sobre a estátua de pedra de uma musa, silêncio…
Abraçado ao nu pálido das virgens, assustado, sou a cidade em cinzas, o corpo mutilado, agora que a ilusão embarca na boca de mar o sal das lágrimas que me gritam a existência !
Tenho sentimentos escondidos na boca escura, o pêndulo do tempo magoa os olhos gastos, sou a folha de papel que bebe das palavras procurando nomes…
Tenho um beijo assustado nos labirintos do corpo, palavras a mais no verso, e boca carente de um beijo que logo se ausenta e adormece.
Tenho a viagem pendurada nas paredes do quarto abraçada ao roupeiro onde repousa a alma.
Tenho sentimentos que me procuram saudosos débilmente inclinados sobre a boca que chora, sobre a folha de papel onde se contemplam as palavras que nao foram ditas.
Tenho saudade!
Paulo Themudo
A Câmara do Sabugal vai proceder à musealização e ao restauro das ruínas de edifícios encontrados no interior do castelo de Vilar Maior durante a realização de escavações arqueológicas, disse hoje à agência Lusa fonte da autarquia.
O projeto, "pioneiro nos castelos da região", será executado, em outubro, "após a conclusão de trabalhos de iluminação e de melhoria do acesso ao castelo", que terminam em finais de setembro, segundo Marcos Osório, responsável pelo Gabinete Municipal de Arqueologia do Sabugal.
A Câmara Municipal do Sabugal, "em vez de dar nova utilização ao espaço interior" do castelo de Vilar Maior, "optou por manter e reconstituir o que existia, tal e qual o primitivo urbanismo e o antigo uso do recinto fortificado", explicou.
Comentário:
Farão tudo o que quiserem e decidirem, como se fosse deles, sendo que eles são os políticos e os especialistas. A voz do povo fala, apenas, de quatro em quatro anos.
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