Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

Porque voto em Vitor Rodrigues - Júlio Marques

Vivo no concelho de Vila Nova de Gaia e, eleições à porta, tenho a felicidade de não ter dificuldade na escolha que vou fazer no próximo domingo. Conheço o Eduardo Vítor Rodrigues, há muitos anos, era ele aluno na escola onde eu era professor, conheço o trabalho dedicado que durante anos teve como presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, conheço o Vítor como professor, como formador de professores. Conheço a obra escrita do Vítor. E em tudo o que conheço há autenticidade, procura de verdade, há explicação que baseada em teoria é alicerçada numa realidade de pessoas concretas da rua Y e do bairro X. Sim, quando escreve de Solidariedade Social ou de Exclusão Social, o Vítor sabe o que está a dizer. Eu sei isso. Por isso, o seu discurso é diferente. É um político diferente que não precisa de fazer promessas vãs. E nós precisamos de políticos sérios como de pão para a boca.

Porque lhe assenta o poema de Sofia de Melo Breyner Andersen:

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

                      Sophia de Mello Breyner Andresen
publicado por julmar às 18:37
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Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013

Em dia de Eleições, não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos

Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

(Sofia de Melo Breyner Andresen)

Vemos, ouvimos e lemos
Promessas, promessas
Na feira, na rua e no fim da missa
Num ar de cheiro a porco e a chouriça

Gente que diz e desdiz
sem honra e sem vergonha
Querem curvar a cerviz

Da gente que com liberdade sonha

Por isso, em dia de eleições

Hão-de levar um grande manguito

Da trapalhada e confusão

Que puseram o povo aflito.

Vamos dar ao Amorim

Uma grande lição

Dizendo ao Vitor SIM

Dizendo ao Abreu NÃO

publicado por julmar às 15:58
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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

Nuno Crato - O exterminador

Se nenhum governo até hoje, mentiu tanto como o de Passos Coelho - mentiu Passos Coelho quando prometeu uma coisa e fez outra, mentiu o ex- ministro das Finanças quando afirmou categoricamente que em 23 de Setembro regressaríamos aos Mercados, mentiu a atual ministra das Finanças quando disse que nada tinha a ver com Swaps, mentiu Paulo Portas quando disse ser irrevogável a sua saída do Governo, mentiu Rui Machete quando disse nunca ter sido acionista do BPN - teremos de louvar Nuno Crato por, em tempos de comentador, ter dito que se um dia fosse ministro da Educação implodiria o dito ministério. Apenas mudou de método pois em vez de ser implosão, que seria uma derrocada violenta e instantânea, optou por um método gradualista, um passo de cada vez: acaba-se com As Novas Oportunidades, acaba-se com o Plano Tecnológico, acaba-se com a Formação de Professores, acaba-se com o ensino de Adultos, diminui-se o número de professores (cortam-se disciplinas e apoios, aumenta-se o horário dos professores, fazem agrupamentos, fecham-se escolas, misturam-se níveis de ensino na mesma sala, aumenta-se o número de alunos por turma), fazem-se cortes nos orçamentos, acaba-se com o Inglês como oferta obrigatória aos alunos do 1º ciclo, oferecem- se condições melhores ou exclusivas ao ensino privado ... até chegarmos ao cheque ensino. 

Ontem, num telejornal, disse que não disse o que dizem que ele disse acerca das AEC, num jogo de palavras a tentar enganar papalvos num discurso miserável ( a simplicidade e a clareza é atributo de matemáticos de que não recebeu a parte devida). Ficámos a saber que tinha ideias muito esclarecidas sobre as AEC e o ensino: 1) ia seguir um médodo gradualista; 2) iam mandar fazer um estudo sobre o assunto. Não percebeu? Pois, o ministro também não.

publicado por julmar às 19:10
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013

Afonso Leonardo - A um amigo que entristeceu

Morreu Ramos Rosa. Morte sem retorno. Entristecer é morrer um pouco como aconteceu ao meu amigo no mês de Setembro sem gritos, sem ódios, sem gumes ... apenas porque aurora indecisa assim ficou.  

 

Não Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século 
não posso 
ainda que o grito sufoque na garganta 
ainda que o ódio estale e crepite e arda 
sob montanhas cinzentas 
e montanhas cinzentas 

Não posso adiar este abraço 
que é uma arma de dois gumes 
amor e ódio 

Não posso adiar 
ainda que a noite pese séculos sobre as costas 
e a aurora indecisa demore 
não posso adiar para outro século a minha vida 
nem o rneu amor 
nem o meu grito de libertação 

Não posso adiar o coração 

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

publicado por julmar às 19:07
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

Este governo é uma anedota

Gabinete de Nuno Crato lembra que o Inglês não era de oferta obrigatória no 2.º e 3.º ciclos do ensino básico

Este governo é uma anedota e o ministro Crato é uma piada sem graça. Na educação eles destroem tudo e não deixam nada. Cortam a torto e a direito, às cegas: Acabaram com as Novas Oportunidades, acabaram com o Plano Tecnológico da Educação (o Magalhães deixou de servir os alunos portugueses e passou a ser vendido por Paulo Portas a países da América Latina), acabaram com a avaliação de professores, acabaram com a formação de professores, acabaram com o ensino de adultos, acabaram com a obrigatoriedade de a escola ter oferta de Inglês no 1º ciclo, em nome da liberdade dos pais e da autonomia das escolas. Em nome da liberdade sufocam a escola pública que, sem meios, há-de produzir cada vez piores resultados, tão maus que hão-de fabricar o argumento que o Ensino Privado é melhor e, por isso, não faz sentido a escola pública. 

Dizia, frequentemente, José Sócrates quando era acusado de despesismo na educação, nomeadamente no parque da Escola Pública «se acham que a educação fica cara, experimentem a ignorância». Estranho, ou talvez não, é que foi esse exatamente que maior contestação sofreu por parte dos professores e dos seus sindicatos. A história há-de repor as coisas no seu devido lugar. Os bons resultados, avaliados por instituições internacionais, começam a regredir. Os maus ou péssimos resultados dos exames dos vários níveis de ensino deste ano são já o produto da política de Nuno Crato que com as condições criadas às escolas e aos professores só podem piorar.

Para um país pequeno e periférico como o nosso a prendizagem de línguas estrangeiras, com o o inglês à cabeça, é fundamental para a economia do país, é fundamental para os cidadãos que, em crise ou sem crise, sempre hão-de procurar trabalho junto de outras terras e outras gentes. Um governo que tem o desplante de mandar os seus cidadãos emigrarem deveria procurar, ao menos, dar-lhe ferramentas para poderem serem bem sucedidos.

Um governo para quem a qualificação é sinónimo de desemprego e reduz toda a política a uma questão de tesouraria significa um regresso ao tempo do Estado Novo que de uma maneira pouco ilustrada reduz a educação dos seus cidadãos ao saber ler, escrever e contar, mesmo que dispensando a componente ideológica (que hoje os meios são outros)da «escola como oficina de almas».

Uma parte do país anda entretido. Outra parte dorme. Quando acordar vai ter um enorme pesadelo.

 

publicado por julmar às 10:40
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013

Retrato de um País em Campanha Eleitoral

Parafraseando Zeca Afonso

Quando o país em que tu vives cheira a merda

O que faz falta?

Se abrisse todos os mails que alguns dos meus amigos têm a amabilidade de me enviar ficaria exausto de riso, umas vezes, de indignação, outras e sem tempo para mais que não fosse indignação e riso. Eu que já me divertia bastante a olhar para os cartazes que, de rompante, começaram a enxamear ruas, largos e praças, em tamanhos, feitios e cores para todos os (maus) gostos, abri hoje um mail que me remetia para os Tesourinhos Autárquicos https://www.facebook.com/escrutinarasautarquicas2013

e, um após outro, não resisti a ver umas boas dezenas de cartazes e concluí que a vida deve estar difícil para o Ricardo Araújo Pereira e para todos os que professaram fazer das suas vidas fazer rir os outros.  Muitas vezes é o contexto que torna o cartaz risível. Numa das candidaturas de Rui Rio ao Porto havia um grande outdoor do candidato na margem do Douro, ao Fluvial, precisamente sobre o local onde desaguava uma enorme conduta de esgotos, cujo texto declarava: ESTE RIO NÃO PARA DE CORRER. Mas todos sabemos ou devíamos saber como o contexto é importante na (des)valorização, deturpação da mensagem. O que é que lhe desperta a atenção, sem recurso a interpretações freudianas?

 

Noutros casos são os nomes dos das freguesias em que a infelicidade de uma qualquer frase espreita, seja Pêga, Mamarrosa, Manigoto ou Coina

Outras vezes é a generosidade em excesso que não bate com a ortografia ou a sintaxe

 

Outras poderá ser a provocação gratuita ou simples estupidez

Depois há as promessas para vivos e para defuntos

ou

Há, ainda, as seduções grosseiras do consigo e do comigo. E as caras que fazem ou que têm senhores!

Poderia, hoje, Camões dizer:« Esta é a pátria ditosa minha amada»?

publicado por julmar às 18:39
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Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Recordar o nosso primeiro dia de escola

«No velho casarão do convento é que era a aula. Aula de primeiras letras. A porta lá estava, amarela, com fortes pinceladas vermelhas, ao cimo da grande escadaria de pedra, tão suave que era um regalo subi-la. Obra de frades,  os senhores calculam... Já tinha principiado a aula quando a Helena entrou comigo pela mão. Fez-se um silêncio nas bancadas, onde os rapazes mastigavam as suas lições e a sua tabuada, num ritmo cadenciado e monótono, cantarolando. E ouviu-se então a voz da Helena dizer para o senhor professor, um de óculos e cara rapada, falripas brancas por baixo do lenço vermelho, atado em nó sobre a testa.



– Muito bons-dias. Lá de casa mandam dizer que aqui está a encomendinha.

Oh! Oh! A encomendinha era eu, que ia pela primeira vez à escola. Ali estava a encomendinha!

– Está bem, que fica entregue. E lá em casa como vão?

 E enquanto o velho professor me tomava sobre os joelhos, a Helena enfiava-me no braço o cordão da saquinha vermelha, com borlas, onde ia metido nem eu sabia o quê. Meu pai é que lá sabia... E ali estava eu entre os joelhos do senhor professor, com o boné numa das mãos e a saquinha vermelha na outra, muito comprometido. A Helena, que sorria contrafeita, baixou-se para me dar um beijo, e disse-me adeus.

(...)

Trindade Coelho in Os Meus Amores

para ler o texto na íntegra- https://docs.google.com/file/d/0BzbqtuE3c_8WbnI5ZkcxZ2xmWmc/edit

publicado por julmar às 11:33
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“Tenho saudade!” - Paulo Themudo

Tenho sentimentos escondidos na boca que chora, carente de uma lágrima de Outono que despe o corpo da folha.
Este cinza que os dedos transportam para a folha pálida de papel carregam nas sombras o desiludido de um olhar e, queda-se lentamente sobre o precipício do corpo afogado agora nas ruas virgens onde moram os sossegos imitando as mãos surdas de um grito das palavras.
Tenho um abraço pendurado no roupeiro do quarto da alma e um beijo a decorar o espelho para onde os olhos se entornam pálidos.
Não imagino o que seria do mundo sem boca para gritar...
Lá atrás, no jardim dos sonhos, morre todos os dias uma sombra do meu passado, o tempo ocupa-se de repousar sem aviso na roseira vermelha onde o beijo há-de nascer.
Tenho os ouvidos mergulhados no céu e as mãos a nadar os segundos do tempo…
O corpo é sombra levianamente deitada sobre a estátua de pedra de uma musa, silêncio… 
Abraçado ao nu pálido das virgens, assustado, sou a cidade em cinzas, o corpo mutilado, agora que a ilusão embarca na boca de mar o sal das lágrimas que me gritam a existência !
Tenho sentimentos escondidos na boca escura, o pêndulo do tempo magoa os olhos gastos, sou a folha de papel que bebe das palavras procurando nomes…
Tenho um beijo assustado nos labirintos do corpo, palavras a mais no verso, e boca carente de um beijo que logo se ausenta e adormece.
Tenho a viagem pendurada nas paredes do quarto abraçada ao roupeiro onde repousa a alma.
Tenho sentimentos que me procuram saudosos débilmente inclinados sobre a boca que chora, sobre a folha de papel onde se contemplam as palavras que nao foram ditas.
Tenho saudade!

Paulo Themudo

publicado por julmar às 10:50
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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2013

Respeito pelos mortos - Avintes


Não há coincidências. Tudo muito bem medido, tudo muito bem calculado. Primeiro o lançamento da primeira pedra com autoridades civis, não sei se havia religiosas e militares como exige o significado do monumento. Depois, durante muitos largos meses, o outdoor da obra que haveria de nascer. Nos princípios de Setembro, surge a obra, alcatifa-se de relva a frente, colocam-se os ciprestes atrás. Bem à frente, preparada a pedra que suportará a epígrafe.

Não sei quando, mas neste mês de Setembro, antes das eleições haverá ajuntamento, com pompa e circunstância, para proceder à inauguração. O sono de quem caiu em combate pela Pátria não merecia ser interrompido assim.
publicado por julmar às 17:28
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Câmara do Sabugal restaura ruínas encontradas no castelo de Vilar Maior


Vista aérea do castelo (Foto decida por Marcos Santos)
As escavações mostrando construções antigas (Foto cedida por Marcos Santos)

O projeto, "pioneiro nos castelos da região", será executado, em outubro, "após a conclusão de trabalhos de iluminação e de melhoria do acesso ao castelo", que terminam em finais de setembro, segundo Marcos Osório, responsável pelo Gabinete Municipal de Arqueologia do Sabugal.

A Câmara Municipal do Sabugal, "em vez de dar nova utilização ao espaço interior" do castelo de Vilar Maior, "optou por manter e reconstituir o que existia, tal e qual o primitivo urbanismo e o antigo uso do recinto fortificado", explicou.

Comentário:

Farão tudo o que quiserem e decidirem, como se fosse deles, sendo que eles são os políticos e os especialistas. A voz do povo fala, apenas, de quatro em quatro anos.

publicado por julmar às 16:04
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Domingo, 8 de Setembro de 2013

Arte na natureza


Num tempo dividido entre leitura, escrita ... um pouco de tempo para a jardinagem e agricultura. Orgulhoso com esta produção! 
publicado por julmar às 21:36
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