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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

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As anotações de Júlio Marques.

Elogio da Teoria - Hans-Georg Gadamer

julmar, 31.08.12

Começava a ter necessidade de uma leitura filosófica. No caso, trata-se de um conjunto de conferências que de denominador comum têm uma hermeneutica dos textos que nos procuram dar a realidade nos seus múltiplos aspectos. Leitura difícil mas de interesse.

«Teoria inclui e é, em primeiro lugar, parece-me, distância relativamente a si próprio. Platão, numa utopia grandiosa, mostrou que os guardiões, quer dizer, os que exercem o poder sobre o poder e, desse modo, detêm o verdadeiro poder, só estarão na situação de resistir à lei do poder quepermanentemente se estende e se intensifica, se existir algo que façam com mais gosto. Tal é a ideia da vida teórica entre os gregos, que não tenho por ultrapassada e que só por uma excessiva acentuação da prática foi desalojada da nossa consciência reflexiva.

É ela uma possibilidade fundamental, intimamente ligada a outra organização do poder sobre os homens, a que chamamos Estado e política orientada para fins racionais. Quero significar aquilo que já Aristóteles formulou com plena inocência e verdade; todos os homens anseiam por natureza ao saber. A curiosidade da criança, do adolescente, a crítica interveniente, a experiência que se vai acumulando, a crescente orientação, a lenta orientação do homem no mundo instituído que o rodeia, a participaçãoo na comunicação linguística de todos com todos, tudo isso desemboca no caminho da cultura. A cultura não é um privilégio de dterminadas classes, também não é um privilégio de talentos particularmente distintos; pelo contrário, como disse Hegel, é a capacidade de poder pensar também os pontos de vista de outrem: a cracterística da pessoa culta é estar ciente da particularidade das suas próprias experiências e compreender o perigo de generalizção que se segue de tal particularidade» pg 67

Em Trier, na terra natal de K. Marx

julmar, 28.08.12

Ir a Trier e não visitar a casa de Marx é mais grave do que ir a Roma e não ver o Papa, pela razão que nenhum papa teve a importância de Marx. Além do mais, era uma dívida para um dos meus maiores mestres. Terá contemplado a imagem da cúpula da Catedral da sua terra, ele que afirmou: «A religião é o ópo do povo»

A catedral de Metz

julmar, 23.08.12

Disse, em post anterior, que cada nova catedral que vejo me enche da pasmo e admiração. Da de Burgos disse que tinha trinta metros de altura. Que dizer da catderal de Metz com quarenta e um metros de altura! Que dizer de seis mil e quinhentos metros quadrados de vitrais que contam vidas e histórias! Obviamente não se trata apenas de dimensões descomunais mas de equilíbrio, elegância, técnica, de arte, de história.

A Catedral de Burgos

julmar, 20.08.12

Houve um tempo que as minhas aulas começavam com um poema, um ritual profano. Com alguma frequência a poesia fazia incursões aula adentro. Porque a maior parte dos alunos não sabia um único poema de cor, dava-lhes tempo até todos de cor saberem este curto poema de António Gedeão:

A catedral de Burgos tem trinta metros de altura

E a menina dos meus olhos três milímetros de abertuta

Olha a catedral de Burgos com trinta metros de altura!

As catedrais, cada uma à sua maneira, causam-me espanto e admiração. Desta vez foi a catedral de Burgos que me andava há muitos anos na cabeça por causa do poema de Gedeão.

Eu, Kant e o Céu Estrelado

julmar, 09.08.12

A maior parte das pessoas não tem hoje experiência da contemplação do firmamento. A electridade veio alterar de muitas formas a relação do homem com a natureza. Recordo vagamente a minha primeira experiência da comtemplação do firmamento pelos seis anos, sozinho na margem esquerda da ribeira de Alfaiates. Surpreendi-me a olhar o céu e a interrogar-me sobre as estrelas. Impossível agora saber as perguntas que me pus e os sentimentos que vivi. Ma sfoi um momento marcante e nunca mais parei de me interrogar e de ler sobre o assunto.

Hoje levantei-me tão cedo que surpreendi esse mesmo céu estrelado e que,  à medida que caminhava, em direção ao nascente, ia perdendo estrelas. Ao olhar o horizonte fiquei surpreendido com o ponteado de estrelas vermelhas que à medida que clareva percebi tratar-se de luzes sinalizando as pás das eólicas. Por fim, restou o Planeta Vénus, a que no meu tempo de infante chmávamos de Estrela do Pastor ou Estrela da Manhã. Isso me levou ao Planeta Marte e ao grande feito recente da amartagem do Curiosity Rover.

Assim, sai reforçada a minha comunhão com Kant da admiração e veneração do céu estrelado sobre mim e da lei moral em mim.

O célebre início da Conclusão da Crítica da razão prática(1788):

“Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre novas e crescentes, quanto mais frequentemente e com maior assiduidade delas se ocupa a reflexão: O céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim. Não as hei-de procurar e simplesmente presumir a ambas como envoltas em obscuridades ou no transcendente, fora do meu horizonte; vejo-as perante mim e religo-as imediatamente com a consciência da minha existência. A primeira começa no lugar que eu ocupo no mundo exterior dos sentidos e estende a conexão em que me encontro até ao imensamente grande, com mundos sobre mundos e sistemas sobre sistemas, nos tempos ilimitados do seu periódico movimento, do seu começo e da sua duração. A segunda começa no meu invisível eu, na minha personalidade e expõe-me num mundo que tem a verdadeira infinidade, mas que só se revela ao entendimento, e com o qual (e assim também com todos esses mundos visíveis) me reconheço numa conexão não simplesmente contingente, como além, mas universal e necessária. O primeiro espetáculo de uma inumerável multidão de mundos aniquila, por assim dizer, a minha importância como criatura animal que deve restituir ao planeta (um simples ponto no universo) a matéria de que era feita, depois de, por um breve tempo (não se sabe como) ter sido provida de força vital. O segundo, pelo contrário, eleva infinitamente o meu valor como inteligência por meio da minha personalidade, na qual a lei moral me descobre uma vida independente da animalidade e mesmo de todo o mundo sensível, pelo menos, tanto que se pode inferir da destinação conforme a um fim da minha existência por essa lei, que não se restringe a condições e limites desta vida, mas se estende até ao infinito.”

Champigny, anos sessenta

julmar, 08.08.12
fotografia colhida no Facebook, (colocada por Olívia Dias?)
Da esquerda para a direita: Raúl Araújo, João Marques, Fernando Cerdeira, José Santos
Bela foto. Não pelo seu valor estético ou valia técnica. Pela memória a que nos reporta de pessoas queridas que apostava tiraram a fotografia num domingo depois da missa. Lá bem nos princípios dos anos sessenta para remediar as suas vidas, foram construir a Europa. No tempo em que a palavra França soava aos ouvidos como a terra onde corria o leite e o mel.