Do balanço das várias actividades uma delas diz respeito às leituras, sendo as mais importantes os livros. Importantes pelo tempo que se dispende, importantes pelo que neles aprendemos ou fruímos. Porque gosto de ler nunca tenho falta de companhia. Fico sempre com pena de não poder ler mais. Por norma, as pessoas que escrevem sabem muito e do que sabem procuram trazer-nos o melhor.
De alguns livros, fui dando notícia ao longo do ano. Um ou outro são releituras, como o «Fernão Capelo Gaivota» ou o «Memorial do Convento», sendo que é a primeira vez que releio um romance. Mas valeu a pena.
Os meus livros de 2011
IPlatão – Marc Vernon
A arte do inconformismo – Chris Guilebeau
Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach
A Alma do Líder - Deepack Chopra
Efeito Borboleta e outras histórias
Encantamento - Guy Kawasaki
O Futuro e os seus inimigos – Daniel Innerarity
O Memorial do Convento – Saramago
O Cisne Negro – Nassim Nicholas Taleb
Filosofia em Directo – Desidério Murcho
Drive – Daniel Pink
A Vida Privada na Idade Média
104 conselhos de Coaching
Previsivelmente irracionais – aprenda a tomar melhores decisões – Dan Ariely
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=yKk094xdJTw
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PRECE
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Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silencio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chamma, que a vida em nós creou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguel-a ainda.
Dá o sopro, a aragem- ou desgraça ou ancia-
Com que a chamma do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distancia-
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
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Na voz de Maria Betânia
http://www.youtube.com/watch?v=gWI1gs0dJYk
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
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Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
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Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
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Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Alberto Caeiro
(Pintura de Caravagio)
"Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos, a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem essa doutrina. Durante a viagem, estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?'. Saulo então diz: 'Quem és, Senhor?'. Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão'. Trêmulo e atônito, disse Saulo: 'Senhor, que queres que eu faça?' respondeu-lhe o Senhor: 'Levanta-te, entra na cidade, aí te será dito o que deves fazer'".
Cap. 9, Actos dos Apóstolos
Que terão de comum as conversões religiosas com as conversões políticas?
«Aplicando a filosofia dos antigos pensadores à vida no nosso século XXI,iPlatão é uma obra que mostra que,quer esteja entalhada na pedra ou gravada em formato MP3,a grande sabedoria é intemporal.Recordando as vidas extraordinárias dos antigos filósofos-desde um que dormia numa barrica até outro que nunca parava de rir-o conceituado escritor Mark Vernon mostra que,se quisermos resolver os problemas do presente,não existe melhor recurso do que o exemplo do passado»
Para os que andam cansados de ouvir comentadores de televisão e fartos de economia e economistas talvez tenha chegado a hora de ler um pouco de filosofia e se começarem por este livro vão ver que sabe bem.
Uma leitura leve sobre coisas pesadas.
Semelho cada livro a uma veiga, a um chão, ou a uma tapada, daquelas que o meu pai com uma junta de vacas, lavrava com um arado: rego, após rego em compasso cadenciado cobrindo sementes que com o tempo certo passado haviam de dar o fruto que sustentava os corpos. A leitura é um pouco assim: Linha após linha, folha atrás de folha até ao fim procurando o fruto de onde alimento o espírito.
“Em suma, tanto naquelas leituras se enfrascou, que as noites se lhe passavam a ler desde o sol-posto até à alvorada, e os dias desde o amanhecer até fim da tarde. E assim, do pouco dormir e do muito ler se lhe secou o cérebro, de maneira que chegou a perder o juízo”
In, D. Quixote de la Mancha
Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.
Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.
Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.
Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.
Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.
António Gedeão
Jardim das Delícias - Hieronymus Bosh
«O objectivo da vida hedonista é atingir um estado de gozo sem cuidados. Se procuras uma vida fácil, procuras também uma filosofia fácil. Defendes que esta deveria ter como objectivo a felicidade mas, ao contrário dos outros, reduzes o seu conceito de felicidade de modo que o seu conteúdo integral seria obter o prazer, sentir-se bem. A partir deste esquema, a virtude pouco teria a ver com a visão certa e não passaria de capacidade de te abandonares à sensualidade . Isso implica algum esforço. No entanto, substitui a luta pela sagacidade pelo imediatismo da satisfação. Destronas a vida sábia como objecto do filósofo e pões no seu lugar a pura satisfação. O Falstaff de Shakespeare acaba por ter de enfrentar Hal, e as palavras com que Hal repudia o seu antigo companheiro, em Henrique IV, Parte I, poderiam de igual modo ser-te ditas a ti:
… eis ali um demónio que te assombra sob a aparência de um homem velhoe gordo; um homem que é um barril é o teu companheiro … Em que é ele bom, a não ser a provar vinho e a bebê-lo? Em que é ele limpo e destro, a não ser a trinchar um capão e a comê-lo? Em que é ele habilidoso senão na falsidade? Em que é ele astucioso, a não ser na vilania? Em que é ele vilão, a não ser em todas as coisas? Onde é que ele tem valor a não ser em nada?»
Adaptado de IPlatão de Mark Vermon

Uma maneira diferente de dar sentido à vida, de encarar o trabalho, de tratar das finanças. O sedentarismo é o grande inimigo a abater. Tão importante como a lista das coisas a fazer é a lista das coisas a não fazer. Trabalhe por conta própria. Pergunte em que é que o seu trabalho traz felicidade aos outros. Não faça o que os outros querem que você faça. Não perca tempo com o trabalho da treta. Seja grato e dê. Seja frugal. Discipline-se. Ponha tudo a trabalhar para si (convergência). Tenha a coragem de dizer não.
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