Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Poema das coisas belas - António Gedeão

 

Às vezes dou comigo a pensar na realidade das coisas e noutras metafísicas quaisquer, dei hoje comigo , de manhã ao olhar-me no espelho, a pensar na proposição de Berkeley «Esse est percipi aut percipire». Para o que me havia de dar.

 

As coisas belas,

As que deixam cicatrizes na memória dos homens,

Por que motivo serão belas?

E belas para quê

 

Põe-se o sol, porque o seu movimento é relativo,

Derrama cores porque os meus olhos vêem.

Mas por que será belo o pôr do Sol?

E belo, para quê

 

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,

Mas só são coisas quando coisas percebidas,

Por que direi das coisas que são belas?

E belas para quê?

 

Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas

Sem precisarem de ser coisas percebidas,

Para quem serão belas essas coisas?

E belas, para quê

António Gedeão

publicado por julmar às 18:09
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Domingo, 27 de Novembro de 2011

CORTAR NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Quem não ama o conhecimento não ama a liberdade e quem não ama a liberdade prefere a escravatura. Consta pelas estruturas educativas e parece dado como adquirido que os professores que, segundo o estatuto que os rege têm de fazer 25 horas de formação por ano, irão precisar de fazer apenas doze horas e meia. Ao que parece todos estão conformados ( satisfeitos, mesmo?) - professores, ministro, sindicatos, entidades formadoras. E se toda esta gente - trabalhadores do conhecimento - (não) reage a uma medidas destas, por que hão-de estranhar que os pais se empenhem tão pouco nas aprendizagens dos seus filhos e porque hão-de culpar os jovens pela sua desmotivação em relação ao trabalho escolar?
publicado por julmar às 19:00
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Musa ausente

(Há quem precise de oração. Eu preciso de poesia)

 

Falta a luz dos teus olhosna paisagem

O oiro dos restolhos não fulgura.

Os caminhos tropeça,, à procura

Da recta claridade dos teus passos.

Os horizontes, baços

Muram a tua ausência.

Sem transparência.

O mesmo rio que te reflectiu

Afoga, agora, o teu perfil perdido.

Por te não ver, a vida anoiteceu

À hora em que teria amanhecido

Miguel Torga

publicado por julmar às 17:14
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Sabe fazer boas escolhas

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, recebe 7.255 euros de pensão por dez anos de trabalho como juíza do Tribunal Constitucional.

Por não poder acumular esse valor com o ordenado de presidente do Parlamento, Assunção Esteves abdicou de receber pelo exercício do actual cargo, cujo salário é de 5.219,15 euros. Mantém, no entanto, o direito a ajudas de custo no valor de 2.133 euros.

Assunção Esteves pôde reformar-se muito cedo, aos 42 anos, porque a lei de então contemplava um regime muito favorável para todos os juízes do Tribunal Constitucional.

Podiam aposentar-se com 12 anos de serviço, independentemente da idade, ou com 40 anos de idade e dez anos de serviço.

No Parlamento, mais 11 deputados e ex-deputados pediram uma subvenção vitalícia por terem exercido funções durante mais de 12 anos.

As subvenções vitalícias dos deputados acabaram em 2005, mas o regime transitório faz com que ainda haja deputados mais antigos com esse direito.

In Jornal Sol

publicado por julmar às 16:58
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Cavaco, o coveiro desta choldra

Quando oiço Cavaco Silva dizer, como o disse hoje: «só a união de todos pode atenuar os sacrifícios que se pedem aos portugueses», ou «os próximos tempos podem ser insuportáveis para alguns dos nossos concidadãos», quando antes, para derrubar o anterior governo, disse precisamente o contrário: «há limites para os sacrifícios que se exigem aos portugueses», até me dá arrepios. Salta-me a tampa, literalmente.Cavaco Silva não tem moral para dizer nada sobre sacríficios a pedir aos portugueses. Cavaco Silva é o principal responsável pelo momento que Portugal atravessa. Porque está há mais de 20 no poder. Porque moldou o rumo do país no pós-integração na EU, quando o dinheiro chegava a rodos. Porque deixou atrás de si um rasto de colaboradores a contas com a justiça, com acusações das mais diversas. Porque não faz um único sacrífio pelo país, chegando ao ponto de viajar para o Paraguai com uma comitiva de 23 acompanhantes (Populismo? - uma treta!). Porque nunca se norteia pelo sentido de Estado, nem de interesse nacional, mas por interesses pessoais e comezinhos. Cavaco Silva não é um Presidente da República, é o coveiro-mor desta choldra kafkiana.

In blog, Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/1291526.html

publicado por julmar às 17:38
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

A corrupção na classe política

Se não for verdade o que na TVI 24 às 21.30 foi dito por Medina Carreira e Paulo Morais, os políticos deste país (autarcas, vereadores, deputados, incluindo Presidente da República) têm, em defesa da honra, processar os intervenientes. É demolidor.
publicado por julmar às 22:11
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A (falta) de educação dos pais

A direcção do Agrupamento de Escolas do Porto Alto (Benavente) proibiu seis crianças entre os seis e os nove anos de almoçar na cantina da escola, durante dois dias, como castigo por mau comportamento. Desobediência das crianças à Auxiliar de Educação quando corriam pelo meio da estrada, a caminho da cantina que se situava a uns 300 metros na escola sede de agrupamento.

 

Os pais ficaram indignados e revoltados com este tipo de castigo. E tudo fica encolhido e comprometido com a indignação dos pais como se o castigo fosse um crime de todo o tamanho - não que as crianças fiquem sem comer mas que o não possam fazer dois dias na cantina.

Com pais a porem paninhos quentes nos meninos não há educação que resista.

Estes pais e estes professores e estas auxiliares de educação deveriam ver o seguinte vIdeo:

http://videos.sapo.pt/ZtESKSETFz5DynoHLf5J

publicado por julmar às 20:37
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Sábado, 19 de Novembro de 2011

A falta de vergonha

Em Novembro de 2010, no Plano Inclinado da SIC Notícias, Ângelo Correia afirmou que adquiridos são apenas os direitos como o direito à vida, o direito à liberdade, etc.. Defendeu que todos os outros direitos, ou seja, aqueles que custam dinheiro ao Estado, são direitos que "não existem", que estão dependentes da solidez da economia. Concluiu mesmo que a ideia de direitos adquiridos se trata de uma "burla".

No entanto, menos de um ano depois, a 23 de Outubro de 2011, quando questionado por uma jornalista da Antena 1 sobre a possibilidade de, em função do momento difícil que o país atravessa, abdicar da sua subvenção vitalícia de ex-titular de cargo público (quando, ainda por cima, trabalha no sector privado), Ângelo Correia afirmou não estar disponível, por se tratar de um "direito adquirido" legalmente.

Vale a pena ver e ouvir...

http://www.youtube.com/v/HLfOhT6GfIg&autoplay=1&rel=0

publicado por julmar às 22:19
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Crenças e percepções

 

   

 

Vê uma mulher velha ou vê uma mulher nova? O mesmo acontece com muitas das nossas crenças: Temos a certeza absoluta de que as coisas são como nós as vemos. Os outros só podem estar enganados. Ao fim e ao cabo tudo depende do ponto de vista. E xiste a realidade e xiste o nosso cérebro.

publicado por julmar às 16:07
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Revisitando Edgar Morin

 

“ O professor de literatura do Clube do Poetas Mortos convida os seus alunos, bem alinhados atrás das carteiras, a subir para as carteiras e a olhar o mundo de lá. Só esta experiência de um outro ponto de vista sobre o mundo poderá tornar possível uma transformação do seu ponto de vista sobre si mesmos, poderá permitir-lhes escapar a essa definição de si mesmos e do seu destino, sombria e inclusive mortal, que estava predeterminada pela imperícia e cegueira dos docentes e dos pais.(...) Ele (o professor) diz aos seus alunos: Aprendei a mudar de lugar e a tomar altura. Mudai de lugar: olhai-vos a vós próprios do ponto de vista do outro, olhai com os olhos deste instante o ponto de vista outro do instante passado. Tomai altura: aprendei a olhar as relações entre estes pontos de vista, descobri que através de tais relações podeis aperceber novos caminhos que não podem ser vistos, de nenhum ponto de vista separadamente. E, sobretudo, mudai de lugar e tomai altura, não só nas carteiras da escola, nos lugares que a sacralidade do poder considera votados ao conhecimento, mas também em toda a vossa vida. Associai livremente a declamação poética ao futebol, o adestramento físico à criação artística. Interrogai-vos: « De quantas maneiras é possível caminhar num pátio?», e descobrireis que a estreiteza do espírito engendrada pelos pontos de vista habituais vos escondia a maioria das possibilidades praticáveis e desejáveis.” Pg 155/156

publicado por julmar às 16:48
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