Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Avaliação dos professores - Inocêncio da Silva

Mandou-me por mail o amigo Inocêncio para lhe dar voz pela voz de António Barreto.

A farsa da avaliação

Na impossibilidade humana de “gerir” milhares de escolas e centenas de milhares de professores, os esclarecidos especialistas construíram uma teoria “científica” e um método “objectivo” com a finalidade de medir desempenhos e apurar a qualidade dos profissionais. Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos, ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno. O que na verdade se passa é que este sistema implica a abdicação de princípios fundamentais, como sejam os da autoridade da direcção, a responsabilidade do director e dos dirigentes e a autonomia da escola. O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional. Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério, é mais um sinal de crise da educação.

António Barreto, PÚBLICO, 9 de Março de 2008

publicado por julmar às 17:06
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Porreiro! Porreiro, pá!

Ficou na história o cumprimento de Sócrates a Durão Barroso, aquando da assinatura do Tratado de Lisboa:« Porreiro, pá!»

Há até quem na caracterização do povo português, na sua face alegre, lhe cole como ideologia 'o nacional porreirismo'. E como a relação do português com o sobrenatural é muito terra-a terra e feita de um incomum à vontade, pensando nós que Deus não tem mais que fazer, José Mourinho interrogado por um jornalista sobre  "o que acha que Deus pensa de si?", resposta Mourinho: "Deve pensar que sou um tipo porreiro."

 

publicado por julmar às 15:36
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Another brick in the wall Pink Floyd

No tempo em que a música (canção) era uma arma

http://www.youtube.com/watch?v=L-ISJAct04Y&feature=related

publicado por julmar às 17:47
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Limpar o olhar -Há escolas sentadas à "sombra da bananeira", in Educare

Ora, aqui está um estudo que vale a pena. Vale a pena porque ajuda  a desembaraçarmo-nos de ideias feitas.

Estudo do ISEG faz a divisão: escolas de elite, escolas fatalistas, escolas surpreendentes e escolas à sombra da bananeira. Investigação conclui que falta uma cultura de gestão de desempenho e de auto-avaliação e que o contexto socio-económico dos alunos explica 30% dos resultados nos exames.

 

"Perspectivas Diferentes Sobre o Desempenho das Escolas Secundárias Portuguesas" é um estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade Técnica de Lisboa que percorreu, ao longo de um ano, 303 escolas públicas onde foram realizados mais de 50 exames de Português e de Matemática. Os pratos da balança não ficam equilibrados. As habilitações dos pais e a idade dos alunos explicam 30% dos resultados dos exames. Os restantes 70% estão nas mãos das escolas, ou melhor, no trabalho que promovem. A investigação, financiada pelo Ministério da Educação e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, foi apresentada no seminário "Economia e econometria da educação", promovido pelo ISEG.

Os alunos terminam, regra geral, o Ensino Secundário com 17 anos e quanto mais velhos chegam ao Secundário piores são os seus resultados. Perto de 40% dos pais têm pelo menos o nível Secundário, cada professor tem 14,6 alunos em média por turma, um quinto dos alunos beneficiam de apoio social escolar e a taxa de absentismo da classe docente é de seis dias por ano. O estudo revela ainda que os alunos estão mal preparados quando transitam para o ensino superior. Conclusão retirada das notas dos exames nacionais. Pelo menos 37% dos estudantes do 12.º ano não se puderam candidatar ao ensino superior. O estudo conclui que a "baixa qualidade dos resultados da aprendizagem no Ensino Secundário compromete o sucesso no Ensino Superior".

Os autores da investigação tiveram em atenção diversas variáveis: resultados dos exames nacionais do Secundário de Português e Matemática, taxa de conclusão no 12.º ano dos cursos científico-humanísticos no ano 2009/2010, características das escolas, idade dos alunos, habilitações académicas e profissão dos pais, número de alunos com apoio social, taxas de progressão e de conclusão do Ensino Secundário e taxa de absentismo dos docentes.

Com as várias características de alunos e professores em cima da mesa, calculou-se o desempenho médio esperado para cada escola, que resultados poderiam ser obtidos nos exames e na conclusão do Secundário. A partir daí, foi construída uma lista com quatro categorias. Escolas de elite com boas médias e que apresentam resultados e desempenhos acima do esperado. Escolas fatalistas com resultados e desempenhos abaixo do expectável. Escolas surpreendentes que têm resultados académicos abaixo da média nacional, mas que têm resultados acima do esperado. E ainda as escolas à sombra da bananeira, que têm resultados acima da média nacional, mas o desempenho é inferior ao que seria esperado, tendo em conta as características da escola. A lista das escolas não pode ser divulgada por imposição do Ministério da Educação.

Cláudia Sarrico, investigadora do ISEG e uma das autoras do estudo, defende que as escolas à sombra da bananeira deviam puxar mais pelos alunos. "Há escolas que estão a tirar o máximo partido dos alunos e outras não", refere ao EDUCARE.PT. Cláudia Sarrico, do ISEG, Margarida Fonseca Cardoso, da Universidade do Porto, Maria João Rosa, da Universidade de Aveiro, e Fátima Pinto, da EB2,3 de Canedo, são as autoras do estudo que, além de uma análise quantitativa, investiu numa abordagem qualitativa em 12 escolas do país - avaliadas externamente pela Inspecção-Geral de Educação em 2007 -, três de cada uma das quatro categorias criadas. "Estudámos as práticas de avaliação das escolas e de auto-avaliação e conclui-se que não há uma prática consolidada e uma cultura de avaliação", adianta Cláudia Sarrico. Os resultados deverão ser publicados em português num livro e a investigadora sustenta que, regra geral, as escolas querem mais informações. Ou seja, querem perceber como é feita a comparação com outras escolas, como podem pedir apoio no processo de avaliação, como os dados são tratados, espremidos até às conclusões.

A investigação qualitativa contou com 43 entrevistas semi estruturadas a quatro actores: o director da escola, o presidente do conselho geral, o responsável pela auto-avaliação e o chefe dos serviços administrativos. Uma das constatações é que as acções de melhoria nas escolas raramente são avaliadas. "Quase nunca se refere que há algum tipo de avaliação, o que significa que as escolas podem desenvolver acções de melhoria mas não as avaliam no sentido de ver se elas estão a resultar ou não", lê-se no estudo.

A dimensão do desempenho mais avaliada é o ensino e os resultados escolares são os indicadores de desempenho mais utilizados. Verifica-se ainda que os professores são os mais cépticos e críticos em relação ao sistema de avaliação. Outro dado é que os rankings são desvalorizados pelas escolas nos discursos oficiais, mas esses valores acabam por ser analisados internamente, nomeadamente a discrepância que possa existir entre as notas internas e as dos exames. Os rankings são, apesar de tudo, valorizados pelos pais dos alunos que dão importância a esse posicionamento dos estabelecimentos de ensino.

As escolas têm autonomia para escolher o modelo de auto-avaliação, mas algumas ainda não se sentem preparadas para a exercer. "As pressões internas ficam-se sobretudo pelo corpo docente. Ainda há pouca participação dos outros membros da comunidade educativa. As pressões externas focam-se sobretudo na avaliação externa da Inspecção-Geral e dos rankings publicados pela comunicação social".

O estudo do ISEG chega à conclusão que há algumas práticas de gestão de desempenho nas escolas, mas que não estão enquadradas num processo sistémico e estruturado. "A dificuldade não parece estar tanto em medir o desempenho ou em definir acções de melhoria (fundamentalmente quando os impulsionadores destas acções são agentes externos - IGE), mas em fazer do processo de gestão de desempenho uma prioridade e um processo interiorizado e enraizado nas práticas das escolas."

Sara R. Oliveira

 

 

publicado por julmar às 09:18
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Aprendendo a motivar-se

 

Daniel Pink escreveu anteriormente uma obra interessantíssima (diria que mais fundamentada e de maior alcance que a presente) - A nova inteligência.

A presente obra propõe-se essencialmente mostrar que para além de uma motivação extrínseca (os chicotes e as cenouras) que funcionou bem nos séculos XIX e XX no sistema de gestão taylorista é de uso contraproducente no séc XXI, sobretudo em actividades ligadas ao conhecimento e à criatividade. Nestas funciona sobretudo a motivação intrínseca assente em três pilares: a autonomia enquanto desejo de determinar as nossas próprias vidas; a mestria enquanto deseo de melhorar cada vez mais numa coisa que consideramos importante; e o sentido enquanto dimensão integradora danosas acção em algo maior do que nós, superior aos nossos interesses.

O autor não se limita a fazer demonstração mas tem o desejo genuíno de ajudar o leitor a colocar em prática pelo que ilustra, resume, concebe exercícios, apresenta modelos, indica bibliografia.

publicado por julmar às 14:07
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Lembrando Almeida Garrett (n. 4 de Fevereiro de 1799)

 

 

A beleza dos poemas simples

 

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Oh pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Oh pescador!

Pescador da barca bela,
Ainda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Oh pescador! 

 

 

 

E a voz de Teresa Silva Carvalho

http://www.youtube.com/watch?v=2mGjVl70FvQ

 

 

publicado por julmar às 19:45
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