
«O homem que se encosta demasiado às circunstâncias, pode cair»

Keegan na análise que faz da cultura guerreira tenta mostrar, ao longo da obra, o erro de Clausewitz que considerava que «a guerra é a continuação da política por outros meios». Para tanto, convida-nos a fazer uma viagem pela história tendo como perspectiva de análise o fenómeno guerra.
O que é a guerra? Eis a grande questão para a qual traz as aportações da antropologia. Por muito longe que se vá há sempre limitações da prática da guerra.
«A guerra é, porém, a única actividade em relação à qual as mulheres se mantiveram sempre e em todo o lado, com excepções insignificantes à parte (…) s é tão velha como a história e tão universal como a humanidade, devemos agora registar uma importantíssima limitação: a de que é uma actividade inteiramente masculina».
«A política tem de continuar, a guerra não. Não quer isto dizer que o papel dos guerreiros tenha acabado. A comunidade mundial necessita, mais do que nunca, de guerreiros hábeis e disciplinados que estejam prontos a colocar-se ao serviço da autoridade. Tais guerreiros devem justamente ser encarados como protectores da civilização, e não como seus inimigos. A sua maneira de lutar pela civilização – contra fundamentalistas étnicos, senhores de guerras regionais, intransigentes ideológicos, saqueadores vulgares e criminosos organizados internacionalmente – não pode proceder apenas do modelo de guerra ocidental. Os guardiões da paz do futuro e do presente têm muito a aprender com culturas militares alternativas, não só orientais como do mundo primitivo. É preciso redescobrir a sabedoria dos princípios e restrição intelectual e mesmo dos rituais simbólicos. Mais ainda, é preciso recusar a inscrição da política e da guerra numa mesma linha de continuidade. Se não persistirmos em o fazer, o nosso futuro, tal como o dos últimos habitantes da Ilha da Páscoa, poderá pertencer a homens com as mãos manchadas de sangue».
Leitura feita em 1997. Lá estão as marcas, os sublinhados que realçam o essencial. E as notas no fundo da página, as alíneas ou os números que uma leitura empenhada exige.
E os frutos da tentação estão à vista. Boa interpretação sobre o mundo para que caminhávamos.


E a viagem que (re)começa é a trigésima oitava. Com alegria e, ainda, com ilusões. Doutra forma, como seria possível?
Sísifo
Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
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