Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Requiescat in pace

Do outro lado da linha, uma voz diferente.

- Então, Já sabes?

- Já sei o quê, mãe?!

- Então, não sabes?

- Não sei o quê, mãe?

- Então, a Antoninha morreu.

E o embaraço perante a morte é sempre o mesmo. Ficamos sem palavras. Recordo bem a última vez que conversei com a Antoninha. Dela guardamos uma terna memória da sua simpatia, atenção e generosidade.

 

publicado por julmar às 21:53
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Sábado, 19 de Junho de 2010

Conversando com José Saramago

Para muitos, alguns que agora por dever do ofício de veêm obrigados, a tecer elogiosas considerações, José Saramago era um escritor incómodo: porque publicava muito, porque  tinha sido tipógrafo, porque era comunista, porque não tinha medo, porque não respeitava os canones literários, porque não usava os pontos e as vírgulas segundo as regras. E, para cúmulo da sua incompreensão, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura!

Muitos dos que o criticaram, na verdade nunca o leram. Ainda bem! Não iriam gostar. E ainda bem. São universos diferentes.

Para mim é o maior ficcionista português. Li todos os seus romances e são muitos. Li-os quase sempre, de um fôlego. Pelo enredo que parte quase sempre de uma pergunta simples: E se a Península Ibérica se desligasse da Europa e começasse como um barco sem rumo a afastar-se? E se houvesse uma doença que se transmitisse pelo olhar que cegasse o que é olhado? Pelos personagens que cria muitas vezes inominados. Pela ternura da substância com que constrói os humanos; pelas interrogações filosóficas que suportam os seus textos; pela sua análise da linguagem (ver o post publicado neste blog em 4 de Março).

Com Saramago passei muitas, muitas horas de diálogo que outra coisa não é o ler se não uma conversa a dois. Bom tempo esse e a minha vida sem ele não seria a mesma. A música de Mozart ajuda-nos a superar a dor.

http://www.youtube.com/watch?v=jqkMbk8eX6Y

publicado por julmar às 16:02
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José Saramago - A maior dor humana

«O homem está ali parado, no meio do passeio, com a sua estupenda saúde, a sua sólida cabeça, tão sólida que nem mesmo agora lhe dói apesar do terrível choque, de repente o mundo deixou de lhe pertencer ou ele de pertencer ao mundo, passaram a estar emprestados um ao outro por oito dias, di-lo esta carta de cor violeta que resignadamente acaba de abrir, os olhos nublados de lágrimas mal conseguem decifrar o que nela está escrito, caro senhor, lamento comunicar-lhe que a sua vida acabará no prazo irrevogável de uma semana, aproveite o melhor que puder o tempo que lhe resta, sua atenta servidora, morte. A assinatura vem com inicial minúscula, o que, como sabemos, representa de alguma forma, o seu certificado de origem. Duvida o homem, senhor fulano lhe chamou o carteiro, portanto é do sexo masculino, e logo o confirmámos nós próprios, duvida o homem se deverá voltar para casa e desabafar com a família a irremediável pena, ou, se, pelo contrário, terá de engolir lágrimas e prosseguir o seu caminho, ir aonde o trabalho o espera, cumprir todos os dias que lhe restam, então poderá perguntar Morte onde esteve a tua vitória, sabendo no entanto que não receberá resposta, porque a morte nunca responde, e não é porque não queira, é só porque não sabe o que há-de dizer diante da maior dor humana»

In, As Intermitências da Morte

publicado por julmar às 15:31
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Leituras - sempre a aprender

Tempos houve que passei por estes livros e os olhava com desconfiança. No caso, diria para mim: Maldito capitalismo. Li e aprendi. E num tempo em que no Ministério da Educação se fazem fusões (Agrupamentos de escolas) não faria mal ler o capítulo sobre o assunto(empresas, claro). E sobre avaliação. E sobre tudo.

publicado por julmar às 19:36
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