Domingo, 28 de Março de 2010

Alexandre Herculano

 

Passam cem anos do nascimento de Alexandre Herculano. Conheci-o nas antologias (como eu gostava delas!) da escola. A seguir aos pré-românticos (a Marquesa de Alorna, o Bocage …) lá vinha a tríade dos introdutores do romantismo em Portugal: O Feliciano Castilho, o A. Garrett e o Herculano. Mais que a leveza de Garrett atraía-me a gravidade de Herculano. Dele, que me lembre, li o Bobo, Eurico o Presbítero e, se o tempo desse voltaria a ler, o Monge de Cister um bom exemplo de poesia escrita em prosa.

E numa dessas antologias, o extracto que se segue de cruz mutilada que a mim se colou:

 

Amo-te, ó cruz, no vértice, firmada

De esplêndidas igrejas;

Amo-te quando à noite, sobre a campa,

Junto ao cipreste alvejas;

Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,

As preces te rodeiam;

Amo-te quando em préstito festivo

As multidões te hasteiam;

Amo-te erguida no cruzeiro antigo,

No adro do presbitério,

Ou quando o morto, impressa no ataúde,

Guias ao cemitério;

Amo-te, ó cruz, até, quando no vale

Negrejas triste e só,

Núncia do crime, a que deveu a terra

Do assassinado o pó:

Porém guando mais te amo,

Ó cruz do meu Senhor,

É, se te encontro à tarde,

Antes de o Sol se pôr,

Na clareira da serra,

Que o arvoredo assombra,

Quando à luz que fenece

Se estira a tua sombra,

E o dia últimos raios

Com o luar mistura,

E o seu hino da tarde

O pinheiral murmura.

publicado por julmar às 21:21
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Escrita de outro tempo

A propósito da leitura de «O homem eo divino», de Zambrano 

O mundo é hoje demasiado barulhento, demasiado colorido, demasiado cheio de coisas, de coisas inúteis, atulhado de objectos, de pessoas: reino submerso de massas, de quantidades, de séries, de filas,  de atropelos, engarrafamentos; um mundo demasiado cheio de lixo  e de luxo. Por isso o espaço diminuiu. A estrada alargou para passarem carros e depois voltou a alargar para passarem mais carros. A quinta com o solar abandonado foi arrasada para construírem habitações, umas por cima das outras para poupar espaço e para fazer um espaço comercial e mais um heealth club no sítio onde os garotos jogavam à bola.

E quanto ao tempo ninguém o tem em quantidade suficiente. Ao contrário do espaço que se compre e se vende (e por isso uns têm muito, outros pouco e outros não têm nenhum e por isso têm de pedir por favor para estarem em qualquer sítio porque ainda se não descobriu uma forma de contornar a lei que afirma que os corpos ocupam espaço, embora no parlamento se ergam frequentemente vozes contra a pouca vergonha que é para a nação andarem por aí indivíduos sem nem eira beira por sítios de primeira a espantar o turista  e a dar uma imagem que não é a do país real. (Verdade seja dita que até já têm sido construídos abrigos para eles) o tempo cada um tem o que tem - vinte e quatro horas por dia durante tantos dias quantos Deus quiser  ou a medicina comprar. As pessoas levantam-se com pressa, andam depressa, comem depressa, fornicam depressa, escutam à pressa; de manhã vestem os filhos à pressa, levam-nos à escola com pressa e à noite vão buscá-los com pressa , dão-lhe de comer à pressa, e deitam-nos depressa. Oxalá morram com pressa  depressa porque a velhice não corre.

O tempo. Vai e não volta. É irreversível. Só a memória o recupera. Ao contrário do espaço que nos é exterior e nos pode ser usurpado ninguém nos pode tirar o tempo que é nosso.

publicado por julmar às 19:48
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Terça-feira, 23 de Março de 2010

Por acaso

 

Mês de Junho de 2000, Avenida Central de Braga. Um homem, de mochila às costas, olha para o letreiro da Sapataria como se estivesse a desvendar um enigma. Vira-se para mim:

- Como se diz? Sapatária ou sapataria? Expliquei-lhe e dei-lhe outros nomes para completa elucidação sobre a pronúncia correcta. Falou-me do seu interesse em questões linguísticas, da aprendizagem do português, da sua atitude socrática do questionar permanentemente. Eu ou ele convidámos para almoçar e acompanhámos o bacalhau à narcisa e o cabrito assado com conversa regada pela tarde fora. Passou o fim-de-semana seguinte em minha casa, passeámos pelo Parque Biológico e pela Serra da Freita. Contou-me da sua estadia numa modesta pensão em Castro Laboreiro onde escrevia um livro, da sua insaciável aventura de andar de terra em terra, da sua actividade profissional (advocacia) e, com pormenor, do «El caso Almeria».

Em Dezembro do mesmo ano enviava-me o livro,  escrito em Castro Laboreiro, com recortes de imprensa sobre o seu lançamento.

Há dias em que vale a pena sair de casa, há dias em que vale a pena ir tomar café a Braga. Terá acontecido num dia 13.

Apresentação do filme: «El caso Almeria»
publicado por julmar às 12:24
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Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Aprendendo com Edgar Morin

 

“ O professor de literatura do Clube do Poetas Mortos convida os seus alunos, bem alinhados atrás das carteiras, a subir para as carteiras e a olhar o mundo de lá. Só esta experiência de um outro ponto de vista sobre o mundo poderá tornar possível uma transformação do seu ponto de vista sobre si mesmos, poderá permitir-lhes escapar a essa definição de si mesmos e do seu destino, sombria e inclusive mortal, que estava predeterminada pela imperícia e cegueira dos docentes e dos pais.(...) Ele (o professor) diz aos seus alunos: Aprendei a mudar de lugar e a tomar altura. Mudai de lugar: olhai-vos a vós próprios do ponto de vista do outro, olhai com os olhos deste instante o ponto de vista outro do instante passado. Tomai altura: aprendei a olhar as relações entre estes pontos de vista, descobri que através de tais relações podeis aperceber novos caminhos que não podem ser vistos, de nenhum ponto de vista separadamente. E, sobretudo, mudai de lugar e tomai altura, não só nas carteiras da escola, nos lugares que a sacralidade do poder considera votados ao conhecimento, mas também em toda a vossa vida. Associai livremente a declamação poética ao futebol, o adestramento físico à criação artística. Interrogai-vos: « De quantas maneiras é possível caminhar num pátio?», e descobrireis que a estreiteza do espírito engendrada pelos pontos de vista habituais vos escondia a maioria das possibilidades praticáveis e desejáveis.” Pg 155/156

publicado por julmar às 22:26
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Homem,abre os olhos e verás

Homem abre os olhos e verás 

 

em cada outro homem um irmão.

 

Homem,as paixões que te consomem

 

não são boas nem más.

 

São a tua condição.

 

A paz,porém, só a terás

 

quando o pão que os outros comem,

 

homem,for igual ao teu pão.

Armindo Rodrigues
publicado por julmar às 21:57
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Ninguém se incomoda?

Instituições do Estado em falta com Planos de Combate à Corrupção

A Presidência da República, Parlamento, Banco de Portugal e Supremo Tribunal de Justiça ainda não entregaram os Planos de Combate à Corrupção. O prazo acabou há três meses.
publicado por julmar às 11:55
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Perguntas certas

Esta pergunta foi a vencedora num congresso sobre vida sustentável.
"Todos pensam em deixar um planeta melhor para os  nossos  filhos...  Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

publicado por julmar às 11:22
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Sábado, 20 de Março de 2010

Ave verum corpus

Em tempos quaresmais, sabe bem ouvir:

 

 http://www.youtube.com/watch?v=GX6z79mz4BY

 

 

publicado por julmar às 21:50
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Sexta-feira, 19 de Março de 2010

A mulher ou a sogra?

 

Um bom exemplo de como duas pessoas podem ter razão ao mesmo tempo.

 

publicado por julmar às 16:37
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Segunda-feira, 15 de Março de 2010

Lendo Pascal

Uma vez que não podemos ser universais e saber tudo quanto se pode saber acerca de tudo, é preciso saber-se um pouco de tudo, pois é muito melhor  saber-se alguma coisa de tudo do que saber-se tudo apenas de uma coisa.

 Blaise Pascal

 

publicado por julmar às 12:08
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Aprendendo

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Não basta ler. É preciso praticar.

A diferença em relação à maior parte dos livros do género radica numa filosofia da autencidade muito divulgada nos EUA por Carl Rogers - «Tornar-se Pessoa» e que o autor chama «Ética do Carácter».

Todo o livro se desenvolve a partir do esquema:

 

publicado por julmar às 09:52
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Segunda-feira, 8 de Março de 2010

Aprendendo com Aristóteles

«Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito»

publicado por julmar às 11:17
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Quinta-feira, 4 de Março de 2010

Pérolas literárias

“ Vivi, olhei, li, senti. Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou certa, Terás então de ler de outra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser , quê, A não ser que esses rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá de chegar.”

 

A Caverna de José Saramago

 

publicado por julmar às 21:36
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As músicas da minha vida

Fez 200 anos em 1 de Março que nasceu Chopin.

Piano seria o instrumento que adoraria tocar. Mas já é prazer bastante poder ouvir Chopin executado por Maria João Pires.

http://www.youtube.com/watch?v=I4zkk7NOCtg

Frédéric Chopin

 

publicado por julmar às 20:06
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