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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Lendo "A nova inteligência"

julmar, 28.02.10

«O design é o pendor da natureza humana para moldar o ambiente que nos rodeia de maneira sem precedente no mundo actual, com o objectivo de servir as nossas necessidades e conferir significado às nossas vidas»

 

1. «Há três tipos de pessoas - as que criam cultura, as que consomem cultura e as que não se importam minimamente com o assunto. Mova-se entre os dois promeiros grupos» Há um quarto grupo - os que odeiam os que se importam com a cultura.

2. «A experiência é a parte mais importante da vida; o intercâmbio de ideias e os contactos humanos é a verdadeira essência da vida. Os objectos à nossa volta podem encorajar estas experiências ou desviar-nos delas»

Leituras

julmar, 27.02.10

                              

«… há três forças que fazem pender o prato da balança para o lado do Pensamento Predominância Direita. A abundância material satisfez (em excesso, muitas vezes) as necessidades materiais de milhões de pessoas – elevando a importância das emoções e da beleza e fazendo crescer a busca individual de um sentido para a vida. Um grande número de actividades típicas do hemisfério esquerdo, antes realizads por profissionais de colarinho branco no mundo desenvolvido, foram transferidas para a Ásia, onde são executadas a um custo muito mais baixo; consequentemente, os trabalhadores do conhecimento da nossa sociedade vêem-se, agora, obrigados a adquirir novas competências que não possam ser deslocalizadas. Por último, à imagem do que aconteceu antes com os operários fabris, a automatização começou a afectar profissões de colarinho branco, tornando necessário o desenvolvimento de capacidades que os computadores não consigam executar de forma mais competente, rápida ou barata.

A questão que se coloca agora é: o que se irá passar a seguir? O que sucederá às nossas vidas, à medida que a automatização e a deslocalização fazem sentir os seus efeitos e as nossas necessidades são reconfiguradas pelo conforto material?»

In, A Nova Inteligência – Daniel  H. Pink

Porque devemos ler os clássicos

julmar, 24.02.10

No último capítulo de «Os Tópicos», ensina-nos Aristóteles os critérios de escolha dod nossos interlocutores.

-Não disputar com o primeiro que apareça

-Disputar com quem se conheça e se saiba que tem entendimento suficiente

-Disputar com quem tenha argumentos bem fundados e não frases feitas

-Disputar com quem atenta à razão e se rende a ela

 -Disputar com quem estima a verdade

 

 - Disputar com quem tem a coragem de assumir que a verdade está do lado do oponente

 

A info-eclusão, de novo Castells

julmar, 21.02.10

«A info-exclusão fundamental não se mede pelo número de ligações à Internet, mas sim pelas consequências que tanto a ligação como a falta de ligação comportam, porque a Internet não é apenas uma tecnologia: é o instrumento tecnológico e a forma organizativa que distribui o poder da informação, a geração de conhecimentos e a capacidade de ligar-se em rede em qualquer âmbito da actividade humana. Por este motivo, os países em via de desenvolvimento estão apanhados na contradição da rede. Por um lado, o facto de estarem desligados, ou superficialmente ligados, à Internet supõe a marginalização do sistema reticular global. O desenvolvimento sem Internet seria o equivalente à industrialização sem electricidade durante a era industrial. É devido a isto que a afirmação tantas vezes ouvidarelativamente à necessidade de começar “pelos problemas reais do Terceiro Mundo”, ou seja a saúde, a educação, a água, a electricidade e outras necessidades, antes de pensar no desenvolvimento da Internet, revela um profundo desconhecimento das questões que realmente importam hoje em dia. Com efeito, sem uma economia e um bom sistema de gestão baseado na Internet, é praticamente impossívelque um país seja capaz de gerar os recursos necessários para cobrir as suas necessidades de desenvolvimento, numa base sustentável, ou seja, económica, social e ecologicamente sustentável».

In, A Galáxia Internet

FINGIMENTO DE AMOR

julmar, 19.02.10

Porque em ti outros olhos poisam

te desejam e te devoram

se embriagam e se perdem

sinto ciúme de ti

 

Porque olhas outros olhos

que não são os olhos meus

só por a eles olhares

sinto ciúme de ti

 

Porque os teus olhos reflectem

outros que não a mim

só por a eles reflectir

sinto ciúmes de ti

 

Sinto ciúmes, enfim,

por teres olhos e olhares

por não  serem os meus

teu único jardim

                                                                          BORREGANA

 

Saudades do meu «Pitagórico»

julmar, 19.02.10

junho 03, 2004

A cultura do insulto


“Eu rio-me nos funerais e choro nas festas
E encontro um gosto suave no vinho mais amargo;
Com frequência tomo os factos por mentiras
E, de olhos postos no céu, caio em buracos.
Mas a voz consola-me e diz-me: «Guarda os teus sonhos;
Os sábios não os têm tão belos como os loucos.”
Baudelaire, La voix

Parece-me a mim que a quadratura com os ângulos que lhe são próprios está a ficar mais circular, perdendo os contornos mais agressivos que a torna mais habitável, mais aconchegada, mais envolvente, mais perfeita. Sabe-se lá se não será por mor dos muitos insultos grosseiros com que, reciprocamente, se mimam os adversários políticos que, como todos os maus artistas carregam nas tintas onde não devem, aumentam decibéis e luzes que ocultem o vazio da sua arte. É tudo gente que tem pressa, que lhe interessa o imediatamente útil, que não tem tempo a perder, que prefere ganhar mal do que perder bem (pressa de chegar a secretário, a ministro, a deputado, ao governo, a Bruxelas); é uma luta pela vida (ou pela vidinha) que não pela cultura. E a pressa dá no que dá: para quê a negociação, a diplomacia, a persuasão se podemos vencer pela espada? Mas num mundo em aceleração quem tem paciência para esperar? Não são apenas os frangos que crescem depressa. Os pais ( que estão bem/mal mal na vida) têm pressa que os filhos aprendam tudo e, por isso, é ver a quantidade de coisas que estas crianças têm que aprender! (ir à música, ao ballett, à natação…). E o maior dos perigos é começar a levar a sério a vida demasiado cedo.
Regressando aos insultos dos nossos políticos eles traduzem a sua incultura, a sua necessidade de strip-tease que à força de se desnudarem a si e aos outros nos oferecem um espectáculo intensamente pornográfico. A cultura só existe quando tem alguma coisa para se esconder e o diálogo só existe quando se acredita poder mostrar alguma coisa ao outro. Neste jogo de ocultação/desocultação se joga a nossa humanidade. A forma de aprender este jogo - brincar. Ora, a linguagem é a instância, por excelência, da cultura enquanto adaptação ao mundo. Por isso, a nossa relação com a realidade é indirecta, tacteante, hesitante, aproximativa, retórica, cosmética, uma espécie de sedução amorosa. Deste modo, o que insulta revela-se na sua nudez bestial dos instintos primários tão necessários à vida na selva.
É tempo de nos volvermos à cultura e, de um modo especial, os políticos pela sua especial responsabilidade nos nossos destinos. Sigam o conselho de Pacheco Pereira (que pena este homem metido na política, digo-o muito a sério)! Olhem para o céu! Foi a olhar para o céu que o homem descobriu a terra! A sério ainda, que não conheço nenhuma frase tão emblemática no avanço da cultura e do conhecimento como esta. É verdade que Tales caiu num poço por andar a olhar para o céu e que a sua criada trácia se riu a bandeiras despregadas da distracção do filósofo. Mas, entre outros espécimes, o mundo é mesmo assim: feito de filósofos e de criadas – quando aqueles pedem para olhar os céus, estas perguntam onde estão as cartas da astróloga Maia (assim se chama?)
Luís Leonardo

 

Os livros que me marcaram

julmar, 11.02.10

Na arrumação dos livros a que tenho procedido vão-me passando pela mão alguns em que me perdi a sublinhar, a resumira, a anotar. Neste caso, nem era para prestar contas de matérias curriculares. Sempre assim foi: em vez de ir directo ao assunto, ser prático ia-me perdendo por marginalidades. O saber condensado das sebentas ... só o indispensável. Há trinta e oito anos que comprei este livro (mesmo quando o dinheiro mal dava para a bica dava sempre para comprar um livro) na Livraria Victor em Braga. 

Cita no início Demócrito:«Tudo o que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade», seguindo-se um trecho de A. Camus, Le Mythe de Sisyphe.

Está como eu gosto dos livros: usado, amarelecido e o cheiro característico. 

 

A política na Internet - Manuel Castells

julmar, 08.02.10

«Na realidade a liberdade nunca é algo que é oferecido. Requer uma luta constante; é a capacidade para redefinir a autonomia e pôr em prática a democracia em todos os contextos sociais e tecnológicos. A Internet oferece um potencial extraordinário para a expressão dos direitos do cidadão e para a comunicação dos valores humanos. Obviamente não pode substituir  a mudança social ou a reforma política. No entanto, ao igualar relativamente as condições nas quais distintos actores e instituições podem agir com a manipulação de símbolos, e ao ampliar as fronteiras da comunicação, contribui sem dúvida, para a democratização. A Internet põe em contacto as pessoas na agora pública, permitindo-lhes expressar as suas preocupações e partilhar as suas esperanças. Por isso, o controlo dessa agora pública por parte das pessoas talvez seja o desafio político mais importante que a Internet representa».  

 

A nova economia - Manuel Castells

julmar, 08.02.10

Bem que Castells nos avisou:

«A nova economia guia-se por um mercado de valores muito sensível que financia a inovação de alto risco que se encontra na base do elevado crescimento da produtividade.Esta é uma economia na qual se aposta fortemente: o elevado índice de crescimento e a extraordinária criação de riqueza vão de mão dada compotenciais quedas repentinas e destruição da riqueza. Assim que os mecanismos de valorização do mercado começam a sua espiral descendente não se pode deter a queda simplesmente com mecanismos de formação de preços: torna-se necessário subverter as expectativas. De outra forma, quando as acções estiverem ao preço da chuva, haverá muito pouco dinheiro para comprá-las e demasiado receio de abandonar os portos de abrigo para a popança prudente que aparece em tempos de recessão.

A nova economia tem um fundamento cultural: está baseada na cultura da inovação, a cultura do risco, a cultura da expectativa, e, em última instância, na cultura da esperança no futuro. Só se a dita culturasobreviver aos pessimistas da velha economia da era industrial, é que a nova economia poderá voltar a prosperar».

 

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