«O design é o pendor da natureza humana para moldar o ambiente que nos rodeia de maneira sem precedente no mundo actual, com o objectivo de servir as nossas necessidades e conferir significado às nossas vidas»
1. «Há três tipos de pessoas - as que criam cultura, as que consomem cultura e as que não se importam minimamente com o assunto. Mova-se entre os dois promeiros grupos» Há um quarto grupo - os que odeiam os que se importam com a cultura.
2. «A experiência é a parte mais importante da vida; o intercâmbio de ideias e os contactos humanos é a verdadeira essência da vida. Os objectos à nossa volta podem encorajar estas experiências ou desviar-nos delas»
«… há três forças que fazem pender o prato da balança para o lado do Pensamento Predominância Direita. A abundância material satisfez (em excesso, muitas vezes) as necessidades materiais de milhões de pessoas – elevando a importância das emoções e da beleza e fazendo crescer a busca individual de um sentido para a vida. Um grande número de actividades típicas do hemisfério esquerdo, antes realizads por profissionais de colarinho branco no mundo desenvolvido, foram transferidas para a Ásia, onde são executadas a um custo muito mais baixo; consequentemente, os trabalhadores do conhecimento da nossa sociedade vêem-se, agora, obrigados a adquirir novas competências que não possam ser deslocalizadas. Por último, à imagem do que aconteceu antes com os operários fabris, a automatização começou a afectar profissões de colarinho branco, tornando necessário o desenvolvimento de capacidades que os computadores não consigam executar de forma mais competente, rápida ou barata.
A questão que se coloca agora é: o que se irá passar a seguir? O que sucederá às nossas vidas, à medida que a automatização e a deslocalização fazem sentir os seus efeitos e as nossas necessidades são reconfiguradas pelo conforto material?»
In, A Nova Inteligência – Daniel H. Pink

No último capítulo de «Os Tópicos», ensina-nos Aristóteles os critérios de escolha dod nossos interlocutores.
-Não disputar com o primeiro que apareça
-Disputar com quem se conheça e se saiba que tem entendimento suficiente
-Disputar com quem tenha argumentos bem fundados e não frases feitas
-Disputar com quem atenta à razão e se rende a ela
-Disputar com quem estima a verdade
- Disputar com quem tem a coragem de assumir que a verdade está do lado do oponente
«A info-exclusão fundamental não se mede pelo número de ligações à Internet, mas sim pelas consequências que tanto a ligação como a falta de ligação comportam, porque a Internet não é apenas uma tecnologia: é o instrumento tecnológico e a forma organizativa que distribui o poder da informação, a geração de conhecimentos e a capacidade de ligar-se em rede em qualquer âmbito da actividade humana. Por este motivo, os países em via de desenvolvimento estão apanhados na contradição da rede. Por um lado, o facto de estarem desligados, ou superficialmente ligados, à Internet supõe a marginalização do sistema reticular global. O desenvolvimento sem Internet seria o equivalente à industrialização sem electricidade durante a era industrial. É devido a isto que a afirmação tantas vezes ouvidarelativamente à necessidade de começar “pelos problemas reais do Terceiro Mundo”, ou seja a saúde, a educação, a água, a electricidade e outras necessidades, antes de pensar no desenvolvimento da Internet, revela um profundo desconhecimento das questões que realmente importam hoje em dia. Com efeito, sem uma economia e um bom sistema de gestão baseado na Internet, é praticamente impossívelque um país seja capaz de gerar os recursos necessários para cobrir as suas necessidades de desenvolvimento, numa base sustentável, ou seja, económica, social e ecologicamente sustentável».
te desejam e te devoram
se embriagam e se perdem
sinto ciúme de ti
Porque olhas outros olhos
que não são os olhos meus
só por a eles olhares
sinto ciúme de ti
Porque os teus olhos reflectem
outros que não a mim
só por a eles reflectir
sinto ciúmes de ti
Sinto ciúmes, enfim,
por teres olhos e olhares
por não serem os meus
teu único jardim
“Eu rio-me nos funerais e choro nas festas
E encontro um gosto suave no vinho mais amargo;
Com frequência tomo os factos por mentiras
E, de olhos postos no céu, caio em buracos.
Mas a voz consola-me e diz-me: «Guarda os teus sonhos;
Os sábios não os têm tão belos como os loucos.”
Baudelaire, La voix
Parece-me a mim que a quadratura com os ângulos que lhe são próprios está a ficar mais circular, perdendo os contornos mais agressivos que a torna mais habitável, mais aconchegada, mais envolvente, mais perfeita. Sabe-se lá se não será por mor dos muitos insultos grosseiros com que, reciprocamente, se mimam os adversários políticos que, como todos os maus artistas carregam nas tintas onde não devem, aumentam decibéis e luzes que ocultem o vazio da sua arte. É tudo gente que tem pressa, que lhe interessa o imediatamente útil, que não tem tempo a perder, que prefere ganhar mal do que perder bem (pressa de chegar a secretário, a ministro, a deputado, ao governo, a Bruxelas); é uma luta pela vida (ou pela vidinha) que não pela cultura. E a pressa dá no que dá: para quê a negociação, a diplomacia, a persuasão se podemos vencer pela espada? Mas num mundo em aceleração quem tem paciência para esperar? Não são apenas os frangos que crescem depressa. Os pais ( que estão bem/mal mal na vida) têm pressa que os filhos aprendam tudo e, por isso, é ver a quantidade de coisas que estas crianças têm que aprender! (ir à música, ao ballett, à natação…). E o maior dos perigos é começar a levar a sério a vida demasiado cedo.
Regressando aos insultos dos nossos políticos eles traduzem a sua incultura, a sua necessidade de strip-tease que à força de se desnudarem a si e aos outros nos oferecem um espectáculo intensamente pornográfico. A cultura só existe quando tem alguma coisa para se esconder e o diálogo só existe quando se acredita poder mostrar alguma coisa ao outro. Neste jogo de ocultação/desocultação se joga a nossa humanidade. A forma de aprender este jogo - brincar. Ora, a linguagem é a instância, por excelência, da cultura enquanto adaptação ao mundo. Por isso, a nossa relação com a realidade é indirecta, tacteante, hesitante, aproximativa, retórica, cosmética, uma espécie de sedução amorosa. Deste modo, o que insulta revela-se na sua nudez bestial dos instintos primários tão necessários à vida na selva.
É tempo de nos volvermos à cultura e, de um modo especial, os políticos pela sua especial responsabilidade nos nossos destinos. Sigam o conselho de Pacheco Pereira (que pena este homem metido na política, digo-o muito a sério)! Olhem para o céu! Foi a olhar para o céu que o homem descobriu a terra! A sério ainda, que não conheço nenhuma frase tão emblemática no avanço da cultura e do conhecimento como esta. É verdade que Tales caiu num poço por andar a olhar para o céu e que a sua criada trácia se riu a bandeiras despregadas da distracção do filósofo. Mas, entre outros espécimes, o mundo é mesmo assim: feito de filósofos e de criadas – quando aqueles pedem para olhar os céus, estas perguntam onde estão as cartas da astróloga Maia (assim se chama?)
Luís Leonardo

Na arrumação dos livros a que tenho procedido vão-me passando pela mão alguns em que me perdi a sublinhar, a resumira, a anotar. Neste caso, nem era para prestar contas de matérias curriculares. Sempre assim foi: em vez de ir directo ao assunto, ser prático ia-me perdendo por marginalidades. O saber condensado das sebentas ... só o indispensável. Há trinta e oito anos que comprei este livro (mesmo quando o dinheiro mal dava para a bica dava sempre para comprar um livro) na Livraria Victor em Braga.
Cita no início Demócrito:«Tudo o que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade», seguindo-se um trecho de A. Camus, Le Mythe de Sisyphe.
Está como eu gosto dos livros: usado, amarelecido e o cheiro característico.
«Na realidade a liberdade nunca é algo que é oferecido. Requer uma luta constante; é a capacidade para redefinir a autonomia e pôr em prática a democracia em todos os contextos sociais e tecnológicos. A Internet oferece um potencial extraordinário para a expressão dos direitos do cidadão e para a comunicação dos valores humanos. Obviamente não pode substituir a mudança social ou a reforma política. No entanto, ao igualar relativamente as condições nas quais distintos actores e instituições podem agir com a manipulação de símbolos, e ao ampliar as fronteiras da comunicação, contribui sem dúvida, para a democratização. A Internet põe em contacto as pessoas na agora pública, permitindo-lhes expressar as suas preocupações e partilhar as suas esperanças. Por isso, o controlo dessa agora pública por parte das pessoas talvez seja o desafio político mais importante que a Internet representa».
Bem que Castells nos avisou:
«A nova economia guia-se por um mercado de valores muito sensível que financia a inovação de alto risco que se encontra na base do elevado crescimento da produtividade.Esta é uma economia na qual se aposta fortemente: o elevado índice de crescimento e a extraordinária criação de riqueza vão de mão dada compotenciais quedas repentinas e destruição da riqueza. Assim que os mecanismos de valorização do mercado começam a sua espiral descendente não se pode deter a queda simplesmente com mecanismos de formação de preços: torna-se necessário subverter as expectativas. De outra forma, quando as acções estiverem ao preço da chuva, haverá muito pouco dinheiro para comprá-las e demasiado receio de abandonar os portos de abrigo para a popança prudente que aparece em tempos de recessão.
A nova economia tem um fundamento cultural: está baseada na cultura da inovação, a cultura do risco, a cultura da expectativa, e, em última instância, na cultura da esperança no futuro. Só se a dita culturasobreviver aos pessimistas da velha economia da era industrial, é que a nova economia poderá voltar a prosperar».

A cultura Internet
Segundo Castells, a Internet foi produzida pela articulação de quatro estratos de cultura:
1) A cultura tecnomeritocrática da excelência científica e tecnológica que fazia parte de um projecto de dominação mundial. (EUA/União Soviética)
2) A cultura hacker que deu um carácter específico à meritocracia fortalecendo a comunidade informática dos iniciados, tornando-a independente dos poderes de facto. Para os hackers, a liberdade é um valor fundamental, especialmente a liberdade de aceder à sua tecnologia e utilizá-la como lhes aprouver.
3) Formação de comunas on-line que reinventaram a sociedade expandindo consideravelmente a ligação informática em rede, utilizando-a para a vida social (ao contrário dos hackers que praticam a tecnologia pela tecnologia)
4) A cultura empreendedora que viu na Internet a descoberta de um novo planeta, povoado por grandes inovações tecnológicas, novas formas de vida social, novas formas de negócio que converteu a Internet no eixo de comunicação das nossas vidas.
5) «A cultura da Internet é uma cultura construída sobre a crença tecnocrática no progresso humano, praticada por comunidades de hackers que prosperam num ambiente de criatividade tecnológica livre e aberta, assente em redes virtuais, dedicada a reinventar a sociedade, e materializada por empreendedores capitalistas na maneira como a nova economia opera»
A Galáxia Internet – Manuel Castells
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