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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Um poema que andava perdido

julmar, 31.01.10

Epitáfio para uma velha donzela

Não conheceu do amor as vãs complicações

Nem o prazer e as suas decepções

Tiveram a sua vida por frustrada.

Viveu de leve, humilde e afável, encerrada

No mistério sem mito em que morreu.

Da sua vida mais intensa, nada

Chegou ao mundo, que não era seu.

Sobre esta laje fria,

Por memória

Dessa ignorada história,

Inscreveu esta coisa fugidia

Aquele de quem foi secretamente amada.

José Régio

 

Amálgama

julmar, 19.01.10

In Público 19 de Janeiro

«Amálgama. É essa a primeira imagem. Amálgama. A cidade está esfarelada e decomposta. Dissolvida. Os elementos arrancados dos seus compostos e depois misturados. Sapatos com pedaços de ferro. Carros espalmados em paredes de casas. Ecrãs de televisão com comida podre. Amálgama, traduzida na língua dos pesadelos.

Um cadáver no passeio, coberto de moscas. Montanhas de lixo. Cheiro a carne podre misturado com carne queimada. Misturado com cheiro de lixo e pó. Mistura de pó e fedor a cadáver. Fumo, gases de borracha a arder. Mistura de cheiros quentes, orgânicos e cheiros gelados. Mistura de coisas humanas e coisas artificiais, metálicas, tóxicas.

Amálgama horrível de cheiros e sons: os helicópteros a sobrevoar as ruas, gritos, vozes secas, ásperas, e mulheres a cantar, em rituais desesperados, pelos escombros. Mas sobretudo silêncios. Pessoas caladas, vagueando pelas ruas, apressadas, como se soubessem para onde iam. Como se a sua casa ainda existisse, o seu trabalho, os seus amigos. A cidade está atarefada, como se ainda existisse. As pessoas caminham como se fossem para o emprego, ou para a escola, mas vão procurar os seus mortos. Correm como se fossem ao mercado, mas vão em busca de coisas para roubar. Uns, comida e água para sobreviver. Outros querem mais. Uns procuram o que perderam. Outros o que nunca tiveram.

O rapaz guarda a catana no interior do casaco e corre com um riso triunfante, aos tropeções entre os pedaços de betão e barras de aço torcido espalhados na rua, com um pacote de biscoitos na mão. O assalto é organizado de forma rápida e eficaz: alguns membros do gang bloqueiam aquele pedaço de rua, aos gritos, exibindo catanas, facas, tesouras e todo o tipo de objecto contundente e aguçado que conseguiram arranjar, enquanto outros, em fila, trepam pelos escombros do supermercado destruído, esgueiram-se por uma fenda sinistra e saem por outra com o que apanharam. Neste caso, a loja chama-se "Authentic". "Articles diverses", diz numa placa que sobreviveu, rasgada a meio como uma folha de papel.

É uma rua comercial. Havia lojas de um lado e de outro, um grande mercado, vários edifícios altos, de betão, que albergavam empresas. Tudo desfeito como farinha. Um grande armazém é agora uma massa de destroços com um buraco por onde se pode penetrar: vários homens descarregam ordeiramente caixotes para um camião, no meio da balbúrdia geral. Dois buldozers desmontam aos poucos o puzzle do que foi um edifício de escritórios. Os pedregulhos e massas e betão movem-se e cedem com a acção das grandes pás das máquinas, mas isso não afasta de cima dos escombros o enxame de saquadores.»

A primeira leitura do ano

julmar, 15.01.10

 

Um autor que vale a pena ler. Depois de ter lido as identidades assassinas, fiquei ainda mais admirador de Amin Malouf que mais do que ler nos livros experiementou/a e reflecte sobre os problemas/desafios essenciais que se colocam aos povos, às nações, à humanidade.

Sinopse
«Nestes primeiros anos do século XXI, o mundo apresenta numerosos sinais de desregramento. Desregramento intelectual, caracterizado por um ímpeto das afirmações identitárias que torna difícil qualquer coexistência harmoniosa e qualquer verdadeiro debate. Desregramento económico e financeiro, que arrasta todo o planeta para uma zona de turbulências com consequências imprevisíveis e que é o sintoma de uma perturbação do nosso sistema de valores. Desregramento climático, que resulta de uma longa prática da irresponsabilidade...
Terá a humanidade atingido o seu «limiar de incompetência moral?» Neste oportuno retrato do início do milénio, o autor procura compreender como se chegou a esta situação e como se poderá sair dela. Para ele, o desregramento do mundo deve-se menos a uma «guerra das civilizações» do que ao esgotamento simultâneo de todas as nossas civilizações, nomeadamente dos dois conjuntos culturais de que ele próprio se reclama - o Ocidente e o mundo árabe. O primeiro, pouco fiel aos seus próprios valores; o segundo, fechado num impasse histórico.
Um diagnóstico inquietante mas que termina numa nota de esperança: o período tumultuoso em que entramos poderá levar-nos a elaborar uma visão finalmente adulta das nossas prerrogativas, das nossas crenças, das nossas diferenças e do destino do planeta que nos é comum.»

 

Mudança, in Terrear

julmar, 11.01.10

Seigneur,
Donne-moi le courage de changer les choses qui peuvent être changées,
donne-moi la force d'accepter
celles qui ne peuvent être changées. Donne-moi surtout la lucidité
pour distinguer les unes des autres.

Priere d'un homme d'action

 

VIVER DESPENTEADA(o)

julmar, 07.01.10

Recebi muitos votos disto e daquilo que por esta época soi receber-se.

Publico este da Ana, colega de curso da PNL que porei em prática atnto quanto puder

Decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda.  O que é lindo, custa caro.  
O sol que ilumina o teu rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...

- Fazer amor - despenteia.
- Nadar - despenteia
- Pular - despenteia.
- Tirar a roupa - despenteia.
- Brincar - despenteia.
- Dançar - despenteia.

- Dormir - despenteia.

- Beijar com ardor - despenteia.


É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteado
 quem decide andar na montanha russa, que aquele que decide não subir.

Por isso, a minha recomendação a todos:

Entrega-te, come coisas gostosas, beija, abraça,
dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta,
dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para ficares lindo
 ( a ) , arranja-te para ficares confortável,
admira a paisagem, aproveita, e acima de tudo:

Deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear de novo...