Domingo, 29 de Novembro de 2009

Historias e Contos O amor e a loucura

No início dos tempos, reuniram-se todos os sentimentos e qualidades dos homens num lugar da Terra.
Quando o Aborrecimento já se queixava pela terceira vez, a Loucura, como sempre tão louca, propôs-lhes:
- Vamos brincar às escondidas?

A Intriga levantou a sobrancelha intrigada, e a Curiosidade,
sem poder conter-se, perguntou:
- Escondidas? Como é isso?
- É um jogo, explicou a Loucura, em que eu fecho os olhos e
começo a contar de um a um milhão, enquanto vocês se escondem,
e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro que
encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.

O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia, a Alegria deu
tantos saltos que acabou por convencer a Dúvida e até mesmo a
Apatia.
Mas nem todos quiseram participar, a Verdade preferiu não se
esconder...para quê? Se no final todos a encontravam?
A Soberba opinou que era um jogo muito tonto (no fundo, o que
a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela), e a
Cobardia preferiu não se arriscar.

- Um, dois, três, quatro... - começou a Loucura a contar. A primeira a esconder-se foi a Pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.

A subiu ao céu e a Inveja escondeu-se atrás da sombra do Triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da mais alta árvore.

A Generosidade, quase não conseguia esconder-se, pois cada local que encontrava, parecia-lhe maravilhoso para alguns de seus amigos: se era um lago cristalino, ideal para a Beleza. Se era uma árvore, ideal para a Timidez se esconder na sua copa, se era o voo de uma borboleta ou uma rajada de vento, magnífico para a Liberdade. E assim, acabou por esconder-se num raio de sol.

O Egoísmo, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado e cómodo, mas apenas para ele.

A Mentira escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-iris) e a Paixão e o Desejo, no centro dos vulcões.

O Esquecimento, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais importante.

Quando a Loucura estava já pelos 999999, o Amor ainda não tinha encontrado um local para se esconder, pois já todos estavam ocupados, até que encontrou uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre as suas flores.

- "Um milhão", contou a Loucura e começou a busca.

A primeira a aparecer foi a Pressa, apenas a três passos de uma pedra.

O Egoísmo, nem teve que o procurar! Ele saiu disparado sozinho do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.

De tanto caminhar, sentiu sede, e ao aproximar-se de um lago, descobriu a Beleza. A Dúvida foi mais fácil ainda, pois encontrou-a sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado se esconder. E assim, foi encontrando-os a todos.

O Talento entre a erva fresca, a Angústia, numa cova escura, a Mentira atrás do arco-iris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o Esquecimento, que já se tinha esquecido que estava a brincar ás escondidas.

Apenas o Amor não aparecia em local nenhum... A Loucura procurou atrás de cada arvore, por baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas!

Quando estava a ponto de se dar por vencida, encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito.

Os espinhos tinham ferido o Amor nos olhos. A Loucura não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, chorou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.

Desde então, desde que pela primeira vez se brincou as escondidas na Terra...

..o Amor é cego, e a Loucura acompanha-o sempre!

 

De fonte n\ao identificada

publicado por julmar às 19:15
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Sábado, 28 de Novembro de 2009

Da Leitura

 

 

 Não leiais para refutar ou contradizer, para aceitar ou aquiescer, para perorar ou discursar, mas para ponderar e considerar. Certos livros devem ser provados; outros engolidos; uns poucos mastigados e digeridos. Quer dizer: devemos ler certos livros apenas parceladamente; outros incuriosamente, e uns poucos da primeira à última página, com diligência e atenção. Alguns livros podem mesmo ser lidos por terceiros, que nos farão deles um apanhado, mas isso somente no caso de assuntos desimportantes, e de livros medíocres, pois livros resumidos são como água destilada: insípidos.
O ler faz um homem completo, o conferir destro, o escrever exacto. Bem por isso, se alguém escreve pouco, deve ter boa memória; se confere pouco, muita sagacidade; se lê pouco, muita manha para afectar saber o que não sabe.

Francis Bacon, in "Ensaios Civis e Morais"

 

publicado por julmar às 19:15
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Uma leitura diferente

 

Tempos atrás achar-me-ia incapaz de uma leitura como esta. Como a FNAC é um local extraordinário pegei o livro e, sentado confortavelmente, ao som de uma agradável música, li o 1º capítulo. E comprei o livro. Li-o em dois dias. Tornar-me rico vai levar dois anos.

 

publicado por julmar às 18:38
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Sábado, 14 de Novembro de 2009

Poemas Inconjuntos de Fernando Pessoa

À melhor poesia à distãncia de um clique

 

 http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/pe000003.pdf

publicado por julmar às 19:39
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Dia dos Fieis defuntos

Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja esse o sinal para me esquecerem de todo.
A natureza nunca se recorda, e por isso é bela.
E se tiverem a necessidade doentia de «interpretar» a erva verde sobre a minha sepultura,
Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural.

 

Fernando pessoa

publicado por julmar às 19:34
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Domingo, 8 de Novembro de 2009

Os meus mestres

Foi nos anos 70 que me cruzei com ilustres intelectuais: Marx e o marxismo eram o paradigma dominante; o existencialismo tendo como principal expoente J. P. Sartre mas também A. Camus e, na sombra, o existencialismo cristão; E. Mounier e o Personalismo; Havia Freud e os seus derivados ; e havia Foucault; e havia os linguistas Saussure e com eles os estruturalistas dos quais, na antropologia, se destaca como figura ímpar Claude Levi- Strauss.

Será o tempo de reler Tristes Trópicos

 

publicado por julmar às 21:14
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Caim - José Saramago

«A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com Deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele»

 

«Houve um grande silêncio. Depois Caim disse, Agora já podes matar-me, Não posso, palavra de deus não volta atrás, morrerás da tua natural morte na terra abandonada e as aves de rapina virão devorar-te a carne, Sim, depois de tu primeiro me haveres devorado o espírito. A resposta de Deus não chegou a ser ouvida, também a fala seguinte de Caim se perdeu, o mais natural é que tenham argumentado um contra o outro uma vez e muitas, a única coisa que se sabe de ciência certa é que continuam a discutir e que a discutir estão ainda»

O eterno problema do mal que os medievais discutiam mais racionalmente e com mais elevação.

 

publicado por julmar às 19:26
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Sábado, 7 de Novembro de 2009

O Banqueiro anarquista

 

publicado por julmar às 19:20
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