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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Vale a pena Filosofar

julmar, 27.01.08

O que é a filosofia?

«A filosofia é como uma árvore cujas raízes são a metafísica, o tronco a física, e os ramos são as outras ciências, que se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral, entendendo eu por moral a mais elevada e perfeita que, pressupondo um conhecimento integral das outras ciências, constitui o último grau de sabedoria»

E que entende Descartes por sabedoria?

«A palavra filosofia significa estudo da sabedoria, e por sabedoria não se entenda apenas a prudência nos negócios mas um conhecimento perfeito de todas as coisas que ao homem é dado saber, tanto para a conduta da sua vida, como para a manutenção da saúde e invenção de todas as artes»

Como conseguir o conhecimento que nos leva à sabedoria?

«É necessário deduzi-lo das primeiras causas ou princípios e a isso se chama filosofar»

Vale a pena filosofar?

«… só ela nos distingue dos mais selvagens e bárbaros; cada civilização é tanto mais civilizada e polida quanto melhor os homens aí filosofam; o maior bem de um Estado ´e possuir verdadeiros filósofos …Viver sem filosofar é precisamente como ter os olhos fechados e não tentar abri-los. O prazer de ver tudo o que a nossa vista alcança não é sequer comparável à satisfação dada pelo conhecimento pelo adquirido através da filosofia. Em suma, este estudo é mais necessário para regrarmos os costumes  e para nos conduzirmos nesta vida que usarmos os olhos para guiar os nossos passos»

Os princípios da Filosofia, René Descartes

O Ensino da Matemática

julmar, 24.01.08

Entre muitas razões porque tantos dos nossos alunos não sabem matemática uma delas é porque têm mau ensino. Pergunto-me como é possivel mandar uma tão extensa ficha para trabalho de casa sem qualquer objectivo visível. Porém atente-se na última questão, a questão 8.Quem consegue responder à questão 8.2. ?

E a ficha de impressão de má qualidade, deve ser antiga porque na ficha que o professor entregou, riscou 30$00.

8. O sr Ferreira colheu 1500 maçãs no seu pomar. Gastou 6 centos com a sua família e ofereceu 25 dezenas . As restantes foram vendidas a 0,50 o quilo.

8.1. Calcula o número de maçãs que foram vendidas.

8.2. Quanto dinheiro ganhou o sr Ferreira na venda das maçãs?

sobre a educação - retirado do Bitaites

julmar, 21.01.08
“Que presente melhor poderíamos oferecer à República além de educar os nossos jovens?” Cícero

Escreveu Mao Tse-Tung (cito de memória) que “um caminho demasiado plano não desenvolve os músculos das pernas”. E que bem se adaptam estas sentenciosas palavras a um ensino facilitador – como o nosso - em que alunos há que saem com diplomas do ensino básico mal sabendo ler e escrever. Como sempre, as excepções mais não fazem que confirmar a regra.

O “caminho demasiado plano” dos três ciclos do ensino básico faz com que os alunos circulem velozmente em auto-estradas sem paragens e quaisquer percalços, mas, deparando-se com a primeira portagem a pagamento para prosseguirem os exigentes ensinos secundário e universitário e levando as mãos às algibeiras, verificam ter os bolsos vazios de conhecimento e cheios de cotão de ignorância. Mas não se pense que este é apenas um mau fado da gente lusitana!

Charles Sykes, docente da Universidade de Wisconsin-Milwake e palestrante nas principais universidades norte-americanas, no seu livro “Dumbing Down our Kids” (New York: St. Martin’s Press, 1995) dá-nos conta de princípios que os estudantes do ensino secundário e diplomados do ensino superior não aprendem na escola pelo facto de o “sistema” criar uma geração de jovens sem o sentido da realidade promotora do respectivo falhanço na vida que os espera no futuro. Para que os estudantes possam vir a ter sucesso na vida profissional, estabeleceu onze regras (que têm sido na Net atribuídas erradamente a Bill Gates):

Regra n.º 1: “A vida não é justa; acostuma-te a isso”.
Regra n.º 2 “O mundo não se importa com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa por ele para te sentires bem contigo próprio”.
Regra n.º 3: “Não ganharás 40.000 dólares por ano mal saias da escola secundária. Não serás um vice-presidente com carro e telefone ao teu dispor até os mereceres”.
Regra n.º 4: “Se achas que o teu professor é exigente, espera até teres um patrão. Este não será tolerante”.
Regra n.º 5: “Fazeres hamburgueres não rebaixará a tua dignidade. Os teus avós têm uma expressão diferente para isso – chamam-lhe oportunidade.”
Regra n.º 6: “Se fracassares não é por culpa dos teus pais. Por isso, não lamentes pelos teus erros. Aprende com eles.”
Regra n.º 7: “Antes de nasceres, os teus pais não eram tão aborrecidos como são agora. Tornaram assim ao pagarem as tuas contas, limparem o teu quarto e se aperceberem do teu grande idealismo. Por isso, antes de exterminares os parasitas que julgas serem a geração dos teus pais, tenta arrumar o teu quarto.”
Regra n.º 8: “A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e vencidos, mas a vida não. Em algumas escolas aboliram as reprovações dando-te todas as oportunidades que queres para dares a resposta correcta. Isto, naturalmente, não tem a menor semelhança com NADA da vida real.
Regra n.º 9: “A vida não se divide em semestres. Não terás verões livres e poucos empregadores estão interessados em te ajudar a encontrares-te contigo próprio. Fá-lo-ás só por ti.
Regra n.º 10: “A televisão não é a vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar a vida de café e ir trabalhar."
Regra n.º 11: “Sê simpático para com os patetas. Há uma probabilidade de vires a trabalhar para um.”

Face ao facilitismo que também assentou arraiais no nosso país, não será chegada a altura das entidades ministeriais competentes oferecerem à República Portuguesa um sistema educativo de qualidade e sem ser a duas velocidades? Por um lado, demorado e nalguns casos exigente para jovens que são obrigados a satisfazer um percurso académico normal. E, por outro lado, deveras permissivo e rápido no caso de adultos na obtenção do diploma do 12.º ano de escolaridade, através do Programa de Novas Oportunidades, e complemento de habilitações em universidades privadas, a fim de passarem de bacharel a licenciado num percurso académico do tipo “Morangos com Açúcar”!

A Sanha da ASAE ou a sanha de Miguel Sousa Tavares?

julmar, 12.01.08

Quem jogar bem com as palavras (MST é mestre) consegue com naturalidade levar a água ao seu moinho, puxar brasa à sua sardinha, isto é, defender os seus interesses, parecendo estar a defender uma causa tão essencial que a todos deveria congregar. Só que desta vez nem os dotes retóricos conseguem disfarçar o interesse mesquinho e pessoal do cronista (diário de um clandestino). Disse cronista e não comentador. Estou de acordo com o MST: Não paro de me espantar: não como ele «em relação à facilidade com que os católicos resolvem alguns problemas complicados de consciência e de culpa» mas à maneira como o MST torna o seu problema pessoal  em relação ao tabaco um problema de política nacional, um problema de regime. Não se contentando com o fascismo caseiro de bufos e pides compara os portugueses (dois milhões!) obrigados a ir para as ruas fumar aos primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi. É verdade que não chega a avançar resposta à pergunta: «Será que aguentaremos o gueto sem nos revoltarmos»? Mas não seria de estranhar, corajoso como é, que de ameaças de partir a cara a quem critica a sua escrita passasse a vias de facto e comandasse – e para esse comando contaria com outros generais  como Luís Nazaré, Pires de Lima – o maior exército já visto em Portugal formado de dois milhões de portugueses e portuguesas ( que na luta pela igualdade de género conseguiram esta importante conquista). Naturalmente, não é fácil mobilizar e organizar um exército tão grande e heterogéneo: Homens e mulheres, solteiros e casados, ricos e pobres, devotas freiras e mulheres de vida dita fácil, homens da ASAE vestidos à civil, patrões e operários, civis e militares, clérigos e leigos, escritores exímios e analfabetos de pai e mãe, crentes e ateus, fascistas e democratas … e muitos, muitos velhinhos (as velhinhas são uma raridade, por razões que todos sabemos), velhinhos reformados e que o nosso imaginário vê sempre como pobres e reformados a jogar as cartas e dominó reconfortados por um copo de tinto … e um cigarro. Eles são o nosso modelo: como poderíamos imaginar-nos velhinhos sem o conforto de um cigarro? É em nome deste futuro que este exército tem de se bater. É em nome do fumo que se avançará contra os canhões da ASAE, colocando os velhinhos à frente - assim como assim eles já não vão durar muito – ao som do hino nacional e todos de cigarro na boca, criando uma tamanha nuvem de fumo que até o D. Sebastião poderá aproveitar para o seu reaparecimento. O que se espera é que não haja covardes, traidores, desertores e que deixem o Miguel sozinho a pregar no Expresso e no terreno à frente do exército de velhinhos que estes acham que já é tarde demais para saber  o prazer que é viver sem fumar.

O tabaco e MST

julmar, 05.01.08

Há dois assuntos sobre os quais MIguel de Sousa Tavares não deveria escrever: Futebol Clube do Porto e Tabaco. Eu que, em geral, aprecio a sua forma frontal e objectiva de abordar os problemas não posso deixar de lamentar a forma apaixonada e irracional com que trata ostemas referidos. Quanto ao seu artigo no Expresso de 5 de Janeiro, nomeadamente no excesso de linguagem, só o posso comparar a Vasco Pulido Valente (VPV). Depois parece que fumar é um direito comparável ao direito à saúde, à educação ... Enfim, queixa-se da perseguição aos fumadores, dos atentados à liberdade individual (de fumar) ... ainda não se deu conta que exactamente não consegue que é impotente e que é escravo dum seu comportamento. Vá lá Miguel, tente deixar de fumar! É difícil? Claro que é! Eu foi a coisa mais difícil que fiz na vida. Mas vai ver que vale a pena e que sentirá uma liberdade grande. É preferível a intoxicar a opinião pública e confundi-la msiturando fiscais com Pides e bufos.

Deixe lá «o velhote que se senta na mesma mesa da tasca do bairro para jogar dominó com os amigos e ascender um cigarro para queimar o frio e a tristeza» Que lhe interessa a si a vida do velhote, senão a poesia que emana do quadro? Fracos  argumentos

O Ataque à razão – AL Gore

julmar, 05.01.08

Um livro que faz bem. Porque se empenha na defesa dos valores que erigiram a nossa civilização naquilo que ela tem de melhor: a defesa da dignidade humana que assenta nos progressos conquistados ao longo da história: na democracia grega, na república romana, nos iluministas que constituem o fundamento da constituição americana.

Importante pela denúncia dos desvarios da Administração Bush que encarna o ataque à razão.

É uma obra aconselhável a todos que querem um mundo racional e seria de grande proveito aos que defenderam a invasão do Iraque e enalteceram a visão política de G. Bush.

«Hoje em dia, a razão está a ser alvo de um ataque por forças que utilizam técnicas mais sofisticadas: a propaganda, a psicologia e os meios electrónicos da comunicação de massas. No entanto os defensores da democracia também estão a começar a utilizar técnicas sofisticadas: A Internet, a mobilização on-line, os blogs e os wikis. Sinto-me mais confiante do que nunca em que a democracia prevalecerá, e sinto que o povo americano está a responder ao desafio de revivificar o autogoverno.»