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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

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As anotações de Júlio Marques.

Lendo Dalai Lama

julmar, 03.08.07

Já o disse uma vez que um livro bom é um livro que nos faz bem. Como um livro cheio de simplicidade como «Os Conselhos do Coração» do Dalai Lama. Atingir a simplicidade não é obra fácil … nem simples. Pois. Este livro é o oposto à filosofia essa actividade de complicar o simples … ou de expressar as coisas simples de maneira complexa. É mesmo preferível ler Dalai Lama.

«Não é preciso reflectir muito para constatar que todos os seres procuram espontaneamente a felicidade e detestam sofrer. E nem sequer é possível, encontrar um único insecto que não faça tudo o que pode para fugir ao sofrimento e se sentir bem. Como os humanos têm além do mais a capacidade de reflexão, o meu primeiro conselho é utilizá-la convenientemente.

O prazer e o sofrimento baseiam-se nas percepções sensoriais e na satisfação interior. Para nós, a satisfação interior é o elemento mais importante. Ela é especificamente humana. Com raras excepções os animais são incapazes de o sentir.

Esta satisfação caracteriza-se pela paz. Tem raiz na generosidade, na honestidade e naquilo a que chamo comportamento moral, isto é, um comportamento que respeita  o direito dos outros à felicidade.

Uma grande parte dos nossos sofrimentos vem do facto de termos demasiados pensamentos. Além disso, não pensamos de uma maneira sadia. Só nos interessa a satisfação imediata, sem considerarmos a longo prazo as vantagens e os inconvenientes que ela nos possa trazer a nós e aos outros. Ora esta atitude acaba sempre por voltar-se contra nós. È certo e seguro que basta mudar a nossa maneira de ver as coisas para reduzir as nossas dificuldades actuais e evitar a criação de dificuldades futuras.

Alguns dos sofrimentos como os do nascimento, da doença, da velhice e da morte, são inevitáveis. A única coisa que podemos fazer é reduzir o medo deles. Mas muitos dos problemas do mundo, desde as disputas conjugais às guerras mais devastadoras, podiam ser evitadas muito simplesmente se adoptássemos uma atitude mais sadia. Se não reflectirmos correctamente, se tivermos vistas demasiado curtas, se os nossos métodos carecerem de profundidade e não considerarmos as coisas com um espírito aberto e tranquilo, acabamos por transformar em grandes dificuldades aquilo que à partida não passava de problemas insignificantes. Por outras palavras somos nós que fabricamos um grande número dos nossos sofrimentos. Era isto que eu queria dizer para começar»

In, Conselhos do Coração – Dalai Lama