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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

O dia em que nasci moura e pereça

julmar, 30.03.07
Camões também sabia por «saber de experiência feito» que «há dias em que não se deve sair à rua».

O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.

A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

                     Luís de Camões

“A única revolução possível é dentro de nós” - Ghandi

julmar, 28.03.07

Quanto tempo levaremos a aprendê-lo?

Não é possível libertar um povo, sem antes, livrar-se da escravidão de si mesmo.

Sem esta qualquer outra é insignificante, efémera, ilusória, quando não mesmo um retrocesso.Cada pessoa tem a sua própria caminhada.

Faça o melhor que puder.

Seja o melhor que puder.

O resultado virá na mesma proporção do seu esforço.

Compreenda que, se não veio, cumpre-lhe a si ( a mim e a todos) modificar as suas (as nossas) técnicas, visões, verdades, etc.

A nossa caminhada apenas termina no túmulo.

Ou até mesmo além…

Segue a essência de quem teve

Sucesso em vencer um império…

Vivam Apenas - José Gomes Ferreira

julmar, 19.03.07


Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.

Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!

Crime e castigo - Amora da Silva

julmar, 14.03.07

   De vez em quando fazem-se Conselhos de Turma por motivos disciplinares.  Às vezes, é o comportamento de um aluno que está em causa. Não é incomum as reuniões demorarem duas ou três horas para se chegar a conclusão nenhuma, ou a medidas completamente inócuas. Claro que as contas nas instituições do Estado não se fazem. Numa reunião com a duração de três horas, do 3º ciclo em que participem 13 professores, são gastas 39 horas.

      Multiplique-se pelo preço hora e veja-se quanto se gasta.

Claro que os verdadeiros castigados são os professores. Ou o Estado que desperdiça recursos. Porque o aluno, de acordo com a ideologia dominante mesmo na classe dos professores, tem circunstâncias suficientes que justificam o seu comportamento. O castigo há-de ser sempre uma coisa tão almofadada e apaparicada que em vez de dor será prazer, isto é, prémio.

E nestas coisas o importante é o essencial. O essencial é o que não muda: o que não muda na modelação do comportamento é simples: O homem evita a dor e procura o prazer, ou formulado de forma mais culta traduz-se no princípio do prazer e no princípio da realidade. A educação, hodiernamente, situa-se no polo do prazer e os resultados estão à vista. O hedonismo é o clima em que se vive. E o clima é, para a educação e para a cultura, fatal.

Ciência e Paciência I - Amora da Silva

julmar, 09.03.07

A ministra quer refoçar a autoridade das escolas e dos professores. É uma intenção louvável. Mas ainda que agilize alguns dos instrumentos os resultados hão-de ser nulos porque a indisciplina e violência não passam por aí. Como não passam pela criação de uma disciplina de Formação Cívica cujos resultados são nulos. À escola foram-lhe, nos últimos anos, somando funções até desaparecer aquela que deve ser a função central: Ensinar. E, de o dizer assim, sinto já os zelozos cultores das Ciências de Educação com os cabelos em pé. A escola é um espaço de saber, de transmissão de saber. Um espaço de ciência. E é na medida que se estudam as disciplinas que se adquire a disciplina.

Porque os professores se demitiram de ensinar ciência (porque eles próprios já a não têm, ou porque lhes disseram que isso era coisa secundária) é que precisam de ter cada vez mais paciência. Houve-se cada vez mais aos professores da sua satisfação em conseguirem controlá-los durante 90 minutos mesmo que não tenham rigorosamente ensinado coisa alguma.