Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006

O que é a Filosofia?

Mais um reencontro com Gilles Deleuze sobre uma questão que quase sempre é tratada pelo senso comum filosófico. É um grato prazer ao encontrarmos um texto sobre algo que queríamos dizer mas não havíamos ainda encontrado as palavras certas.

«É por isso que o filósofo não tem grande gosto em discutir. Qualquer filósofo se põe a fugir quando ouve a frase: vamos discutir um bocado. As discussões são boas para as mesas redondas, mas a filosofia lança os eus dados cifrados para cima de outra mesa.O mínimo que pode dizer das discussões é que não fazem avançar o trabalho, visto que os interlocutores nunca falam da mesma coisa. Que alguém tenha uma opinião e pense isto em vez de aquilo que importância tem para a filosofia, enquanto os problemas em jogo não forem ditos? E quando forem ditos, não se tratará jé de discutir, mas de criar conceitos indiscutíveis para o problema que nos destinámos. A comunicação vem sempre demasiado cedo ou demasiado tarde e a conversa está sempre a mais, em relação ao criar. Tem-se por vezes da filosofia a ideia de uma perpétua discussão como ‘racionalidade comunicacional’ ou como ‘conversa democrática universal’, Nada mais falso, e quando um filósofo critica outro, é a partir de problemas e num plano que não eram os do outro, e que fazem derreter-se os antigos conceitos como se pode derreter um canhão para fazer novas armas. Nunca se está no mesmo plano. Criticar é apenas verificar que um conceito desaparece, perde as suas componentes ou adquire outras que o transformam, quando está mergulhado num meio novo. Mas os que criticam sem criar, os que se contentam em defender o desaparecido sem lhe saber dar a força para voltar à vida, esses são a praga da filosofia. É o ressentimento que os anima, a todos esses discutidores, esses comunicadores. Só falam de si próprios fazendo confrontarem-se generalidades vazias. A filosofia tem horror a discussões. Tem sempre outra coisa para fazer»

O que é a Filosofia?

Gilles Deleuze e Félix Guattari

Ed. Presença

publicado por julmar às 23:08
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

O entardecer

Na aldeia sente-se de forma diferente. O fim de Agosto é o fim do Verão, das festas, das férias. O entardecer suave e morno é cada vez mais cedo.
publicado por julmar às 10:20
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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006

Beira raiana

Meu caro Afonso Leonardo

Falas-me das tuas férias à beira-mar e do mar de gente que à praia ocorre e de te como é difícil encontrares um lugar para estenderes a toalha; e de como na água não podes dar as braçadas largas de que gostas; e de como não encontras lugar para estacionares o teu carro; e de como tens de esperar para comprar um simples jornal; e de como te recusas a ir para uma fila à espera que vague uma mesa no restaurante; e de como à noite a confusão continua nas ruas apinhadas de gente. Chego a ter pena de ti que gostas da areia da praia, da água e do sol mas que nas circunstâncias descritas se tornam um pesadelo.

Aqui pelas aldeias raianas tudo é diferente. Aqui acorrem os emigrantes  no mês de Agosto e outros de Lisboa e outras zonas do país. A maior parte das pessoas é afável e procura ser prestável. Há uma grande diversidade de línguas e de gerações. Bebe-se vinho nas adêgas particulares acompanhado de presunto, chouriço e queijo; às vezes alguém se lembra de fazer uma pândega e come-se borrego ou simplesmente uma punheta de bacalhau. Quase todas as terras raianas têm as suas capeias. E não faltam festas onde para além da parte religiosa têm a parte profana feita de jogos populares, de bailes que entram pela madrugada fora, animados por acordeonistas ou por conjuntos com aquelas músicas de gosto pimba mas que conferem grande animação.

E assim se faz Portugal.

Um abraço do Luís

publicado por julmar às 09:51
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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006

...

Interpretação:  Amália Rodrigues

Música: Fado Victoria
Letra: Pedro Homem de Melo


Pena é que, por preconceito, continuemos a associar o fado à ditadura do Estado Novo.


Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

publicado por julmar às 18:35
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006

O país das telenovelas

Simão num dia fica, noutro dia sai; depois já nã sai, fica ... em dias e semanas seguidas.

Nos blogues temos a novela do Abrupto em que um génio maligno, parece que vindo da Califórnia, vem desinquietar Pacheco Pereira que, quer se trate de um caso real ou de um produto da imaginação, preenche o seu ego conspirativo.

publicado por julmar às 23:00
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