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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

A cigarra e a formiga

julmar, 28.07.06

Tendo cantado
Todo o verão, a cigarra
Quando o Inverno chegou
Não tinha um único pedaço
De mosca ou bichito.
Ela foi queixar-se da sua fome
Em casa da formiga, sua vizinha,
Pedindo-lhe para lhe emprestar
Algum grão para subsistir
Até à nova estação.
"Eu pagar-vos-ei, diz-lhe ela,
Antes de Agosto, palavra de animal,
Juros e capital."
A formiga não é amiga de emprestar:
É o seu menor defeito.
"O que fizestes no verão?"
Diz ela a esta leviana.
"Noite e dia indo e vindo
Eu cantava, não vos desagrada"
"Vós cantáveis? Eu fico muito contente com isso:
Pois bem! Agora dançai."

Bom jornalismo

julmar, 26.07.06

Para Pacheco Pereira logo que se diga bem do capitalismo, do neoliberalismo, de Bush e da América (=E.U.A), de Israel é considerado bom jornalismo. Tudo o que seja contra é mau jornalismo. Por muitas voltas que dê, por muitas análises finas que faça, por muitos distinguo que elabore obedecem todos a um a priori de que não interessam as consequências. Por isso, não precisamos de ler o que escreve P.P. . A não ser que nos escape ou não nos ocorra algum argumento para provar a tese que ab initio se encontra lá como se os deuses assim o tivessem estabelecido.

Ele juntamente com os foruns da TSF seriam suficientes para governar o país em termos de opinião. O dia em que ele admitir que se enganou, se eu andar distraído, avisem-me! Na verdade, só se engana quem interpreta factos e não quem enuncia princípios.

A minha geração

julmar, 23.07.06

«A minha geração sofreu três gravíssimas contrariedades: primeiro aprendeu o mundo pelos compêndios do salazarismo. Depois pela vulgata marxista. A seguir veio o ruído insuportável do entertainmentIn A Natureza do mal

Mas quem vence as contrariedades cresce. Essa é a grande vantagem da minha geração: cortar grilhões com que nos quiseram domar a alma. O mal das gerações que se seguiram foi darem-lhe os caminhos todos sem lhe ensinar nenhum temendo coarctar uma liberdade que não podia existir vagamente. Porque não tiveram tutores rastejam pelo chão; porque não sofreram ventos têm fracas as raízes; porque viveram na sombra não dão flores e se dão flores são flores sem fruto. As limitações e os obstáculos são a condição do crescimento.

O Nominalismo na escola

julmar, 21.07.06

Quem pensa que o nominalismo é uma questão da Idade Média (séc. XI e XII) está muito enganado. Com uma diferença: Na Idade Média punha-se a questão que dava origem a acesos debates universitários quantas vezes resolvidos com o argumento bacolino; hoje pratica-se, sem consciência. O importante nem é a palavra, mas as palavras que, baratas como são, delas se não faz economia. E nisto deixou de existir a que nos permitia a confiança nos outros: palavra de honra. Com ela acabou também o homem de palavra. Quando muito cultiva-se a palavra não para exprimirmos com correcção o que pensamos mas para impressionar o outro ou para eficazmente o enganarmos.

A lei da rasoira

julmar, 17.07.06

É esta uma das leis nacionais.  Mais uma vez se manifestou a propósito da repetição de exames. Os sindicatos há muito tempo que não sabem o que se passa nas escolas; os jornalistas, por preguiça e porque a análise objectiva não é sensacional nem espectacular e os pais porque duas oportunidades é o dobro de uma. Ninguém se deu ao trabalho de se esclarecer primeiro e falar depois. Ao ministério da Educação competia prestar esclarecimento que evitasse tudo isto. Ao comentador Marcelo que mais do que ninguém sabe o que deve dizer para manter o auditório interessado.

A lei da rasoira pretende fazer justiça tratando tudo e todos por igual independentemente das circunstâncias.

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