Sexta-feira, 28 de Julho de 2006

Até que enfim!

Depois do negócio, o ócio
publicado por julmar às 11:50
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A cigarra e a formiga

Tendo cantado
Todo o verão, a cigarra
Quando o Inverno chegou
Não tinha um único pedaço
De mosca ou bichito.
Ela foi queixar-se da sua fome
Em casa da formiga, sua vizinha,
Pedindo-lhe para lhe emprestar
Algum grão para subsistir
Até à nova estação.
"Eu pagar-vos-ei, diz-lhe ela,
Antes de Agosto, palavra de animal,
Juros e capital."
A formiga não é amiga de emprestar:
É o seu menor defeito.
"O que fizestes no verão?"
Diz ela a esta leviana.
"Noite e dia indo e vindo
Eu cantava, não vos desagrada"
"Vós cantáveis? Eu fico muito contente com isso:
Pois bem! Agora dançai."

publicado por julmar às 11:48
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

Bom jornalismo

Para Pacheco Pereira logo que se diga bem do capitalismo, do neoliberalismo, de Bush e da América (=E.U.A), de Israel é considerado bom jornalismo. Tudo o que seja contra é mau jornalismo. Por muitas voltas que dê, por muitas análises finas que faça, por muitos distinguo que elabore obedecem todos a um a priori de que não interessam as consequências. Por isso, não precisamos de ler o que escreve P.P. . A não ser que nos escape ou não nos ocorra algum argumento para provar a tese que ab initio se encontra lá como se os deuses assim o tivessem estabelecido.

Ele juntamente com os foruns da TSF seriam suficientes para governar o país em termos de opinião. O dia em que ele admitir que se enganou, se eu andar distraído, avisem-me! Na verdade, só se engana quem interpreta factos e não quem enuncia princípios.

publicado por julmar às 22:31
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O Direito à preguiça

Dedicatória à formiga que odeia as cigarras

«Sejamos preguiçosos em tudo excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos»

Lessing

publicado por julmar às 08:52
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Domingo, 23 de Julho de 2006

Lapidações

«Também no mar se morre à sede»
publicado por julmar às 18:25
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A minha geração

«A minha geração sofreu três gravíssimas contrariedades: primeiro aprendeu o mundo pelos compêndios do salazarismo. Depois pela vulgata marxista. A seguir veio o ruído insuportável do entertainmentIn A Natureza do mal

Mas quem vence as contrariedades cresce. Essa é a grande vantagem da minha geração: cortar grilhões com que nos quiseram domar a alma. O mal das gerações que se seguiram foi darem-lhe os caminhos todos sem lhe ensinar nenhum temendo coarctar uma liberdade que não podia existir vagamente. Porque não tiveram tutores rastejam pelo chão; porque não sofreram ventos têm fracas as raízes; porque viveram na sombra não dão flores e se dão flores são flores sem fruto. As limitações e os obstáculos são a condição do crescimento.

publicado por julmar às 18:11
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

O Nominalismo na escola

Quem pensa que o nominalismo é uma questão da Idade Média (séc. XI e XII) está muito enganado. Com uma diferença: Na Idade Média punha-se a questão que dava origem a acesos debates universitários quantas vezes resolvidos com o argumento bacolino; hoje pratica-se, sem consciência. O importante nem é a palavra, mas as palavras que, baratas como são, delas se não faz economia. E nisto deixou de existir a que nos permitia a confiança nos outros: palavra de honra. Com ela acabou também o homem de palavra. Quando muito cultiva-se a palavra não para exprimirmos com correcção o que pensamos mas para impressionar o outro ou para eficazmente o enganarmos.

publicado por julmar às 07:54
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

Leis de Murphy

Lei de Freeman: 

        Nada é tão simples que não possa ser mal entendido.

publicado por julmar às 22:20
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006

leis de murphy

163. Menção de Grossman

Problemas complexos tem soluções simples, fáceis de entender e erradas.

publicado por julmar às 17:55
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2006

A lei da rasoira

É esta uma das leis nacionais.  Mais uma vez se manifestou a propósito da repetição de exames. Os sindicatos há muito tempo que não sabem o que se passa nas escolas; os jornalistas, por preguiça e porque a análise objectiva não é sensacional nem espectacular e os pais porque duas oportunidades é o dobro de uma. Ninguém se deu ao trabalho de se esclarecer primeiro e falar depois. Ao ministério da Educação competia prestar esclarecimento que evitasse tudo isto. Ao comentador Marcelo que mais do que ninguém sabe o que deve dizer para manter o auditório interessado.

A lei da rasoira pretende fazer justiça tratando tudo e todos por igual independentemente das circunstâncias.

publicado por julmar às 17:15
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Sábado, 15 de Julho de 2006

Sócrates

Destesto os jornalistas que fazem perguntas e não deixam o entrevistado responder. Porque as fazem, então? Foi o que aconteceu com Maria João Avilez na entrevista ao 1º Ministro. Bem fez este: - Não já que me perguntou vai ter que deixam-me responder. E respondeu.

Sócrates ganhou o país nas eleições e continua a ganhá-lo no governo em cada dia que passa. Mesmo tomando medidas impopulares. A verdade é que ele é o maestro e não permite em público desarmonia. Fala verdade porque fala com convicção. Sabe o que quer e toma medidas para o conseguir. Desde o Marquês de Pombal que não tínhamos um governante assim. A oposição não encontra melhor que falar de arrogância e propaganda. Era bom que fosse aprendendo alguma coisa.. 

publicado por julmar às 22:50
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006

Quantânamo

Como é possível Pacheco Pereira continuar a defender a política de Bush nquilo que tem de mais horroroso?
publicado por julmar às 23:54
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Honra e proveito

Andou mal a selecção quando se quis isentar do pagamento do IRS sobre o prémio recebido por terem chegado onde chegaram. Quando se mistura a honra com o preço nem se merece uma nem outro. Os jogadores, coitados, não fazem estas destrinças! Entendem a linguagem comum do dinheiro que é a linguagem dos mercenários. Porque misturariam a bandeira  e o hino nisto tudo?
publicado por julmar às 23:14
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Cair em si

Outros nunca se dão conta, até que um dia a (pouca) sorte lhe bate à porta e se dá a implosão: destroços, estilhaços, cacos, de rastos pelo chão. Pode ser o princípio da humanização.
publicado por julmar às 22:39
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Dar-se conta

Esta é uma das expressões mais ricas que nos dá conta da nossa humana maneira de ser e onde reside a fonte do filosofar porque traduz o que vulgarmente designamos por consciência.

A vida, a aprendizagem, a filosofia, todas radicam nesse dar-se conta que tem sempre um não sei quê de estranheza e de admiração.

Pobres, pobres são os que não se dão conta por apenas passarem o tempo a fazerem contas e a deitar contas à vida numa ginástica mental toda dedicada à contabilidade.

publicado por julmar às 07:57
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Badameco

De acordo com o dicionário da Porto Editora, badameco:«s.m. antiga pasta escolar; pop. indivíduo sem importância; rapazola atrevido. (lat. Vademecum)».

 E é na origem etimológica que a maior parte das vezes captamos o sentido genuíno das palavras que usadas por tantos durante tanto tempo se vão adulterando no su significar. No caso presente a origem está no verbo latino Vade com  a preposição cum e o pronome pessoal me. É no caso, uma espécie de bloco de notas onde se regista a intuição fugidia, o acontecimento relevante, a reflexão incompleta para que não se percam no turbilhão do devir.

publicado por julmar às 07:43
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006

Lendo Pico de la Mirandola

"Não te dei, ó Adão, nem rosto, nem um lugar que te seja próprio,

nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus

dons, os desejes, os conquistes e sejas tu mesmo a possui-los.

Encerra a natureza outras espécies em leis por mim estabelecidas.

Mas tu, que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio,

em cujas mãos te coloquei, te defines a ti próprio. Coloquei-te no

centro do mundo, para que melhor possas contemplar o que o mundo

contém. Não te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem

imortal, para que tu, livremente, tal como um bom pintor ou um hábil

escultor, dês acabamento à forma que te é própria".

(Pico de la Mirandola).

publicado por julmar às 12:47
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006

Um olhar sobre nós

Retirado do Abrupto de Pacheco Pereira, um dos pucos que entre nós procura ser dar voz à nossa  consciência profunda. Razão suficiente para esquecer divergências superficiais.

João Leal, Antropologia em Portugal. Mestres, Percursos, Transições, Livros Horizonte, 2006

Excelente, excelente livro para ler nestes dias em que os portugueses oferecem ao antropólogo (e ao sociólogo) do futuro muitos materiais de análise! Quando quase nada um curioso podia encontrar sobre Portugal, havia sempre as recolhas de contos e lendas, os estudos de Jorge Dias, os desenhos de Galhano, os livros desirmanados (faltava sempre um volume) de Leite de Vasconcelos. Era por eles que se ia a Vilarinho das Furnas, era por eles que se ia a Rio de Onor. Por eles e pelo mito de que havia comunismo primitivo, como os clássicos descreviam e nós acreditávamos. Em Rio de Onor, em Guadramil (por onde atravessei a fronteira clandestinamente), mais tarde no Barroso. Foi por um destes "mestres", Cutileiro, que me interessei pelos trabalhadores rurais alentejanos. Encontrá-los todos numa história da génese da antropologia em Portugal e perceber os seus passos contraditórios, mas seguros, é o mérito deste livro. Eles, sim, eram patriotas.
publicado por julmar às 08:27
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Sábado, 8 de Julho de 2006

Novas Oportunidades

"Novas Oportunidades" é uma das políticas centrais do Governo numa tentativa de qualificar aqueles que na idade adequada o não foram. Por muitas razões. Razões que continuam e que originam uma situação permanente de indivíduos que abandonam a escola ou que continuando nela a terminam sem terem adquirido as competências que deviam. Uma ideologia igualitária desde o 25 de Abri e que presidiu à instauração do Ensino Unificado é a responsável por muitos jovens sairem da escola sem qualificação ao nível da formação humanística, científica e técnica. Quis-se abolir com as diferenças (económicas,sociais, culturais) acabando com a divisão ensino liceal (pressupostamente para os ricos) e o ensino técnico (pressupostamente para os pobres) adoptando o modelo liceal para todos. Os ricos continuaram a ter sucesso e os pobres começaram a ser insucedidos e a abandonarem a escola ou a treminá-la sem competências, nomeadamente profissionais. A escola única tornou-se um dogma sendo heresia discuti-los. Construiram-se mais uma quantidade de frases e slogans sobre a escola igual para todos  mais a escola inclusiva com grupos de tabalho, investigadores, organizações no ministério central e suas delegações regionais num apostolado que cuidava mais das ideias do que dos indivíduos objectos de tanta proclamação.Por isso, não se podiam fazer turmas de repetentes; por isso não se podiam fazer turmas de nível; o importante era atender cada um deforma individualizada dentro da turma; respeitar o ritmo e o estilo de aprendizagem de cada um mesmo que porventura ese um não respeitasse ninguém.

A escola que no discurso se queria unificada e integradora, não fazia mais do que segregar e excluir de forma crescente aqueles a quem o fato não servia. Teimaram em que o fato era próprio e que para os mais disformes bastaria fazer-lhe alguns arranjos. Desse modo começaram, apartir do mesmo modelo, a fazer, primeiro fatos adaptados; depois fatos flexíveis;e, quando nem uma coisa nem outra resultava , fizeram fatos alternativos ( que eram fatos muito ridículos feitos de pedacinhos de tecidos vários, com muitas cores, com mangas desiguais, ombros descaídos, com alinhavos por tirar, partes por cozer e com mutos rasgões. Mas havia costureiras e alfaiates que adoravam estes fatos e que se dedicaram inteiramente a a eles. Diziam que eram muito criativos e que fizessem da maneira que fizessem eram sempre um êxito). Mas havia fatos que não tinham jeito com que seria uma vergonha sair à rua. Para esses e que são muitos o Governo criou as novas oportunidades. O problema é que eles já estão tão habituados aos fatos ridículos que trazem que não estão dispostos a ter senão fatos ridículos que, de resto, é o que os novos (os mesmos) costureiros estão dispostos a confeccionar. Enquanto não tivermos um ensino técnico organizado havemos de ter uma cada vez maior multidão de maltrapilhos.

 

publicado por julmar às 16:25
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Sexta-feira, 7 de Julho de 2006

Má acentuaçãoda ministra

A ministra da Educação começa a perder a  confiança que muitos até aqui lhe têm concedido. Porque começa a pôr o acento onde não deve. E, claro, a gente ainda entende a palavra mas começa a soar mal. E se a coisa vai por aí fora a cacofonia é inevitável. Ao puxar tudo para o lado oposto a carga vai ao chão e vai-se partir a loiça de que foi retirada toda a palha protectora. Tudo isto é bem evidente na preparação do ano lectivo: O Powerpoint do Secetário de Estado diz uma coisa, o Despacho da Ministra diz outra; as notas explicativas outra e o mapa da Inspecção outra coisa ainda. Tudo no sentido de não dar a mínima folga aos professores.

O equilíbrio é difícil e, bem à portuguesa, estamos a passar do oito ao oitenta.

publicado por julmar às 22:14
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