Tendo cantado
Todo o verão, a cigarra
Quando o Inverno chegou
Não tinha um único pedaço
De mosca ou bichito.
Ela foi queixar-se da sua fome
Em casa da formiga, sua vizinha,
Pedindo-lhe para lhe emprestar
Algum grão para subsistir
Até à nova estação.
"Eu pagar-vos-ei, diz-lhe ela,
Antes de Agosto, palavra de animal,
Juros e capital."
A formiga não é amiga de emprestar:
É o seu menor defeito.
"O que fizestes no verão?"
Diz ela a esta leviana.
"Noite e dia indo e vindo
Eu cantava, não vos desagrada"
"Vós cantáveis? Eu fico muito contente com isso:
Pois bem! Agora dançai."
Para Pacheco Pereira logo que se diga bem do capitalismo, do neoliberalismo, de Bush e da América (=E.U.A), de Israel é considerado bom jornalismo. Tudo o que seja contra é mau jornalismo. Por muitas voltas que dê, por muitas análises finas que faça, por muitos distinguo que elabore obedecem todos a um a priori de que não interessam as consequências. Por isso, não precisamos de ler o que escreve P.P. . A não ser que nos escape ou não nos ocorra algum argumento para provar a tese que ab initio se encontra lá como se os deuses assim o tivessem estabelecido.
Ele juntamente com os foruns da TSF seriam suficientes para governar o país em termos de opinião. O dia em que ele admitir que se enganou, se eu andar distraído, avisem-me! Na verdade, só se engana quem interpreta factos e não quem enuncia princípios.
Dedicatória à formiga que odeia as cigarras
«Sejamos preguiçosos em tudo excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos»
Lessing
«A minha geração sofreu três gravíssimas contrariedades: primeiro aprendeu o mundo pelos compêndios do salazarismo. Depois pela vulgata marxista. A seguir veio o ruído insuportável do entertainment.» In A Natureza do mal
Mas quem vence as contrariedades cresce. Essa é a grande vantagem da minha geração: cortar grilhões com que nos quiseram domar a alma. O mal das gerações que se seguiram foi darem-lhe os caminhos todos sem lhe ensinar nenhum temendo coarctar uma liberdade que não podia existir vagamente. Porque não tiveram tutores rastejam pelo chão; porque não sofreram ventos têm fracas as raízes; porque viveram na sombra não dão flores e se dão flores são flores sem fruto. As limitações e os obstáculos são a condição do crescimento.
Quem pensa que o nominalismo é uma questão da Idade Média (séc. XI e XII) está muito enganado. Com uma diferença: Na Idade Média punha-se a questão que dava origem a acesos debates universitários quantas vezes resolvidos com o argumento bacolino; hoje pratica-se, sem consciência. O importante nem é a palavra, mas as palavras que, baratas como são, delas se não faz economia. E nisto deixou de existir a que nos permitia a confiança nos outros: palavra de honra. Com ela acabou também o homem de palavra. Quando muito cultiva-se a palavra não para exprimirmos com correcção o que pensamos mas para impressionar o outro ou para eficazmente o enganarmos.
Lei de Freeman:
Nada é tão simples que não possa ser mal entendido.
Problemas complexos tem soluções simples, fáceis de entender e erradas.
É esta uma das leis nacionais. Mais uma vez se manifestou a propósito da repetição de exames. Os sindicatos há muito tempo que não sabem o que se passa nas escolas; os jornalistas, por preguiça e porque a análise objectiva não é sensacional nem espectacular e os pais porque duas oportunidades é o dobro de uma. Ninguém se deu ao trabalho de se esclarecer primeiro e falar depois. Ao ministério da Educação competia prestar esclarecimento que evitasse tudo isto. Ao comentador Marcelo que mais do que ninguém sabe o que deve dizer para manter o auditório interessado.
A lei da rasoira pretende fazer justiça tratando tudo e todos por igual independentemente das circunstâncias.
Destesto os jornalistas que fazem perguntas e não deixam o entrevistado responder. Porque as fazem, então? Foi o que aconteceu com Maria João Avilez na entrevista ao 1º Ministro. Bem fez este: - Não já que me perguntou vai ter que deixam-me responder. E respondeu.
Sócrates ganhou o país nas eleições e continua a ganhá-lo no governo em cada dia que passa. Mesmo tomando medidas impopulares. A verdade é que ele é o maestro e não permite em público desarmonia. Fala verdade porque fala com convicção. Sabe o que quer e toma medidas para o conseguir. Desde o Marquês de Pombal que não tínhamos um governante assim. A oposição não encontra melhor que falar de arrogância e propaganda. Era bom que fosse aprendendo alguma coisa..
Esta é uma das expressões mais ricas que nos dá conta da nossa humana maneira de ser e onde reside a fonte do filosofar porque traduz o que vulgarmente designamos por consciência.
A vida, a aprendizagem, a filosofia, todas radicam nesse dar-se conta que tem sempre um não sei quê de estranheza e de admiração.
Pobres, pobres são os que não se dão conta por apenas passarem o tempo a fazerem contas e a deitar contas à vida numa ginástica mental toda dedicada à contabilidade.
De acordo com o dicionário da Porto Editora, badameco:«s.m. antiga pasta escolar; pop. indivíduo sem importância; rapazola atrevido. (lat. Vademecum)».
E é na origem etimológica que a maior parte das vezes captamos o sentido genuíno das palavras que usadas por tantos durante tanto tempo se vão adulterando no su significar. No caso presente a origem está no verbo latino Vade com a preposição cum e o pronome pessoal me. É no caso, uma espécie de bloco de notas onde se regista a intuição fugidia, o acontecimento relevante, a reflexão incompleta para que não se percam no turbilhão do devir.
"Não te dei, ó Adão, nem rosto, nem um lugar que te seja próprio,
nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus
dons, os desejes, os conquistes e sejas tu mesmo a possui-los.
Encerra a natureza outras espécies em leis por mim estabelecidas.
Mas tu, que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio,
em cujas mãos te coloquei, te defines a ti próprio. Coloquei-te no
centro do mundo, para que melhor possas contemplar o que o mundo
contém. Não te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem
imortal, para que tu, livremente, tal como um bom pintor ou um hábil
escultor, dês acabamento à forma que te é própria".
(Pico de
João Leal, Antropologia em Portugal. Mestres, Percursos, Transições, Livros Horizonte, 2006"Novas Oportunidades" é uma das políticas centrais do Governo numa tentativa de qualificar aqueles que na idade adequada o não foram. Por muitas razões. Razões que continuam e que originam uma situação permanente de indivíduos que abandonam a escola ou que continuando nela a terminam sem terem adquirido as competências que deviam. Uma ideologia igualitária desde o 25 de Abri e que presidiu à instauração do Ensino Unificado é a responsável por muitos jovens sairem da escola sem qualificação ao nível da formação humanística, científica e técnica. Quis-se abolir com as diferenças (económicas,sociais, culturais) acabando com a divisão ensino liceal (pressupostamente para os ricos) e o ensino técnico (pressupostamente para os pobres) adoptando o modelo liceal para todos. Os ricos continuaram a ter sucesso e os pobres começaram a ser insucedidos e a abandonarem a escola ou a treminá-la sem competências, nomeadamente profissionais. A escola única tornou-se um dogma sendo heresia discuti-los. Construiram-se mais uma quantidade de frases e slogans sobre a escola igual para todos mais a escola inclusiva com grupos de tabalho, investigadores, organizações no ministério central e suas delegações regionais num apostolado que cuidava mais das ideias do que dos indivíduos objectos de tanta proclamação.Por isso, não se podiam fazer turmas de repetentes; por isso não se podiam fazer turmas de nível; o importante era atender cada um deforma individualizada dentro da turma; respeitar o ritmo e o estilo de aprendizagem de cada um mesmo que porventura ese um não respeitasse ninguém.
A escola que no discurso se queria unificada e integradora, não fazia mais do que segregar e excluir de forma crescente aqueles a quem o fato não servia. Teimaram em que o fato era próprio e que para os mais disformes bastaria fazer-lhe alguns arranjos. Desse modo começaram, apartir do mesmo modelo, a fazer, primeiro fatos adaptados; depois fatos flexíveis;e, quando nem uma coisa nem outra resultava , fizeram fatos alternativos ( que eram fatos muito ridículos feitos de pedacinhos de tecidos vários, com muitas cores, com mangas desiguais, ombros descaídos, com alinhavos por tirar, partes por cozer e com mutos rasgões. Mas havia costureiras e alfaiates que adoravam estes fatos e que se dedicaram inteiramente a a eles. Diziam que eram muito criativos e que fizessem da maneira que fizessem eram sempre um êxito). Mas havia fatos que não tinham jeito com que seria uma vergonha sair à rua. Para esses e que são muitos o Governo criou as novas oportunidades. O problema é que eles já estão tão habituados aos fatos ridículos que trazem que não estão dispostos a ter senão fatos ridículos que, de resto, é o que os novos (os mesmos) costureiros estão dispostos a confeccionar. Enquanto não tivermos um ensino técnico organizado havemos de ter uma cada vez maior multidão de maltrapilhos.
A ministra da Educação começa a perder a confiança que muitos até aqui lhe têm concedido. Porque começa a pôr o acento onde não deve. E, claro, a gente ainda entende a palavra mas começa a soar mal. E se a coisa vai por aí fora a cacofonia é inevitável. Ao puxar tudo para o lado oposto a carga vai ao chão e vai-se partir a loiça de que foi retirada toda a palha protectora. Tudo isto é bem evidente na preparação do ano lectivo: O Powerpoint do Secetário de Estado diz uma coisa, o Despacho da Ministra diz outra; as notas explicativas outra e o mapa da Inspecção outra coisa ainda. Tudo no sentido de não dar a mínima folga aos professores.
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