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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

A distribuição da riqueza

julmar, 31.05.06
Na Quadratura do Círculo Pacheco Pereira defende que a distribuição da riqueza em Portugal é um problema secundário. Ha marxistas primários e elaborados e há antimarxistas primários e elaborados. PP acumula, por paradoxal que pareça, os anti.

A Câmara do Porto e o Cunha

julmar, 28.05.06

 O vereador encarregado do urbanismo da cidade é Lino Ferreira ex-Director Regional da Educação do Norte. Pelas suas palavras e segundo notícia do JN, o homem passa90% do tempo a tratar de questões jurídicas. Foi ele que disse.
O que é que está mal?
Atrevia-me a dizer que a maior parte desses problemas são causados pelo amigo Cunha que continua a ser mais assíduos nos corredores, gabinetes, do que muitos funcionários a quem o Cunha deu uma mãozinha. Sim por que o Cunha tem mãozinha que para oseu trabalho dá mais jeito do que uma mão ou uma manápula. Ele tem que estar sempre em todo o lado mas não pode ser visto.
Ao criar tantos problemas o Cunha cria emprego. Se assim não fosse, onde é que o sr Vereador ia gastar os 90% do seu tempo?

O Elogio da Transmissão

julmar, 28.05.06
Cumpro o ritual de anualmente ir à Feira do Livro. Para ver quase sempre os mesmos livros mas isso é o que caracetriza o verdadeiro ritual: a repetição tão exacta quanto possível. O primeiro livro em que peguei foi o "Elogio da Transmissão". Do outro lado o vendedor ao ver-me percorrer as páginas, dsse-me peremptório: - «Esse livro todos os professores o deveriam ler», e fez desflar uma série de razões. Disse-lhe, mentindo, que embora não fosse professor o compraria. Veremos se é assim tão imprescindível a um professor.

Lendo Pico de la Mirandola

julmar, 26.05.06

"Não te dei, ó Adão, nem rosto, nem um lugar que te seja próprio,

nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus

dons, os desejes, os conquistes e sejas tu mesmo a possui-los.

Encerra a natureza outras espécies em leis por mim estabelecidas.

Mas tu, que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio,

em cujas mãos te coloquei, te defines a ti próprio. Coloquei-te no

centro do mundo, para que melhor possas contemplar o que o mundo

contém. Não te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem

imortal, para que tu, livremente, tal como um bom pintor ou um hábil

escultor, dês acabamento à forma que te é própria".

(Pico de la Mirandola).

Jornalismo

julmar, 25.05.06
O nosso jornalismo é, de uma forma geral, uma vergonha. Vergonha de que trata Manuel Maria Carrilho no seu livro 'Sob o signo da verdade'. O jornal Público serve-se das cartas do leitor para dizer o que não ficaria bem a profissionais. A revista Visão, usa os seus colunistas para dizer o que quer sem se comprometer. O melhor exemplar é a coluna de um tal Pedro Norton que compara o José Maria do Big Brother a Manuel Maria Carrilho. Fazer pior, é difícil.

Eu e os livros

julmar, 23.05.06
A FNAC é um dos espaços comerciais mais interessantes:Enquanto elas vão ver as montras - oh contemplação consumista! - vejo títulos, pego em livros, vejo contacapas, até encontrar um que me seduza. Às vezes, faço-lhe apenas namoro, outras abro-os e devoro-os apressadamente, outtras vezes sento-me e levo tudo de seguida. Quase sempre acabo por largá-los em cima de outro livro qualquer. Outras vezes, ainda,  tomo compromisso, celebro contrato e levo-os para fazerem parte dos meus livros.

Lei de Murphy

julmar, 23.05.06

«Se alguma coisa puder correr mal, correrá mal»,

donde , um dos corolários:

« Deixadas a si mesmas, as coisas tendem a ir de mal a pior.»

Este corolário tem uma aplicação intensiva no modus vivendi português, traduzido em dito tão velho  como «deixa correr o marfim» que deve ser dos tempos da colonização ou o mais recente e prosaico «deixa arder que o meu pai é bombeiro» ou ainda o anti-stréssico conselho de que «o que se não faz no dia de Santa Luzia se faz ao outro dia»

A morte

julmar, 21.05.06

Poucos ousam falar dela como se  a vida tivesse sentido sem ela! Edgar Morin diz que para o sol e para a morte não se consegue olhar de frente.

«É nisto que consiste o culto dos mortos numa primeira fase, mais primária: as oferendas, a decoração das sepulturas, as lápides, as flores. A celebração dos mortos deve, porém, ter também lugar ao nível da nossa própria alma, através da recordação, da evocação de lembranças com exactidão, de uma espécie de reconstrução do ente querido no nosso interior. Se formos capazes disso, a pessoa morta continuará a acompanhar-nos, a sua imagem ficará em nós guardada para sempre e ajudar-nos-á a tornar a dor frutuosa»

in Elogio da Velhice, Herman Hesse

Parábola Chinesa

julmar, 20.05.06

Em Portugal não há parábolas mas apenas provérbios, como aquele que diz que

«deus escreve direito por linhas tortas»

« Um velho, de seu nome Chunglang que quer dizer mestre rochedo», possuía um pequeno terreno nas montanhas. Certo dia aconteceu-lhe perder um dos seu  cavalos. Vieram então os vizinhos para lhe demonstrarem o pesar que sentiam pela desgraça sucedida.

O Velho,porém, perguntou-lhes:

- Como sabeis vós que tal foi um revés?

E, alguns dias mais tarde, lá voltou o vavalo mas acmpanhado de uma manada inteira de cavalos selvagens. Aparecerarm novamente os vizinhos que queriam felicitá-lo pela boa ventura.

O velho da montanha, por seu turno, retorquiu:

- Como sabeis vós que tal foi uma sorte?

Uma vez que tinha agora tantos cavalos à disposição, o filho do velho começou a desenvolver o gosto pela equitação e certo dia acabou por partir uma perna. Lá voltaram eles, os vizinhos, para demosnstrar ao velhote a sua tristeza pela desdita sofrida.

Uma vez mais respondeu-lhe este:

- Como sabeis vós que tal foi um revés?

No ano seguinte apareceu por quelas bandas a Comissão dos Granjolas, em busca de homens corpulentos e bem constituídos para servirem de criados descalçadores do imperador e para carregar a liteira. O filho do velho que ainda não recuperarar do problema da perna, ficou para trás.

Chung sorriu.

In, Elogio da Velhice, Herman Hesse.

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