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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Porque é que os alunos tiveram tão maus resultados?

julmar, 17.07.13

Anda o país tão aturdido com a crise política, acrescentada às crises das  bolsas dos cidadãos, que até passa quase despercebida a gravíssima crise que a educação atravessa e de que os miseráveis resultados nos exames nacionais denunciam. E, claro, num país com uma cultura de irresponsabilidade que se traduz num passa culpas, o fato morrerá sem consequências.

Por qualquer lado que peguemos na questão, vamos sempre dar ao Ministro Nuno Crato que é sempre quem terá que responder, ainda que politicamente, por tais resultados. O homem que tinha ideias, que tinha teorias, que tinha estratégias para tornar o povo poruguês um povo bem educado é contraditado pelos fatos. Pensou, certamente, que bastaria falar ou legislar para que a realidade lhe obedecesse. E nas medidas que tomou para conseguir resultados melhores conseguiu exatamente o contrário. Com efeito, segundo um princípio da filosofia escolástica: Ninguém dá o que não tem. Por isso, nos exames os alunos só podem dar aquilo que aprenderam. Ou seja, o problema não se coloca no final mas no processo. Se não houver bom ensino e boa aprendizagem é inútil querer colher frutos. O que o ministro tem que curar é que as escolas funcionem bem, que os professores ensinem bem, isto é, criar as melhores condições para que existam os melhores resultados. Os professores são, por sua vez, responsáveis por que os alunos aprendam bem.

É preciso responder à pergunta principal:

Porque é os alunos tiveram tão maus resultados? Porque não se tratou do exame A ou B, não se tratou de um ciclo ou de um ano, mas de todos os exames. 

Que os exames tiveram um grau de dificuldade para que os alunos não estavam preparados, provam-no os resultados. Terão tido um nível de dificuldade superior ao dos anos anteriores? 

Os alunos deste ano eram menos capazes intelectualmente aos dos anos anteriores?

Os professores que os ensinaram eram menos competentes que os dos anos anteriores

O que os professores ensinaram durante o ano não está de acordo com a matéria saída em exame?

Terá aumentado a negatividade dos corretores e terão transferido, ainda que por processo inconsciente, o seu mal estar e a sua revolta para com o ministro para a correcão da prova? Não é despiciendo o estado de espírito de um avaliador.

Terão (muitos encontram aí a resposta) sido os critérios determinantes nos resultados? Se assim foi, donde resultou tal decisão de apertar assim a malha? Terá sido o combate ao facilitismo, a defesa do rigor? 

Mas, também a razão dos maus resultados, no ou em parte, pode estar no processo: Os professores (por desmotivação, por incerteza, por influência da crise nos seus vários aspetos, por falta de avaliação) não ensinaram bem.

Fariam bem os atores em não sacudir água do capote como temos visto fazê-lo ao Ministro, aos professores, às associações científicas e profissionais, aos sindicatos, etc.

À COFAP e às Associações de Pais cabe uma responsabilidade enorme mas que se situa num âmbito diferente do aqui discutido.

Os resultados são o melhor espelho do que na educação se faz e são a melhor avaliação das políticas educativas e dos seus atores. Quando isto não for verdade pedirei contas, pedirei contas a Cristo:

 «Assim, pelos seus frutos vós os reconhecereis!», Mateus, 7-20