Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Gostos não se discutem?

A propósito das obras do Castelo de Vilar Maior, dizia um comentador que "gostos não se discutem". Quem o assim disse, disse-o, como eu o digo tantas vezes, impensadamente ou porque não estando com pachorra para o tratar de outra maneira o despacha com uma frase feita. Ou ainda porque o lugar não dá para mais do que conversa banal. De certa forma o Facebook, lugar onde a coisa foi dita, veio substituir a rua, a taberna ou café onde as discussões, por serem à distância, por mais acaloradas, insidiosas ou insultuosas resguardam os interlocutores do afrontamento físico de lambadas, socos, pontapés, facadas e tiros. E o que pode despoletar uma valente discussão pode ser, quase sempre o é, uma insignificância ou como o povo diz, "por dá cá aquela palha". Porque a importância que as coisas têm depende da importância que se lhe dá. Podemos achar completamente ridículo que estudantes e ilustres doutores da Igreja, nas Universidades medievais, discutissem o sexo dos anjos ou ainda sobre a quantidade de anjos que caberiam na cabeça de um alfinete. O facto é que provocava discussões tão apaixonadas que mandava a experiência que, debaixo das capas levassem escondido um báculo (ou vulgar cacete), para o caso de fracassarem os argumentos da razão, puxar do argumento baculino que com a evolução tecnológica viria a ser substituído por armas de maior eficácia mas com a mesma finalidade.
Os gregos inventaram a filosofia e a democracia que, genuinamente, uma não vive sem a outra , ainda que saibamos dos desencontros entre elas ao longo da história. Porque há sempre os apressados, os que lidam mal com a dialéctica, os que acham que tem de haver uma verdade definitiva, uma solução final. E há também os preguiçosos, os que acham tudo tão difícil e tão complicado que na sua descrença em poder chegar a algum lado, ficam onde estão, reduzindo tudo apenas ao que as suas mãos tocam e ao que os seus olhos vêem. O equilíbrio e a tensão são tão insuportáveis aos relativistas quanto aos dogmáticos.
Haverá alguma coisa mais discutível do que os gostos?
publicado por julmar às 19:03
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1 comentário:
De Manuel Maria a 22 de Abril de 2013 às 19:52
Isso é que é dar a volta ao texto... O gostos são relativos... por isso é que é inutil discuti-los. Vamos agora entrar na discussão da noção do Belo e do que é Arte???? É que isso ainda dá muito mais "pano para mangas"...


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