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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

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As anotações de Júlio Marques.

O ministério da Educação é um quebra cabeças - Afonso Leonardo

julmar, 13.12.12
A tarefa da educação não começa nos alunos - é neles que termina. Toda a exigência tem de começar por nós para ter autoridade e merecer respeito. Por isso, exija de si, Sr Ministro, exija dos serviços centrais do ministério, exija dos pais, exija das escolas, exija dos professores para poder exigir dos alunos.
Faz contas e faz muito bem em fazer contas que no bem contar é que vai o ganho. Porém, apenas no bom contar. E aí não basta a máquina de calcular porque entra o conto das vidas. Não tem que ter medo em entrar nesse conto.
Então e a avaliação dos professores, senhor ministro? Inclinou o plano tanto que precipitou a queda da sua antecessora quando era comentador. Agora que é ministro já é somente um plano. Quando cair ( porque não ha repouso eterno nesse assento ministerial onde subiste) dado o ângulo raso do plano, cairá deitado, de borco como um mergulhador principiante. Não cairá de pé. Cairá Sem dignidade e sem honra. E sem destruir o Ministério da Educação ( não era seu propósito implodi-lo?), esse desfigurado mostro.
Dirá que conseguiu pacificar a classe docente. Tê-lo-à feito contrariando-se a si mesmo pelo que disse, em tempos de comentador, numa questão essencial qual seja a de passarmos do reino da mediocracia para o reino da meritocracia. E fê-lo da maneira mais fácil,facilitando: com os sindicatos com quem era fácil acordar(ficando de fora a Fenprof), com um acordo que não avaliaria nada de essencial se alguma vez viesse a ser implementado. Porque a avaliação deveria começar no ano lectivo 2012-2013 mas não o será, porque embora volvidos quinze meses, o ministério não cuidou nem de estabelecer critérios homogéneos, nem instrumentos de registo, nem formação. Isto é o sr. Ministro não trabalhou. E porque não trabalhou, não trabalharam os que de sidependem, estiveram os Centros de Formação de Professores ( com seus diretores, assessores, consultores, administrativos ... ) sem fazer o que lhes compete: formação de professores. Isto é, em cadeia, no Ministério não se trabalhou. Claro que em cadeia, ninguém é avaliado. E o vasto mar da crise financeira centra a atenção de todos distraindo-nos destes rios que o alimentam. Depois queixam- se dos resultados dos alunos. Resultados, senhor ministro! Princípio da razão suficiente: Todo o efeito tem uma causa. Estranho é que os resultados fossem diferentes. O facilismo, a indisciplina, a desorganização, a falta de rigor, a desmotivação , o fazer de conta, os estratagemas, o plágio, o copianço, o incumprimento, a não pontualidade, a lei do menor esforço estão tão naturalmente nos comportamentos dos alunos como o fato de se molhar quem anda à chuva. Porque todo o efeito tem uma causa. De pouco lhe adianta pôr mais exames, pôr exames mais exigentes. Ninguém dá o que não tem. Este é o clima do Ministério que dirige. E como sabe o clima é determinante nos resultados da cultura. Mude o clima.
Comece por se examinar a si, sr ministro! ( O conselho não é meu, é de Sócrates! Não, não é esse! É do grego! Também lhe soa mal...). Examine o caminho que fez desde que se iniciou na atividade ministerial! Depois de avaliar a cabeça do mostro, veja se gosta do corpo que tem. Então? Vai continuar a ser a cabeça do monstro?
Para já, apenas lhe vai fazendo cortes que em nada lhe retiram a sua natureza monstruosa e nalguns casos ( se ainda é possível) o tornam ainda mais monstruoso. A parte mais desprotegida e frágil do monstro é a cabeça. Nuno Crato é já a trigésima cabeça do monstro, a seguir ao 25 de Abril, podendo dizer-se com propriedade que o Ministério da Educação é um quebra cabeças. Apenas Roberto Carneiro, Marçal Grilo e Maria de Lurdes Rodrigues completaram uma legislatura.

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