Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

A Crise – De Cavaco Silva a Passos Coelho - Amora da Silva

 Ainda não era Cavaco mas Aníbal. Entusiasmado com um carro novinho acabado de comprar a que fez rodagem, rumando até à Figueira da Foz, onde decorria um congresso do PSD. Professor de Finanças, jovem, austero, convencido, convenceu o partido do quale tomou as rédeas para com ele conquistar o poder, primeiro como Primeiro-ministro e mais tarde como Presidente da República, tornando-se, deste modo, o político com mais tempo na política e maior responsável pelo estado a que a Nação chegou. A década de 90 é a década das maiorias cavaquistas, do grande afluxo dos fundos europeus com os quais se inicia a idade do betão (as auto-estradas, as pontes, o Centro Cultural de Belém – jóia do cavaquismo ), o início das PPP (parcerias Público-Privadas), o recebimento de dinheiro para modernização da frota pesqueira e da agricultura que significou o desmantelamento de uma e de outra, o desenvolvimento do sector dos serviços, o alastramento de Grandes superfícies Comerciais que arruinaram o pequeno comércio; no ensino houve a proliferação de Escolas Superiores do Ensino Privado, numa concorrência desleal com o Ensino Público, muitas delas coutadas de partidos, onde lecionavam políticos cuja competência era muitas vezes, a do cartão partidário e onde outros políticos aproveitavam para compor o currículo com licenciaturas, mestrados, doutoramentos de que, por infelicidade para o visado, temos o exemplo de Miguel Relvas . E à volta de Cavaco foram-se afirmando ministros e secretários que mais do que do bem público foram construindo redes de interesses privados que, cobertos com leis, viriam a dominar setores vitais das atividades do país, nomeadamente na área da economia e das finanças. E pasme-se com assento no Conselho de Estado, como é o caso de Dias Loureiro, uma escolha de Cavaco Silva. Um exemplar de uma corte frequentada por Oliveira Costa. Gente do BPN onde Cavaco tinha tratamento preferencial na valorização das suas economias. Infelizmente, (por medo ou falta de ousadia, por prudência?)por ter sido coisa da Maria , como afirmou, a valorização foi grande mas o investimento pequeno pelo que ficou um homem pobre com dificuldade em governara vida com o mísero ordenado de Presidente da República. Gente na maior impunidade, até hoje, para sempre. Ah, se eu ao menos acreditasse no Juízo Final! Mas a corte é muito grande: Duarte Lima (como é que um homem inteligente se descuida assim!) que à nossa custa dava festas a essa imensa corte- que grandes banquetes - que hoje deveriam corar de vergonha. Se a tivessem. Sim, os que foram para administradores do Banco do Estado, a CGD; os que foram para o Banco de Portugal; os que foram para autarquias – olha os Valentins, olha os Isaltinos; os que foram para administradores de Empresas do Estado e privadas- olha o Ferreira do Amaral e o Mira Amaral que mostram no peso do corpo o peso da carteira. E onde estavam o Pedro e o Miguel? A trabalhar arduamente na JSD, tão arduamente que não tinham tempo para estudar, eles apostavam nessa máxima dos bajuladores militantes: «O importante não é o que conheces mas quem conheces». Em termos de academismo bastava-lhes a Universidade de Verão. O PSD é uma grande família. Tem bandeira e tem hino. E tem condes e barões. Tem sedes e bastiões. Também tem aparelho partidário e hierarquias, distritais e concelhias. E lealdades. Também tem pés-rapados que pedem ao padrinho um lugarzinho ao sol. Um PSD importante acusava o partido de ser como um albergue espanhol para se referir a esse espaço onde desaguam as mais desvairadas gentes e interesses. Ouvi muitas vezes, que o PSD é o partido que melhor reflete as gentes e a cultura portuguesa e se calhar tem razão, pese embora a minha tristeza. Na procura de alguns argumentos, iria buscar os que já conhecemos. 1 - O PSD é um partido ingovernável, tal como país: “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar” Caio Júlio César, político e general romano (100 a.C. – 44 a. C) A frase de Caio Júlio César assenta ainda com mais rigor ao PSD que ao país. Desde o princípio. Mas se atendermos aos seis anos em que durou o governo Sócrates, o que vemos? Uma luta pelo poder no partido insanável e que só termina com a exaustão do governo instituído. Durante esses anos temos Santana Lopes, Marques Mendes, Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e … exausto o partido de tanta luta interna cai o partido no mais impreparado e inexperiente de todos para governar o país – Pedro Passos Coelho. Foi assim nesta sucessão de líderes que o partido preparou a governação do país. 2 – O país e o PSD espelham-se um no outro “Cada povo tem o governo que merece” Joseph-Marie de Maistre (Savoia, 1 de Abril de 1753 — 26 de Fevereiro de 1821) O povo escolheu Pedro Passos Coelho para o governar. Aí o temos em todo o seu esplendor colocando o povo a pão e água. Já nem tanga temos, andamos nus. E, sobretudo, um povo que suporta mentira tão descarada e tratamento tão indigno … merece bem o governo que tem.

publicado por julmar às 17:28
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