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Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Badameco

As anotações de Júlio Marques.

Morreu José Cutileiro

julmar, 17.05.20

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Quanto mais velho, mais endividado. Algumas dessas dívidas são muito antigas e chego a esquecer-me delas. Hoje, ao anunciarem no telejornal a morte de José Cutileiro, levantei-me, fui à secção dos livros da Fundação C. Gulbenkian e lá estava a prova da minha dívida, o prefácio a esta obra que, anotada  esublinhada, me ajudou na compreensão antropológica da minha aldeia. Duas prateleiras abaixo e lá está a outra obra que me ajudou na compreensão do Alentejo da minha infância:  Pobres e Ricos no Alentejo. Espero que esta memória agora escrita seja suficiente paga da minha dívida.

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Por que devemos filosofar?

julmar, 12.05.20

Ciência sem consciência não passa de ruína da alma.... Frase de François Rabelais.

Todos os grandes cataclismos na vida das pessoas , dos países ou do planeta altera o curso normal da vida quer sejam provocados pelo homem quer pela natureza. E, para nos tranquilizarmos, devemos, em primeiro luga, afirmar um princípio óbvio mas fundamental da filosofia e do espírito científico enunciado pelo filósofo Leibniz: "tudo o que acontece tem uma razão suficiente para ser assim e não de outra forma "  Ou seja, temos de colocar a discussão no campo da racionalidade filosófica e científica não perdendo tempo com quem tenha outros princípos, outros métodos, outras certezas. A humildade é inerente ao espírito científico porque aceita a relatividade, a incerteza e porque no seu caminho errante, tropeçou, caiu e se levantou e sabe que assim será. Mas tem um orgulho enorme nesse caminho percorrido, nas vitórias alcançadas que fazem dele um criador do próprio mundo e uma confiança que tão bem representada está no filme "2001 Odisseia no Espaço".

A obra de Harari ( a sua trilogia - Homo Sapiens - Homo Deus e 21 lições para o século XXI) é um excelente contributo para a tarefa maior que ao homem se coloca: o que faremos com o poder científico e técnico que continuamente aumentamos?    

 

Revisitando Nietzsche

julmar, 07.05.20

Poucos filósofos como Nietzsche suscitaram tanta controvérsia no panorama filosófico e cultural.  Vai para 50 anos que me encontrei com ele em Braga na Faculdade de Filosofia, dirigida pelos jesuítas, onde tinham assento todos os filósofos mas sujeitos à crítica da filosofia escolástica, detentora da verdade, à qual as nossas consciências se deviam conformar. A minha também. À época, diferentemente de hoje, o acesso a cultura, a ciência e à filosofia era difícil. Os livros eram caros (imaginem que hoje, aqui neste teclado onde escrevo, com uns poucos clics posso aceder a toda a obra Nietzche), as bibliotecas disponibilizavam apenas os que entendiam e ficávamos limitados aos apontamentos tirados nas aulas e à Sebenta (o nome, em muitos casos, é mesmo literal) construída pelo professor. E o ponto essencial do professor e da sua sebenta sebenta era a tese da inversão dos valores do cristianismo, o que era verdade. O ponto é que o cristianismo já havia feito uma inversão dos valores da natureza. Porém, o meu caminho da desobediência inteletual, já havia começado no seminário e, finalmente, encontrava em Nietzsche um mundo incómodo e fascinante. Tive a sorte de muitos anos mais tarde, por mor do ofício de professor de filosofia, durante cerca de dez anos, lecionar ao 12º ano uma das suas obras  - A Origem da Tragédia . Uma escolha que permitia aos alunos experienciar uma obra filosófica e ao professor ler e ajudar a fazer compreender durante dez anos uma obra filosófica e um filósofo extraordinário. Desta vez, revisitando o livro sublinhado e anotado já há muitos anos, Para Além de Bem e Mal.

«Há livros que possuem, para alma e para a saúde, um valor inverso, conforme dele se servem a alma inferior, a força vital inferior ou a alma superior e mais poderosa. No primeiro caso são livros perigosos, corruptores, dissolventes; no segundo caso, apelos de arautos que convidamos mais bravos a manifestar a sua bravura.Os livros de toda a gente são sempre livros mal-cheirosos: a neles odor da gente miúda. Por toda a parte em que o povo fala e bebe, mesmo no sítios onde venera, costuma cheirar mal. Não se deve ir à igreja quando se pretende respirar ar puro». Pg 42

 
Com a força do seu olhar intelectual e da visão de si próprio cresce a distância e, de certo modo, o espaço que circunda o homem: o seu mundo torna-se mais profundo, avistam-se continuamente estrelas novas, imagens novas e novos enigmas. Talvez tudo aquilo em que o olhar do espírito exercitou a sua sagacidade e profundeza tenha sido apenas um pretexto para este exercício, um jogo e uma criancice; E talvez um dia, os conceitos mais solenes, os que provocaram maiores lutas e maiores sofrimentos, os conceitos de Deus e do pecado, não signifiquem, para nós, mais do que um brinquedo e um desgosto de criança significam para um velho, e talvez o velho homem tenha, então, necessidade de um outro brinquedo ainda e e um outro desgosto, por continuar a ser muito criança, eterna criança.! Pg 66

Religião e ciência

julmar, 01.05.20


     Nicolau Copérnico - biografia do astrônomo polonês - InfoEscola                                                                                                                                                                                          

Isaac Newton - Quotes, Facts & Education - Biography

Como na vida de cada um de nós, também sobre os países, sobre a humanidade se abatem pragas, calamidades, castrátrofes, epidemias. É da natureza da natureza que assim seja e, à parte a fé dos crentes no mundo eterno que há-de vir, assim continuará per omnia saecula seculorum. Sinto um imenso orgulho em pertencer a este planeta, em pertencer à raça humana que, liberta da quadripedia que a amarrava à terra, caminhou errante cravando estupefacta os olhos no firmamento estrelado e que, perdido nessa imensidão, se admirou, se interrogou e, com o medo por dentro e ameaças por fora, procurou respostas no céu. Perdido no universo, impossibilitado de vencer a morte, dotado de imaginação fez a sua primeira grande invenção:os deuses. Sem deuses o homem não teria sobrevivido, não se teria construído como humanidade, como civilização. Por todos os lugares, em todos os tempos se inventam deuses e se constroem lugares de culto porque são os deuses que criam a ordem e guiam os homens. Os homens delegaram nos deuses as suas  vidas e perderam a memória desse começo. Entregaram-se aos deuses em troca de proteção.  Ainda hoje delegamos, fazemos contratos,  pagamos impostos para termos ordem e proteção.  Nenhum povo como o grego, que inventou a filosofia e a democracia, teve consciência da tragédia do homem e da vida: 

"Muitas são as coisas prodigiosas sobre a terra mas nenhuma mais prodigiosa do que o próprio homem. (...) Caça as bestas selvagens e atrai para suas redes habilmente tecidas e astuciosamente estendidas a fauna múltipla do mar, tudo isso ele faz, o homem, esse supremo engenho. (...) Tudo lhe é possível."  (Antígona , Sófocles)

Orgulho-me de ser descendente dessa raça que caminhando sobre dois pés e por ter cravado os olhos no céu descobriu a terra. De facto, foi a olhar para o céu que o homem descobriu a terra, foi a partir da física celeste (a astronomia) que o homem descobriu a física terrestre. A revolução científica começou nos céus e por obra de um clérigo polaco,  de nome Nicolau Copérnico: De Revolutionibus Orbium Coelestium , publicada em 24 de maio de 1543 (precisamente no dia da morte do autor) rompendo com a física de Arsistóteles (tão bela  e tão falsa) contida no livro De Coelo. Uma revolução que parece não ter alarmado a Igreja nem causado conturbação social ou nos meios dos eruditos. Na verdade, não era um trabalho de fácil entendimento quer porque estava escrito em latim, quer porque continha cálculos matemáticos de compreensão acessível a poucos. O problema para a Igreja haveria de surgir apenas cerca de 100 anos mais tarde com Galileu (1564-1642) que não se limitava a fazer descobertas de leis científicas e inventos técnicos mas os publicava e o fazia de modo acessível a que todos pudessem entender, mostrando e demonstrando (Diálogo sobre os dois grandes sistemas do Mundo). O problema de Galileu era que a Igreja  era a detentora do conhecimento não apenas do que se passava no reino de Deus mas também do que se passava no reino dos homens. Acrescia que a doutrina da Igreja estava assente na física de Aristóteles que assentava, por sua vez, no senso comum: Qualquer pessoa, no seu perfeito juízo, sabe que a terra é plana e que o sol anda à volta da Terra. Galileu, para salvar a pele, abjura (negando a verdade do que tão claramente sabia e conforma-se à doutrina da Igreja). 

Cento e um anos depois, 1643 nasce  Isac Newton (1643-1727)  que vem coroar o que designamos como Física Clássica, com a obra Príncípios Matemáticos da Filosofia Natural onde establece  as três  leis que governam este cantinho do universo, o sistema solar. 

Sobre a física contemporânea, tão fora da minha percepção do mundo e da matemática rudimentar de que disponho, leio, entendo pouco e nem  me  atrevo a falar. 

Como as crianças, precisamos que nos contem histórias onde existem fadas e duendes e onde podemos traçar os fins que nos fazem felizes. As religiões contam-nos histórias de como tudo foi, é e será. Provavelmente o homem não pode viver sem contos. Talvez precise de inventar outros contos que dêem certo com as contas, isto é, com a matemática onde reside toda (quase toda?) a ciência.

 

Nos tempos de Virulência

julmar, 12.04.20

O direito de sonhar - Gaston Bachelard

Andar, escrever, ler, jardinar, bricolar são tarefas (dis)cursivas que consomem tempo que nos falta para o devaneio e para o sonho. Nem o confinamento em casa nos traz mais tempo. A mim leva-me a caminhos já percorridos e sinalizados e que fico com pena de não os voltar a andar com um olhar (de) novo. Saudade deste meu mestre.

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Andar passo a passo, a caminho de Juba

julmar, 12.04.20

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Média de 12km/dia desde há 365 dias!!! Quatro mil trezentos e oitenta kms desde o dia 12 de Abril de 2019!! Quanta humildade, quanta persistência, quanta coragem são precisos! O caminhante nunca está em competição com ninguém, a sua marcha é anónima e silenciosa, recomeça cada dia. E triste é amanhã não ter andado.

 

Os livros que me fizeram

julmar, 05.04.20

Um excelente livro de uma excelente coleção com uma excelente introdução. Um livro daqueles que conserva aquele cheiro tão característico! Um livro comprado nos tempos de escassez em que me privava de uma bicas ou de algumas idas ao cinema para o adquirir.  Hoje tenho toda a obra de Aristóteles (e toda uma imensa biblioteca filosófica) à distância de um clic! E aborrece-me gente que diz que não é a mesma coisa que ler um livro físico, gente que passa anos sem ler qualquer livro. 

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Andar, passo a passo. Chegada a Kartum

julmar, 31.03.20

Subi, a passo e passo, nas margens do Nilo, de Alexandria até Kartum. Uma distância de 2241Km. Continuarei, com o Nilo Branco como companheiro, até ao Lago Vitória. Difícil.

Cartum (em árabe: الخرطوم, transl. al-Kharṭūm) é a capital do Sudão e a segunda maior cidade do país, com população de 1 410 858 habitantes de acordo com o censo de 2008.[2][3] Abriga um porto fluvial na confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco, na zona leste-central do país.[4] Foi fundada pelos egípcios em 1821 e ainda hoje é marcada pela pobreza, com exceção de raras áreas exclusivas.[5] Poucas ruas são pavimentadas, apesar de o centro da cidade ser bem planejado. Cartum é um centro administrativo, econômico e comercial do Sudão. Dentre as indústrias que se destacam, estão as de alimentação, tecidos e manufacturas de vidros.

Dividida pelos Nilos (Azul e Branco), a área metropolitana de Cartum, conhecida também como Grande Cartum, é uma metrópole tripartida, com uma população total de 4 272 728 habitantes de acordo com o censo de 2008.[2][3] É constituída pela aglomeração urbana das cidades de Cartum, Cartum do Norte (ou Bahri; em inglêsKhartoum North; em árabeal-Khartūm Bahrī) e Ondurmã (em árabe: Umm Durmān). Dentro da Grande Cartum, Cartum e Cartum do Norte estão situadas respectivamente às margens esquerda e direita do Nilo Azul, enquanto Ondurmã está localizada na margem esquerda do Nilo principal, logo após a confluência dos dois Nilos.[6] As três aglomerações estão conectadas por pontes.

No meio de transportes internacional, Cartum tem linhas de trem para Porto Sudão, e também para o Egito, a cidades como Al-Ubayyid. O tráfico pelos rios Nilo Azul e Branco também é muito importante, e a cidade dispõe também de um Aeroporto Internacional. Cartum tem três universidades, a Universidade de Cartum, a Universidade Nilayin e a Universidade Sudanesa de Ciência e Tecnologia.

Em 10 de maio de 2008, o grupo rebelde Movimento pela Justiça e Igualdade, de Darfur, invadiu a cidade, onde travou ferozes combates com as forças governamentais sudanesas. Entre seus soldados estavam crianças, e sua meta era derrubar do poder o presidente Omar Hassan al-Bashir; o governo sudanês, no entanto, conseguiu repelir o ataque.[13][14][15] (in Wikipédia)