Sábado, 8 de Junho de 2019

Ler os melhores

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O que nos torna no que somos são as nossas escolhas. Podemos escolher ler ou não o fazer. Mas se escolhemos ler é ainda importante escolher o que lemos. Ler consome tempo, o tempo que quisermos.  Trocamos sempre esse tempo por outras coisas que poderíamos fazer. Mas na leitura conseguimos sempre estar com os melhores de todos os que escreveram e de todos os que escrevem. 

publicado por julmar às 16:00
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

Passo a passo até Lahore

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12131Km, o equivalente a 18961412 passos, foi a distância que percorri desde Vila Nova de Gaia até ao distrito de Punjab (Paquistão), cuja capital é Lahore onde não sabemos o que mais admirar se os monumentos se a vida agitada e frenética da cidade.

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Terça-feira, 21 de Maio de 2019

Luz e sombra

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Ano de mil novecentos e sessenta e... seis ou sete, num mês de Verão, talvez setembro que era quando o menino da cidade, entre as primas, vinha à vila, por altura da festa do Divino Senhor dos Aflitos. À frente das priminhas mais velhas, as priminhas mais novas, irmãs todas de branco vestidas, todas com a mímica que mantiveram pela vida fora. Um florilégio de brancura, ao cimo da escada granítica do ti João e da ti Graça, em traje festivo.

E poderíamos ficar por aqui mas ficaríamos apenas com metade da história, a metade que o fotógrafo quis retratar. Mas então qual é a outra metade?

 

publicado por julmar às 11:43
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Domingo, 5 de Maio de 2019

Mãe

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Há textos que não esqueço enquanto aluno, há textos que não esqueço enquanto professor. Este só podia ser enquanto professor.
Rosas Vermelhas

Nasci em Maio, o mês das rosas, diz-se. Talvez por isso eu fiz da rosa a minha flor, um símbolo, uma espécie de bandeira para mim mesmo.

E todos os anos, quando chegava o mês de Maio, ou mais exactamente, no dia 12 de Maio, às dez e um quarto da manhã (que foi a hora em que eu nasci), a minha mãe abria a porta do meu quarto, acordava-me com um beijo e colocava numa jarra um ramo de rosas vermelhas, sem palavras. Só as suas mãos, compondo as rosas, oficiavam nesse estranho silêncio cheio de ritos e ternura.

Nesse tempo o Sol nascia exactamente no meu quarto. Eu abria a janela. Em frente era o largo, a velha árvore do largo dos ciganos. Quando chegava o mês de Maio, eu abria a janela e ficava bêbado desse cheiro a fogueiras, carroças e ciganos. E respirava o ar de todas as viagens, da minha janela, capital do mundo, debruçado sobre o largo onde começavam todos os caminhos.

E tudo estava certo, nesse tempo, ou, pelo menos, nada tinha o sabor do irremediável. Nem mesmo a morte da minha tia. Por muito tempo ela ficou nos retratos e no jardim, bordando à sombra das magnólias, andando pela casa nos pequenos ruídos do dia-a-dia, até que, pouco a pouco, se foi confundindo com as muitas ausências que vinham sentar-se na cadeira, onde, dantes, minha tia se sentava.

E eu dormia poisado sobre a eternidade, como se tudo estivesse certo para sempre, eu dormia com muitos olhos, muitos gestos vigilantes sobre o meu sono. Por vezes tinha pesadelos, acordava, inquieto, a meio da noite, qualquer coisa parecia querer despedaçar-se e então exclamava:

- Mãe!

E logo essa voz, tão calma, entrava dentro de mim, mandava embora os fantasmas, e era de novo o meu quarto, a doce quentura da minha casa no cimo da ternura.

Não havia polícia nesse tempo. Ninguém roubaria a tranquilidade do meu sono, ninguém viria a meio da noite para me levar, porque bastava eu chamar:

- Mãe!

E logo uma voz, tão calma, mandava embora os fantasmas. E era a paz, nesse tempo, em que todos os anos, quando chegava o mês de Maio, ou mais exactamente, o dia 12 de Maio, às dez e um quarto da manhã, a minha mãe abria a porta do meu quarto e colocava, religiosamente, um ramo de rosas vermelhas sobre a minha vida, nesse tempo, em que dormir, acordar, nascer, crescer, viver, morrer, eram um rito no rito das estações.

Em Maio de 1963 eu estava na cadeia. Por vezes, a meio da noite, um grito abalava as traves da minha cabeça, direi mesmo da minha vida, e eu acordava suado, dolorido, como se um rato (talvez o medo?) me roesse o estômago. E era inútil chamar. Onde ficara essa voz que dantes vinha repor o sono no seu lugar, repondo a paz dentro de mim? E as manhãs penduradas no mês de Maio, onde acordar era uma festa? Onde ficara a ternura? Onde ficara a minha vida?

Em Maio de 1963 eu estava na cadeia. Dormia – como direi? – acordado sobre cada minuto. Tinha aprendido o irremediável. Alguma coisa, dentro de mim, se despedaçara para sempre (para sempre? Que quer dizer para sempre?). Era inútil chamar. Tinha aprendido, fisicamente, a solidão. Embora na cela do lado, alguém, batendo com os dedos na parede, me dissesse, como se fosse a voz longínqua do meu povo:

- Coragem!

Eu estava, pela primeira vez, fisicamente só, dentro do meu sono povoado por esse grito que estalava por vezes as traves da minha cabeça (onde essa voz que mandava embora os fantasmas?).

E era terrível essa manhã sem manhã, essa realidade branca e gelada, toda feita de paredes, grades, perguntas, gritos. Mesmo que na cela do lado, alguém, batendo com os dedos na parede, me dissesse:

- Bom dia!

era terrível acordar nessa estreita paisagem com sete passos de comprimento por sete de largura, tão hostil, tão dolorosa como as regiões dos pesadelos. Porque acordar era ter a certeza de que a realidade não desmentiria o pesadelo.

Mesmo que os meus dedos batendo na parede transmitissem notícias dum homem que podia responder:

- Bom dia!

de cabeça erguida era terrível acordar no mês de Maio, com a certeza de que no dia 12 a minha mãe não entraria pelo meu quarto, deixando-me na fronte um beijo, e rosas vermelhas sobre os meus vinte e sete anos.

Talvez seja preciso renunciar à felicidade para conquistar a felicidade. Eu estava na cadeia em Maio de 1963. Tinha aprendido a solidão. Tinha aprendido que se pode gritar com todas as nossas forças quando se acorda a meio da noite com um grito na cabeça e um rato (talvez o medo?), roendo-nos o estômago, que ninguém, ninguém virá repor a paz dentro de nós. E, então, é a altura de saber se as traves mestras dum homem resistirão. Pois só a tua voz, amigo, responderá ao teu apelo torturado na noite. E, nessa hora (a mais solitária das horas), se conseguires cerrar os dentes, dar um murro na parede, acender um cigarro, se conseguires vencer esse encontro com a solidão no mais fundo de ti próprio, com que alegria, com que estranha alegria, na manhã seguinte, tu responderás:

- Bom dia!,

mesmo que seja terrível acordar no mês de Maio, nessa estreita paisagem, gelada e branca, com sete passos de comprimento por sete de largura.

É certo que se podem escolher outros caminhos. Mas poderia eu ter escolhido outro caminho? Acaso poderia dormir descansado, onde quer que estivesse, sabendo que algures, na noite, há homens que batem, há homens que gritam?

Os fantasmas tinham entrado no meu sono, invadiram a minha casa no cimo da ternura; os fantasmas eram donos do País. E se eles viessem de repente, a meio da noite, e eu chamasse:

- Mãe!

A voz (tão calma) de minha mãe já nada poderia contra eles. Era um trabalho para mim, uma tarefa para todos aqueles que não podem suportar a sujeição. Eu nunca pude suportar a sujeição. Acaso poderia ter escolhido outro caminho?

Por isso, em Maio de 1963, eu estava na cadeia, isto é, de certo modo, eu estava no meu posto. No dia 12 não acordei com o beijo de minha mãe.

Porém, nessa manhã (não posso dizer ao certo porque não tinha relógio, mas talvez – quem sabe? -, às dez e um quarto, que foi a hora em que eu nasci), o carcereiro abriu a porta e entregou-me, já aberta, uma carta de minha mãe. E ao desdobrar as folhas que vinham dentro do sobrescrito violado, a pétala vermelha, duma rosa vermelha, caiu, como uma lágrima de sangue, no chão da minha cela.

Manuel Alegre (in Praça da Canção)
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Terça-feira, 30 de Abril de 2019

Treinar e aprender

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Treinando o inglês e aprender com os melhores 

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Segunda-feira, 22 de Abril de 2019

Dia mundial do livro

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Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és. Também podes dizer-me quanto lês: muito, pouco nada. Por mim tenho feito leituras extraordinárias e a apresentada agora, surpreender-me-ia que não fosse a leitura do ano.  Sabemos o poder que as histórias - sagradas ou profanas - têm para formar, manter e consolidar identidades de povos, culturas e nações. Histórias inventadas que os homens viveram como realidades inquestionáveis, hoje património mitológico da humanidade. Livros sagrados de hoje terão o mesmo destino amanhã. A matemática - a dos pitagóricos, a de Galileu, os Data, os algoritmos, enfim, a ciência - acabará com as histórias. E não sabemos se isso será uma coisa boa, ou se isso ainda será humano.

Mas não é disso que o livro trata. Ensina-nos como os números nos ensinam a lidar com o mundo ... e com o medo. Ensina-nos como as histórias nos perdem e os fatos nos salvam.

 

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Quinta-feira, 4 de Abril de 2019

Aprendendo inglês, livro a livro

Resultado de imagem para os humanos matt haigEu que sou um crítico do Calhas, desta vez tenho que lhe dar razão. Calhou olhar para este livro, exposto na FNAC, li a contracapa, dei uma olhada pelo prefácio, vi qual era o assunto e, tratando-se de um alienígena que procura conhecer os humanos, aprecebi-me que eu, aprendente do inglês, o poderia acompanhar no seu objetivo. E assim foi: ele ficou humano e eu fiquei a saber um pouco mais de inglês. 

" The mystery lies in how those things becomebeautiful. And they would have been beautiful once, at least not to my eyes. To experience beauty on the Earth you needed to experience pain and to know mortality. That is why so much that is beatiful on this planet has to do with time passing and the Earth turning. Which might also explain why to look at such natural beaty was to also feel sadness and a craving for a life unlived"

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Segunda-feira, 1 de Abril de 2019

Andar, passo a passo. A caminho de Islamabad

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"Caminhar -dar um passo de cada vez-pode ter a ver com amarmos a Terra, vermo-nos a nós próprios  e deixarmos o nosso corpo viajar à mesma velocidade da nossa alma."

In, A arte de caminhar - um passo de cada vez

 

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Terça-feira, 19 de Março de 2019

The Invention of Solitude, porque hoje é o dia do pai

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A tradição, o hábito são lugares por excelência da preguiça que nos levam a uma repetição monótona dos mesmos padrões e nos levam a aceitar como natural aquilo que o não é. A realidade é dialética como nos ensinou, de diferentes modos, Heraclito, Hegel e Marx. 

Porque hoje é dia do pai e acabei de ler este livro (acerca de um mês, e porque é um belo livro, em que o escritor na primeira parte fala do seu pai, narrando a sua experiência de filho, e, na segunda parte, narra a sua expeiência como pai),  aqui vai a minha sugestão de leitura.

Pergunto-me: Quantos livros é preciso ler, em inglês, até conseguir uma leitura fluente? Este foi o segundo neste ano. 

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Terça-feira, 12 de Março de 2019

Andar, passo a passo. Solvitur ambulando

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Uma das maiores controvérsias entre os filósofos gregos, que continuou depois deles e continuará, foi o problema do movimento. De forma racional, Parménides e os seus discípulos procuravam demonstrar a inexistência de movimento. O excêntrico Diógenes, ( o tal que se passeava pelas ruas durante o dia de candeia acesa à procura de um Homem e que dormia dentro de uma pipa), respondeu:solvitur ambulando (isso resolve-se caminhando).

Filosofias à parte ( como se fosse possível), as más disposições têm no movimento o seu principal remédio. Não é por acaso que, por bem ou por mal, o professor manda o aluno, em diferentes tons de vós e em diversas formas de enunciação, para fora da aula. Quando alguém está a ficar morcão, a sair fora de si, a incomodar ou a incomodar-se, ou não está a dar carreira direita no que faz, o melhor é, por si, ir dar uma volta, antes que alguém o mande à fava, a pintar macacos, abaixo de Braga ou a outros indesejáveis lugares. 

Por isso, desde há anos, segui o conselho da minha médica: Ponha-se a andar!

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Sexta-feira, 8 de Março de 2019

Chegada a Cabul, passo a passo

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Partida de Vila Nova de Gaia em 16 de Janeiro de 2016, chegada a Cabul em 8 de Março de 2019, tendo andado, passo a passo, 11337 Km (onze mil trezentos e trinta e sete quilómetros). Sem férias, sem feriados, sem descanso ao sétimo dia. A partir de amanhã, a caminho de Islamabad.

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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2019

A chegar a Cabul, passo a passo

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A chegar a Cabul lá para meados de Março. Tudo a correr sobre rodas (quer dizer a andar sobre pernas). Persistência, consistência, resistência... e CORAGEM.

"... todas as minhas camnhdas foram diferentes, mas, olhando para trás, todas têm um denominador comum: o silêncio interior. A caminhada e o silêncio estão interligadas. O silêncio é tão abstrato quanto o caminhar é concreto"

publicado por julmar às 20:59
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

A minha dívida a Calouste Gulbenkian

Ao longo da minha vida contraí imensas dívidas. Espero viver anos suficientes para as poder saldar. Entre os meus credores está o "Homem mais rico do mundo", "o senhor 5%". Foi no princípio da década de 70, do século passado, que me foi atribuída uma bolsa de estudo, pela Fundação Calouste Gulbenkian que me permitiu fazer uma licenciatura de Filosofia. 

Sem Calouste Sarkis Gulbenkian o curso da minha vida seria diferente. Ler a sua recente biografia, conhecer a vida do grande mecenas, é a melhor forma que encontrei de saldar a minha dívida.

publicado por julmar às 18:16
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019

Não seja macaco

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 Em verdade, em verdade vos digo:

Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo;
mas se morre, então produz muito fruto.
25 Quem se apega à sua vida, perde-a;
mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo
conservá-la-á para a vida eterna.
                                                                                              Evangelho - Jo 12,24-35
 
Não precisamos ( nem devemos) aceitar ou pôr em prática quanto os livros nos dizem, sobretudo, se de livros sagrados se tratar. Porém, é estultícia não aproveitar quanto de sábio neles existe. No caso, a passagem do Evangelho de S. João.
Deixando de parte, a vida eterna, à qual  só os eleitos aspiram, deveríamos levar muito a sério o apelo à humildade e ao desapego, pressupostos de valores maiores como a generosidade, o altruísmo e a liberdade. 
E, claro, depois de, na história da evolução termos superado o macaco, não sermos tão estúpidos como ele e sabermos que há coisas mais importantes que os amendoins. E cada um saberá quais são os seus.
Certamente, já ouviu falar de como caem na armadilha: uma garrafa de vidro de pescoço estreito, amarrada ao tronco de uma árvore com amendoins dentro. O macaco vendo os amendoins, escorrega a mão pelo pescoço da garrafa e agarra os amendoins. Depois o punho fechado não lhe permite retirar a mão. Ele fica lá por horas, agarrado aos amendoins, até que o caçador chega  e pega nele.
 
publicado por julmar às 15:53
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Sábado, 26 de Janeiro de 2019

Hard Times

Captura de ecrã 2019-01-26, às 21.02.10.png“Now, what I want is, Facts. Teach these boys and girls nothing but Facts. Facts alone are wanted in life. Plant nothing else, and root out everything else. You can only form the minds of reasoning animals upon Facts: nothing else will ever be of any service to them. This is the principle on which I bring up my own children, and this is the principle on which I bring up these children. Stick to Facts, sir!"

publicado por julmar às 21:03
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019

"Bôs dias le dê Deus"

Poucos davam uma saudação tão simples e encenada como a sua: a entoação da curta frase, acompanhada de um gesto que leva a mão ao chapéu, que nunca tira, era generosamente dirigida a todos que com ele se cruzavam, como um ritual, fossem ricos ou fossem pobres que a saudação não se nega a ninguém. Ao contrário de tantos outros, José Vicente, não se rebaixava junto dos ricos da terra que o seu mundo não tinha fronteiras e metia os pés ao caminho e tanto ia até à vizinha Espanha como aparecia em qualquer aldeia dos arredores na procura do sustento para si e para a sua Maria das Dores. Melhor que tudo era uma aguardente pela manhã e um copo de vinho a qualquer hora. Grande Zé Vicente que, sabe-se lá porquê, carregava a alcunha de Salazar.

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019

Science and Islam, aprendendo em inglês

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Europeus, neste cantinho da Europa chamado Portugal, o que aprendemos do mundo árabe quase se reduz a sabermos que as palavras portuguesas começadas por al, grande parte, são de origem árabe. Curiosamente, o nosso mundo rural, onde quase não chegou a entrar a tecnologia da revolução industrial fundada na ciência moderna, assentou nalgumas tecnologias criadas no mundo árabe. Refiro apenas duas: a nora e o alambique. 

publicado por julmar às 21:02
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

Aprendendo com os melhores

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O tempo é o bem mais precioso que temos. Sabemos quanto já tivemos e não sabemos quanto teremos. Podemos decidir em que o gastamos: a tratar de nós, a tratar dos outros, a tagarelar, a bricolar, a viajar, a pintar, a escrever, a ouvir música, a pasmar, a pensar na morte da bezerra, a rezar. Por mim, uma considerável parte desse bem escasso é usado a andar(passo a passo) e a ler (linha a linha, página a página). A leitura contém esta coisa extraordinária: podermos escolher o que de melhor pensaram os melhores filósofos, cientistas, escritores, poetas. Edward O. Wilson está entre eles.

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

Memórias de um Viandante

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Referem as biografias de I. Kant (1724-1804), filósofo alemão, que ele se levantava às cinco da manhã, tomava o seu chá, fumava o seu cachimbo e, passando pela preparação de aulas, escrita e lecionação, impreterivelmente, às cinco horas da tarde, fazia a sua caminhada habitual, cujo horário, segundo a famosa lenda, era tão preciso e invariante que as donas de casa de Königsberg podiam acertar os seus relógios pelo minuto em que o Professor Kant passava pela rua de suas casas. Ora, admirador que sou da obra de Kant, encontrando-me em férias em Vilar Maior, durante o mês de Agosto, todos os dias, quase com a regularidade cronométrica do filósofo, antes do nascer do sol, iniciava o percurso Vilar Maior-Aldeia da Ribeira – Vilar Maior. Como filósofo, tão longe do esplendor de Kant mas com a mesma atitude filosófica, sei quão importante é para a reflexão e para o devaneio, a mecanização do corpo andante. Ocorreu, nesses devaneios matinais, perguntar-me: Porque não fazer todos os dias um trajeto diferente? Porque não percorrer todas as terras do concelho? E veio-me à memória o título da obra de Joaquim Manuel Correia – Memórias Sobre o Concelho do Sabugal. Não medi distâncias nem fiz cálculos; não consultei mapas nem fiz qualquer preparação. No dia seguinte, e todos os dias que seseguiram encontrei-me num trajeto diferente. À noite,antes de adormecer, decidia o trajeto do dia seguinte. Em cada percurso procurava, sobretudo, ver, ouvir, cheirar, sentir a brisa da manhã, ver o prateado do horizonte que gradualmente se doirava até aparecer a bola de fogo. Não há raiar da aurora tão belo como o da Raia, aqui onde o dia nasce pequenino, ali perto, em Espanha. E o tempo de andar a pé, dá para tudo: para sentir, pensar, sonhar, imaginar…e para desenhar o que faria com estas viagens. Poderiam ficar pelo andar, pelo ver, pelo pensar, como conversas para mim próprio. Porém, sei bem do prazer e do proveito que advém de tentarmos interpretar as nossas experiências e de as comunicarmos aos outros e, se uns o fazem pelo desenho, pela pintura, pela música, ou por qualquer outra forma, eu não o consigo fazer senão, e com dificuldade, pela escrita.
Assim, o que escrevo não tem pretensão maior do que conhecer melhor estas terras na sua configuração natural, na compreensão do esforço multissecular de gerações na humanização da paisagem e na construção de um património cultural que nos deu a identidade que nos tornou aquilo que somos. Escrevo para aprender; não escrevo para dizer como as coisas são, mas, tão só, como eu as vejo. Se torno público, estas divagações, é só por considerar que outros, vendo como eu olho, tenham a oportunidade de olhar de modo diferente. Como dizia A. Gedeão no poema Impressão Digital:
Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros, com outros olhos,
Não veem escolhos nenhuns.
E lá fui eu, qual D. Quixote sem escudeiro, caminho fora, passo a passo na redescoberta das terras do Côa, da margem esquerda e da margem direita, subindo e descendo montes, atravessando rios, olhando horizontes que se perdem por Espanha, pela serra da Estrela, por Malcata

Por Terras do Sabugal, passo a passo – Memórias de um Viandante

publicado por julmar às 13:01
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Sábado, 5 de Janeiro de 2019

Primeira leitura de 2019 - A arte de caminhar

a arte de caminhar.jpg

É difícil (impossível?) entender assuntos dos quais não se tem experiência e daí o meu sentimento de alegria e felicidade na leitura da presente obra. De uma assentada (difícil para quem anda tanto a pé) li metade do livro, uma interessante conversa, entre mim e o autor, nós que partilhamos o amor à sabedoria (filósofos) e o gosto de andar : para Erling - um passo de cada vez; para mim - passo a passo.

E a experiência de andar desta maneira leva-nos a dar uma suprema importância às pequenas coisas, à persistência, à coragem, à humildade, à apreciação das coisas simples, ao vagar necessário para o saber e o sabor.

E subscrevo o agora meu companheiro e amigo Erling Kagge:

"Depois de calçar os sapatos e deixar vaguear os meus pensamentos, cheguei a uma certeza: pôr um pé à frente do outro é uma das coisas mais imortantes que podemos fazer"

 

 

publicado por julmar às 18:58
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