Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Górgias - Lendo Platão


Infelizmente, cada vez curamos menos de dotar os nossos jovens de uma sólida formação humanista, preocupados que andamos com questões de empregabilidade, eficiência técnica, economia e questões do imediato. A filosofia desapareceu do 12º ano, curso que lecionei anos a fio. A verdade é que quem se preocupar apenas com ter pão, nem isso terá em abundância.
Todo o nosso saber, todo o nosso direito, toda a nossa política está fundada no mundo grego. Não ter conhecimento da filosofia e da cultura grega, constitui grave handicap (ou menticap?).
Bem que melhoraria a nossa classe política entregando-se um pouco ao seu estudo. Sobretudo Platão – está tudo lá
Este diálogo tem como tema pricipal a Retórica, qual a sua função e como esta deve ser utilizada. Uma das personagens principais é o próprio Górgias, famoso sofista siciliano conhecido em Atenas como o melhor orador. A disputa de Sócrates acerca da retórica e o seu valor vai permitir a Platão estabelecer o conforto entre dois usos opostos da linguagem – como instrumento de poder e como instrumento de verdade. Ou seja a linguagem defendida pelos sofistas (representados por Górgias, Polo e Cálicles) sofistas e a linguagem defendida pelos filósofos Sócrates e Platão - que conclui que esta é não só inútil, mas mesmo imoral.
publicado por julmar às 16:34
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2012

Os poemas da minha vida - Poema para Galileu

António Gedeão admirava Galileu e eu admiro os dois. Os poemas de que eu gostava colavam-se-me na memória e soltavam-se-me pela voz. As coisas de que gostamos, as coisas que sabemos muito bem, sabêmo-las de cor, do coração(cor, cordis). Por isso, os meus alunos pasmavam (não sei se do poema, se da minha façanha, se dos dois) quando desfiava este poema.

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeca
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas - parece que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai, Galileo!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.
publicado por julmar às 17:31
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Aprendendo com Agostinho da Silva

"Meu caro Amigo:

Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, seles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas.

Os meus conselhos devem servir para eu você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhe: a de se não conformarem.

A réplica, como você já está vendo, também é fácil; se o meu desejo é sempre de que se não conformem, se quero neles a mesma força que existe ou desejaria que existisse, sou tão inquisitorial como qualquer outro. Todo o mestre (deixe-me pôr o caso como que impessoalmente e sem de modo algum pretender ser mestre), todo o mestre quer os seus discípulos iguais a ele, mesmo quando parece dar-lhes a maior liberdade.

Dirá o Luís que seria talvez o modelo de mestre o que, por exemplo, não ser do tipo conformado os reconhecesse e quisesse a todos, de qualquer tipo que eles fossem; agora ponho eu objecções: querer tudo, tudo aceitar mas de dentro, sinceramente não apenas em palavras ou em atitudes de superfície não é ser conformado nem o contrário. Não é não ser nada: é ser tudo, como Deus. Claro está que Deus é o grande mestre: chove sobre o justo e o injusto. Mas nos mestres da terra, se não os alargarmos às proporções divinas, isto é, se os não fazemos desaparecer, há sempre uma semente de tirania.

Se sou mestre, não posso fugir à fatalidade. Supostamente, a tirania do contra agrada-me mais do que a tirania de seguir. Oponha-se sempre que possa. Dar-lhe-ei o conselho de se opor, mesmo quando lhe parece que tenho razão? Não me parece mau como exercício. Mas as melhores ginásticas deformam, se são um vício ao contrário. Não andar pouco, não andar muito. Toda a vida bem vivida, harmoniosamente vivida, vivida sem faltas, sem medidas, com felicidade, com serenidade, é uma vida medíocre. Tudo o que passe do medíocre tem em si o excesso e o erro.

Feche, pois, os ouvidos ao que lhe ensino, se alguma coisa lhe ensino; faça a viagem por sua conta e risco, você mesmo ao leme; se tivermos naufrágio, far-lhe-emos uma Elegia Maritima: duas páginas de versos todos cheios ao ritmo das vagas e desse estranho soluçar do vento nos altos mastros do navio."

Agostinho da Silva

In. Sete cartas a um jovem filósofo. Ulmeiro, pp. 39-41.
publicado por julmar às 17:25
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Sábado, 10 de Novembro de 2012

Steve Jobs

 

Para quem não tem tempo para as biografias volumosas, tem a biografia publicada pela revista Visão na colecão Histórias de Génios. E, claro, vale a pena ler a biografia de Steve Jobs. Nascimento indesejado, entregue para adoção, aluno desmotivado e com problemas disciplinares, apaixonado pelo design e pela caligrafia e pela eletrónica, pelas humanidades, mau feitio, indomável transportou para a empresa o lema aplicado na sua vida: "Think different".

No filme para televisão, um texto lido pelo ator Richard Dreyfus, traduz na perfeição o génio de Sreves Jobs:

«À saúde dos loucos. Dos inadaptados. Dos rebeldes, dos agitaddores.Dos desajustados.Daqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não gostam de regras. E eles não têm respeito pelo status quo. Podemos citá-los, discordar deles, glorificá-los ou vilipendiá-los. A única coisa que não podemos fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles fazem a raça humana andar para a frente. E embora alguns possam considerá-los loucos, nós vemo-los como génios. Porque as pessoas suficientemente loucas para acharem que podem mudar o mundo ... são as que o mudam», e as imagens dos loucos: Einstein, Edison, Chaplin, Dylan e o logótipo da Apple.

publicado por julmar às 21:49
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Lendo Eduardo Lourenço - Heterodoxia I

" A heterodoxia é a humildade do espírito, o respeito simples em face da divindade inesgotável do verdadeiro. Resistamos à ilusão de que tudo pode ser inundado de luz. Deixaríamos de ver. Recusemos o absoluto humano de Calígula, a tentação da unidade a todo o custo, uma vez que sabemos ser a unidade o pretexto do imperador louco para cortar a cabeça ao povo romano. No plano do conhecer ou no plano do agir, na filosofia ou na política, o homem é uma realidade dividida. O respeito pela sua divisão é Heterodoxia."

publicado por julmar às 19:53
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

MATEMÁTICA EM PORTUGAL - Uma questão de Educação

Ainda que a minha matemática não tenha ido além do quinto ano do Liceu ( no meu caso do seminário) e ainda que nunca tenha sido bom aluno na matéria, tive a felicidade de no quinto ano ter reprovado a matemática.  Ficava obrigado a ir prestar nova prova no regresso das Férias Grandes, em Outubro. Pela primeira vez me via confrontado, só, sem qualquer apoio, a entender toda a matéria. Daí resultou, com estudo aturado - com o grosso livro contendo a matéria do terceiro, quarto e quinto ano de autor de apelido Calado e com o caderno de exercícios de Palma Fernandes - o meu entendimento da matéria, descobrindo, com surpresa, que os exercícios matemáticos me davam prazer. A matemática, como nenhuma outra matéria, exige concentração, treino, persistência. Cada problema é um desafio e o espírito não sossega enquanto não encontra a solução.

Enquanto professor, de Filosofia, sempre me questionei sobre as altas taxas de insucesso na disciplina  de matemática e fiz mesmo algumas investigações, a título pessoal, sobre o assunto. Aliás,  a aprendizagem e os resultados da Filosofia, situam-se na confluência do Português - vertente discursiva/expressiva e da Matemática - vertente lógica.

Nesta obra o autor defende a tese de que em Portugal não existem matemáticos, com excepção de Pedro Nunes, tal se devendo a um problema de (falta/má) educação. A mesma tese, digo eu, é válida igualmente para o caso da Filosofia, cujos requisitos de aprendizagem são, em grande parte, idênticos. Num e noutro caso a incomodidade do raciocínio abstracto, a aversão ao teórico, o querer resultados à vista, algo de palpável. A matemática pura e a metafísica pertencem ao reino das coisas que não servem para nada e os portugueses não têm tempo para isso, não estão com meias medidas e querem ir diretamente ao assunto. Sentem o que Fernando Pessoa exprimiu poeticamente: "Pensar dói como andar à chuva".

Por outro lado, periférico, Portugal ficou sempre longe da produção científica e cultural.

Católicos, apostólicos, romanos, conservámos os rituais religiosos em língua latina, sem entender da religião, senão o folclore das festas, das imagens de santos, virgens, anjos querubins e serafins - a representação da corte celestial presidida pela Santíssima Trindade.

Católicos, ficou-nos vedado o acesso à palavra de Deus para quem a igreja de Roma considerou que apenas o latim era língua digna. Por isso, se considerava inútil e até contraproducente o aprender a ler e a escrever.

Católicos puros, duros e analfabetos, invejosos dos judeus cultos e ricos, subservientes aos interesses de Castela, decretou-se que os judeus que não se convertessem, fossem expulsos. Para o que se crIou Tribunal do Santo Ofício.

Católicos transportámos para as relações sociais os rogos e os pedidos aos santos para favorecimentos pessoais, apadrinhamentos, tráfico de influências, enfim, um arquétipo de corrupção.

Toda a nossa história é uma história de má educação. Todo o trabalho que exigir continuidade, persitência, sustentabilidade, massa crítica estão votados ao fracasso. Por isso, a nossa má educação. Por isso,não há na nossa história nem matemáticos, nem cientistas, nem filósofos. Temos artistas, nomeadamente, poetas cujas exigências intelectuais são outras.

O facto aceite de que os portugueses são muito bons na arte do desenrascnaço corrobora o que se disse: porque não se previu, tem que se remediar. Peritos em estratagemas e artimanhas inventadas, aprendidas e praticadas desde o início da escolaridade. O astrolábio lusitano é a melhor ilustração do espírito prático e do desenrascanço dos portugueses.

A cultura é para a educação e o conhecimento o que o clima é para o desenvolvimento das plantas.

 O que nos falta é luz e calor.

 

publicado por julmar às 21:44
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Lendo Ítalo Calvino

Uma pequena grande obra, lida de sofreguidão.

"Cheguei ao fim desta minha apologia do romance como grande rede. Poder-se-á objectar que quanto maior for a tendência da obra para a multiplicação dos possíveis mais se afasta do unicum que é o self de quem escreve, a sinceridade interior, a descoberta da sua própria verdade. Pelo contrário, respondo eu, quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinação de experiências, de informações, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objectos, um catálogo de estilos, onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis.

Mas talvez seja outra a resposta que levo mais a peito: oxalá fosse possível uma obra concebida fora do self, uma obra que nos permitisse sair da perspectiva limitada de um eu individual, não só para entrar noutros eus semelhantes ao nosso, mas também para fazer falar o que não tem palavra, o pássaro que poisa nobeiral, a árvore na Primavera e a árvore no outono, a pedra, o cimento, o plástico...

Não seria este porventura o ponto de chegada para que tendia Ovídio ao contar a continuidade das formas, o ponto de chegada para que tendia Lucrécio ao identificar-se com a natureza comum a todas as coisas?"  pg 145

 

publicado por julmar às 12:02
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