Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016

Dia de celebrar chegada a Berlim, passo a passo

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 Quem anda por gosto, não cansa, diz o provérbio. Pode-se andar de infinitas maneiras e eu ando à minha. Iniciei a minha contagem no dia 14 de Janeiro e somei no dia de hoje, 17 de Novembro 2667,95Km. Cálculos feitos saí de Vila Nova de Gaia a 14 de Janeiro, atravessei Portugal, Espanha, França, Bélgica e, quase, toda a Alemanha, chegando hoje a Berlim, exatamente ao sítio onde se erguia o muro que durante a guerra fria dividiu a cidade de Berlim e a Europa. A próxima etapa será Varsóvia. 

Creio dever tudo isto ao pedido que o meu filho me fez quando hà 29 anos lhe perguntei qual era a prenda que desejava para os seis anos que ia fazer no dia 17 de Novembro. Como tinha aprendido na escola que era o dia do não fumador, disse-me que a prenda era eu deixar de fumar. Levei o pedido a sério e consegui o que em várias tentativas anteriores não conseguira. Creio qe não teria conseguido "chegar a Berlim" sem essa prenda que dei ao meu filho.

Por isso, hoje é um dia de celebrações: Dar os parabéns e agradecer ao meu filho, de parabenizar todos os que deixaram de fumar e a minha "chegada a Berlim". 

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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016

Leituras longas

Wook.pt - História da Vida Privada em Portugal - 1.º Volume

 

Leitura vagarosa, lenta, longa como o exige o assunto. Alguma  coisa do que sei de História de Portugal devo-o à leitura ou cordenação de obras de José Mattoso. Tem o condão de nos levar através do concreto à compreensão de lugares e épocas passadas. Esta obra, cujo leitura se encaminha para o fim, ajuda-me a compreender o mundo rural da minha meninice que, em grande parte, era sob muitos aspetos um mundo medieval:a distinção entre espaços públicos e privados, as formas  de identificação das pessoas e as formas de inserção familiar e social, as celebrações festivas. A alimentação, a sexualidade, a saúde, a doença, o corpo, alma. 

 
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

Obrigado, Leonard Cohen

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https://www.youtube.com/watch?v=YrLk4vdY28Q

 

 

 

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Leitura de Novembro

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Depois de há muitos anos ter ficado fortemente impressionado com a leitura de 'A um deus desconhecido' e ter realizado um trabalho académico no domínio da Sociologia sobre 'Bairro da Lata', chegou a vez de ler aquela que é a mais emblemática obra do autor: 'As Vinhas da Ira'. Leitura feita num momento em que a frustração, o medo e a ira voltam a crescer na terra do sonho americano.

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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2016

Leitura de Outubro

Wook.pt - Ikigai - Viva bem até aos cem

Entre nós os livros de auto-ajuda não têm grande reputação e as livrarias normalmente colocam-nos numa secção que designam por 'Espiritualidades' onde aparece uma oferta muito variada. O mais correto seria chamar a tal secção 'Desenvolvimento Pessoal'. E, como em todas as secções, aparece por lá um pouco de tudo. A novidade deste, e foi o que me levou à sua leitura, foi o subtítulo - Os segredos dos centenários do Japão para uma vida longa e feliz. Sendo um objetivo louvável querer viver bem até 2051, há que pôr em prática os conselhos de quem já lá chegou.

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A teia de aranha

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 Manhã de Novembro no passeio diário pelo Paeque Biológico de Gaia

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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

Leituras breves

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Os bons livros não se lêm apenas, relêm-se. Este é um deles. Lido pela primeira vez nesta preciosa coleção de livros Europa-América. Desta vez, num pdf.

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Requiescat in pace, João Lobo Antunes

  resultado de imagem de João Lobo Antunes

Há gente que entra na nossa vida por grandes ou pequenas coisas. João Lobo Antunes entrou na minha vida por mor do prefácio que escreveu ao livro De Profundis Valsa Lenta, do escritor José Cardoso Pires. Lembro-me de ter ficado impressionado com a beleza literária do texto.

 

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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

A Carta da Terra

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Um documento fundamental da humanidade

Veja a versão integral

 https://docs.ufpr.br/~dga.pcu/Carta%20da%20Terra.pdf

 PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações. TERRA, NOSSO LAR A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2016

Andar por andar

ténis

 Em tempos, fiz uma pequena investigação e publiquei um opúsculo sobre as múltiplas expressões em torno da palavra andar, procurando aí alguma identidade do modo de ser português. Consulte um bom dicionário e ficará pasmado, no caso de ser dado a pasmos, com a quantidade de expressões, tendo, porém, a certeza de que lhe escaparão sempre algumas. Desde andar com o cu às fugas ao andar com o credo na boca com que poderíamos iniciar um discurso para falar do tenebroso tempo da Inquisição. 

A medicina clássica parece ter, recentemente, descoberto as vantagens de andar. A minha médica, excelente profissional,  em tempos que eu levava uma vida sentada, surpreendeu-me, terminando a consulta a receitar-me um par de sapatilhas e um conselho: Ponha-se a andar. Levei a sério a receita e o conselho e não parei de lhe dar cumprimento e estou mesmo em crer que não seria como sou se não me tornasse militantemente andante. Essa é também a experiência que nos conta o escritor japonês Haruki Murakami no seu livro Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo onde ele reflete sobre o que significa correr e como esse fato se refletiu na sua forma de escrever. É no ato de andar que a nossa alma, tantas vezes divorciada do corpo,  se encontra com ele e descobre as suas raízes biológicas e com isso entramos em comunhão com a natureza que nos gerou.   

Por isso, senão pode correr, ande; senão pode andar depressa, ande devagar. Mas ande. O nosso corpo foi feito para andar. A pior descoberta que o homem fez foi a de que se podia sentar e começou a usar o cu para aquilo que não foi feito, para estar sentado, que se podia fixar num sítio, que se podia sedentarizar. E descobriu a agricultura e com ela surge a acumulação a desigual distribuição de recursos, enfim, a dialética do senhor e do escravo. Os homens sedentários precisam de deuses ou, pelo menos de outros deuses.

A essência do homem é ser viajante (via+agere), fazer caminho. A vida é uma viagem. Viver a vida como deve ser é viajar. Por isso, não deve andar para chegar ali ou além, porque ali ou além não estará ninguém à sua espera. Estará você, os companheiros de viagem e as recordações da viagem. Subirá ao mais alto monte e verá, lentamente, o sol desaparecer no horizonte, pela última vez. Nesse momento final, tudo o que conta é a aceitação feliz de a viagem ter chegado ao fim. Pôs-se o sol, a escuridão desceu sobre a terra e não haverá amanhã.

É triste? Não. Triste é ontem não ter andado.

 

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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2016

Leituras de Setembro - O Sentido da Vida Humana

Há um conjunto de perguntas que sempre se me colocaram mas, ultimamente mais insistentemente, e de um ponto de vista diferente. E encontro-as logo no início: «Terá a humanidade um lugar especial no Universo? Qual o sentido das nossas vidas pessoais?» Do ponto de vista da religião, nada há a procurar. A resposta está dada. O ponto de vista que interessa, em termos de conhecimento, é, pois, o científico.

É para essa viagem que o autor nos convida mostrando, demonstrando e argumentando que:

«A humanidade se ergeu pelo próprio pé, através de uma série de eventos que ao longo da evolução se foram acumulando. Não estamos predestinados a atingir seja que objetivo for, tão pouco temos de responderr perante outro que não seja o nosso próprio poder. Apenas a sabedoria baseada numa autocomprensão, e não a piedade, nos salvará. Não haverá redenção nen segnda oportunidade que, de cima, nos venha a ser concedida. É só este planeta que temos para habitar e este sentido que temos para desvendar. Para dar este passo na nossa viagem, para entender a condição humana, precisamos de uma definição de história bem mais ampla do que aquela que convencionalmente é usada» .

E recordo Kant e a sua Crítica da Razão Pura na qual conclui pela possibilidade do conhecimento científico e pela impossibilidade da Metafísica como ciência. E o seu estímulo para que a humanidade no seu conjunto e cada indivíduo em particular tenha a coragem de «SAPERE AUDE!»  (Ousa saber!)

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Festejar, lembrando Agostinho Gomes

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Estou certo que o poeta ia gostar, que o filho ia gostar, de saber que estávamos em sua casa, na sua quinta a apertar os fios com que se tece a amizade. E, talvez, tenha escrito este poema para nós.

Um dia,

A querer espargir

 Mensagem 

Que mora em ti, 

Sê simples 

Simplesmente. Tu. 

 

Como a água de rasteiras fontes...

Não diz de onde vem,

Não diz para onde vai,

 E mata sedes...

 

Como flor dos caminhos...

Anónima de cor e aroma,

É esperança de viandeiros,

Como seara ondulante...

Música alada

E aceno lento

De fome apaziguada  ...

 

 

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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

Turismo em Vilar Maior

turismo.jpgOrganizada pelo blog PORTUGALNOTÁVEL de Carlos Castela, tivemos hoje a visita a Vilar Maior de um grupo de pessoas que, sob a orientação da guia Rita Miguel, apreciaram o nosso património com destaque para a Pia Batismal, Igreja de Nossa Senhora do Castelo e o Castelo. Mais gente que aprendeu um pouco de nós e da nossa história. 

O nosso agradecimento ao Carlos Castela pela divulgação que tem feito do nosso património. 

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Sábado, 6 de Agosto de 2016

Até um tomateiro sabe

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Não se queixe da origem humilde em que nasceu, dos pais que eram pouco instruídos, da dureza da infância, enfim, de que o meio onde nasceu era muito limitador. Haverá sempre uma nesga de terra onde poderá crescer, florir e dar fruto.

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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Revisitando Aristóteles

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 Quanto mais lemos Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) mais aumenta a nossa admiração pela sua obra. Pela sua extensão e pela sua qualidade. Organizar, compreender e explicar o ser em todas as sua manifestações, com os meios existentes à época é algo de extraordinário: Metafísica, Cosmologia, Física, Biologia, Lógica, Gramática, Retórica, Psicologia, Ética, Política, História dos Animais ... não é para qualquer um. Bem tentam mexer na gramática, dar nomes diferentes às coisas, mas o que prevalece sempre é a gramática fundada por Aristóteles. A Física de Aristóteles nada tem hoje que cientificamente se aproveite. Porém, é de uma beleza ímpar, e, no dia-a-dia, é a que utilizamos. Ainda continuamos a ver o mundo e a vida com os olhos de Aristóteles.

«A julgar pela vida que os homens levam em geral, a maioria deles, e os homens de tipo mais vulgar, parecem (não sem um certo fundamento) identificar o bem ou a felicidade com o prazer, e por isso amam a vida dos gozos. Pode-se dizer, com efeito, que existem três tipos principais de vida: a que acabamos de mencionar, a vida política e a contemplativa. A grande maioria dos homens se mostram em tudo iguais a escravos, preferindo uma vida bestial, mas encontram certa justificação para pensar assim no fato de muitas pessoas altamente colocadas partilharem os gostos de Sardanapalo2

Ora, nós chamamos aquilo que merece ser buscado por si mesmo mais absoluto do que aquilo que merece ser buscado com vistas em outra coisa, e aquilo que nunca é desejável no interesse de outra coisa mais absoluto do que as coisas desejáveis tanto em si mesmas como no interesse de uma terceira; por isso chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa. 

Ora, esse é o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. É ela procurada sempre por si mesma e nunca com vistas em outra coisa, ao passo que à honra, ao prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmos (pois, ainda que nada resultasse daí, continuaríamos a escolher cada um deles); mas também os escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a posse deles nos tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe tendo em vista algum destes, nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela própria ; mas fazê-lo à pessoa que convém, na medida, na ocasião, pelo motivo e da maneira que convém, eis o que não é para qualquer um»

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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Discurso sobre a servidão voluntária

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 Étienne de La Boétie (1530-1563) e Michel de Montaigne (1533-1592) foram dois grandes humanistas do século XVI - um tempo prodigioso que rompe com o passado e lança as bases do ocidente moderno - que mutuamente se admiravam. Era um tempo em que a política era pensada não, ou não apenas, como um jogo de estratégias e táticas mas baseada nas virtudes e, por via disso, no assentamento do bem. 

Mas a natureza da tirania não se coaduna com a virtude e, o tirano só se pode manter, pela prática continuada do mal, organizando uma rede onde envolve toda a sociedade:

  «Sempre foi a uma escassa meia dúzia que o tirano deu ouvidos, foram sempre esses os que lograram aproximar-se dele ou ser por ele convocados, para serem cúmplices das suas crueldades, companheiros dos seus prazeres, alcoviteiros suas lascívias e com ele beneficiários das rapinas. Tal é a influência deles sobre o caudilho que o povo tem de sofrer não só a maldade dele como também a deles. Essa meia dúzia tem ao seu serviço mais seiscentos que procedem com eles como eles procedem com o tirano. Abaixo destes seiscentos há seis mil devidamente ensinados a quem confiam ora o governo das províncias ora a administração do dinheiro, para que eles ocultem as suas avarezas e crueldades, para serem seus executores no momento combinado e praticarem tais malefícios que só à sombra deles podem sobreviver e não cair sob a alçada da lei e da justiça. E abaixo de todos estes vêm outros. 

Quem queira perder tempo a desenredar esta complexa meada descobrirá abaixo dos tais seis mil mais cem mil ou cem milhões agarrados à corda do tirano; tal como em Homero Júpiter se gloria de que, puxando a corda, todos os deuses virão atrás.» 

E termina com um belo texto sobre a amizade

«A verdade é que o tirano nunca é amado nem ama. 

A amizade é uma palavra sagrada, é uma coisa santa e só pode existir entre pessoas de bem, só se mantém quando há estima mútua; conserva-se não tanto pelos benefícios quanto por uma vida de bondade. 

O que dá ao amigo a certeza de contar com o amigo é o conhecimento que tem da sua integridade, a forma como corresponde à sua amizade, o seu bom feitio, a fé e a constância. 

Não cabe amizade onde há crueldade, onde há deslealdade, onde há injustiça. Quando os maus se reúnem, fazem-no para conspirar, não para travarem amizade. Apóiam-se uns aos outros, mas temem-se reciprocamente. Não são amigos, são cúmplices. 

Ainda que assim não fosse, havia de ser sempre difícil achar num tirano um amor firme. É que, estando ele acima de todos e não tendo companheiros, situa-se para lá de todas as raias da amizade, a qual tem seu alvo na equidade, não aceita a superioridade, antes quer que todos sejam iguais. 

Por isso é que entre os ladrões reina a maior confiança, no dividir do que roubaram; todos são pares e companheiros e, se não se amam, temem-se pelo menos uns aos outros e não querem, desunindo-se, tornar-se mais

fracos». 

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Segunda-feira, 20 de Junho de 2016

Visitando escritos de Agostinho da Silva

Pense por si próprio 

Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.

Agostinho da Silva, in 'Cartas a um Jovem Filósofo

publicado por julmar às 18:24
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Pessoas e lugares da minha vida - A minha manhã submersa 4

Évora 6º ano.jpg

 Ali estás tu metido numa sotaina preta, apertada por uma faixa vermelha a treinar para um ofício que nunca virás a exercer. Lá estão os velhos companheiros que contigo vieram de Beja e os que aqui vieste encontrar em Évora, incluso alguns timorenses. O menino que foras, era agora um adolescente que frequentava aulas de Filosofia lecionadas pelo canónico Júlio Chorão, ficando tu muito longe de perceberes o que era a filosofia; decoraste e nunca mais esqueceste as figuras dos silogismos (BARBARA, CELARENT, DARII, FERIO...) a partir do grosso e pesado Manuale Philosophiae, ad usum seminariorum, de I. Di Napoli. Assim mesmo, filosofia estudada em latim. A ilustração, o espírito crítico, a interrogação havias  de as construir a partir da tua desconfiança e dúvida sobre as irracionalidades em que tropeçavas a todo o momento. Fé, precisas de ter fé. Não rezas porque tens fé, rezas para teres fé: Senhor, aumentai a nossa fé pedias num circulo vicioso que não deu em nada. Queriam que tu fosses transparente mas  tu só podias dizer que sim que acreditavas, que amavas Deus e a Virgem e que seguias todos os preceitos da Igreja católica, apostólica e romana e que querias de todo o coração ser o eleito do Senhor. E tu, sem o saberes seguias o conselho daquele que viria a ser o teu apreciado Espinoza: Obediência na ação, liberdade no pensamento. Talvez por isso, te achassem tão enigmático e obscuro. Como se pode ser transparente num ambiente de pressão, repressão e de violência? Por que lhes darias tu acesso ao teu pensamento, aos teus projetos? Como lhes confessarias esse pecado da desobediência ao pensamento único? E tinhas que suportar a palavra de Deus, escolhida de propósito para com ela te zurzirem, a torto e a direito, de manhã, ao meio dia e à noite, todos os dias: que sois sepulcros caiados, que são muitos os chamados e poucos os escolhidos, que por isto e por aquilo serás um condenado ao inferno, um fariseu, um maldito que no juízo final tomarás a esquerda do Deus todo poderoso. E mostraram-te o Inferno onde as almas dos condenados ardiam em chamas eternas!

Mas o mundo estava a mudar, a Igreja também. Às escondidas, lá ias lendo (não entendendo muito do que lias) sobre as dissidências, os padres operários, a teologia da libertação, os cadernos da GEDOC de Nuno Teotónio Perereira e dos padres Feliciano Alves e Abílo Cardoso que nesse ano de 1969 haviam tido início. Bem que o Madureira (que viria a ser bispo) quis entrar no teu mundo, com perguntas  e mais perguntas ficando a saber o mesmo. Nada.É verdade que te quis pôr fora do seminário. Um tal padre Urbano, de Beja, opôs-se. E tu lá foste para o Seminário Maior de Coimbra depois de teres aprendido as figuras dos silogismos, a iniciação ao grego, a Literatura com o Sebastiaõ, a continuação do latim com o Sardo e o grupo polifónico com o Alegria. Todos padres, cónegos, doutores. 

 

publicado por julmar às 18:20
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Lugares da minha vida

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Por aqui me demorei a dissipar sombras

Dependência do externato Pedro Nunes na Av. da República. Anos 80. Aqui lecionava Filosofia, à noite, a alunos trabalhadores de profissões várias. Guardo memória de um solicitador a quem nunca consegui fazer uma avaliação clara: Uma escrita tão floreada que toda a folha ficava quase sem espaços vazios; na parte oral, debalde o interrogava, porque ocupava toda a conversa, não dando possibilidade de ser questionado. Não era fácil, entre a extensa matéria, fazer-lhes entender a Crítica da Razão Pura de Kant ou a Dialética hegeliana. Hoje, os azulejos cansados desprendem- se da parede e um cadeado na porta impede a entrada de visitas indesejáveis

publicado por julmar às 12:33
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

Leitura de Junho

Depois da leitura de Mein Kamppf, fui tentar encontrar a resposta  como é que um homem movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos humanos normais, surdo a argumentos que não fossem os seus, se tornou num líder tão carismático que galvaniza um povo  e o conduz a uma  tão inimaginável situação? Como foi possível Hitler tornar-se uma figura com um poder tão atraente para milhões de pessoas?

Aquilo que aconteceu pode voltar a acontecer. Ou melhor, acontece todos os dias em dimensões diferentes e os ingredientes são sempre os mesmos: Obediência, pensamento único, fanatismo, dogmatismo, fé, fé incondicional e  uma causa que nos transcenda, única e absoluta. Depois é mandar rufar tambores, criar rituais, uniformes e sinais (ou o sinal) agitar bandeiras, cantar o hino e pregar, repetidamente, a causa das causas. Dividir os homens entre bons e maus. Banalizar o mal. O terror e o medo farão o resto. E este é um caminho fácil porque é feito de preguiça racional, de obediência cega, da expressão natural das emoções, do viver por delegação, do dizer sim e, sobretudo, da ausência de coragem. 

Maiis uma vez, para ler este livro não precisa de gastar dinheiro. Faça um download.

publicado por julmar às 11:21
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