Segunda-feira, 27 de Março de 2017

Leituras incómodas

avareza.jpg

 Por norma, leio um livro de fio a pavio. Por vezes, mais pelo meu feitio de não gostar de deixar as coisas a meio ou com esperança, quase sempre vã, de que o que está para a frente valha a pena. Nem gosto de saltar páginas ou capítulos, quero seguir o caminho de quem o escreveu. Pois, desta vez, tornou-se impossível: é demasiado escabroso, demasiado chocante. A Cúria romana, encarregada do governo da Igreja, comporta-se como as elites mais corruptas dos estados: o luxo em que vivem os cardeais, não apenas o senhor Bertone, as fraudes fiscais, a lavagem de dinheiro, a especulação imobiliária. Tudo documentado. Pior é impossível.

Mas o povo não lê. Acredita porque é na fé que está a salvação e continuará a queimar velas, dar esmolas, cumprir promessas num rio de dinheiro que desagua na Praça de S. Pedro.

E a pregação continuará: BEM AVENTURADOS OS POBRES PORQUE DELES É OREINO DOS CÉUS

publicado por julmar às 10:39
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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Andar, andar, andar por terras da Rússia

IMG_4473.JPG

 Cheguei a Smolensk,  cidade no oeste da Rússia , localizada às margens do rio Dniepre, próxima da fronteira com a Bielo Rússia. com uma população superior a 300 000 habitantes, dista de Moscovo 360 Km. Por aqui passaram, a pé como eu, os soldados de Napoleão e de Hitler que aqui defrontaram tropas russas.  Atualmente, Smolensk é uma cidade industrial, principalmente nos ramos eletrônico, têxtil e alimentício. Até 1939 a cidade pertenceu à Bielorrússia. 

Com alma para continuar, por Kaluga, em direção a Moscovo.

smolensk-city-troitsky-monastery.jpg

publicado por julmar às 11:33
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Terça-feira, 7 de Março de 2017

Vigiar e Punir - Michel Foucault

Resultado de imagem para o panóptico de foucault

Ao longo dos anos, por falta de tempo e de dinheiro, muitos livros ficaram por ler. Agora o dinheiro deixou de ser problema porque uma boa parte dos livros, de bons livros, existe em suporte eletrónico - os ebooks - e gratuito, como é o caso da presente obra. Quanto ao tempo, agora é todo meu e procuro aproveitá-lo o melhor que posso e sei, como é o caso desta obra extraordinária.

O Panóptico é uma máquina maravilhosa que, a partir dos desejos mais diversos, fabrica efeitos homogéneos de poder. Uma sujeição real nasce mecanicamente de uma relação fictícia. De modo que não é necessário recorrer a força para obrigar o condenado ao bom comportamento; o louco à calma; o operário ao trabalho; o escolar à aplicação; o doente à observância das receitas. Bentham se maravilha de que as instituições pa nópticas pudessem ser tão leves: fim das grades,  fim das correntes, de fim das fechaduras pesadas: basta que as separações sejam nítidas e as aberturas bem distribuídas. O peso das velhas "casas de segurança", com sua arquitetura de Fortaleza, é substituído pela geometria simples e económica de "uma casa de certeza". A Eficácia do poder, sua força limitadora, passaram, de algum modo, para o outro lado — para o lado da sua superfície de aplicação. Quem está submetido a um campo de de visibilidade e sabe disso retoma por sua conta as limitações do poder, fa-las funcionar espontaneamente sobre si mesmo; escreve em si relação de poder na qual ele desempenha simultaneamente os dois papéis; torna-se o princípio da sua própria sujeição. Em consequência disso mesmo, o poder externo, por seu lado, pode se aliviar do seus fardos físicos; tende ao incorpóreo; e quanto mais se aproxima desse limite, mais esses efeitos são constantes, profundos, adquiridos em carácter definitivo e continuamente recomeçados: Vitória perpétua que evita qualquer defrontamento físico e está sempre decidida por antecipação. Pg 226

publicado por julmar às 11:45
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

O ato da criação

ceg1.jpg

Todos os dias  passo por este, cada vez maior, bando de cegonhas que, aqui no Parque Biológico de Avintes, se sentiu tão confortável que deixou de migrar. São neste momento treze e, de acordo com a imagem de copulação, o número aumentará nos próximos meses. 

 

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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Abaixo os manuais escolares

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A mudança de ideias e hábitos é difícil, muitos consideram-na mesmo impossível. A escola é um dos melhores exemplos. A discussão sobre os manuais escolares: o preço, o peso, a escolha, a qualidade, os interesses das editoras, etc. De certo modo, não se concebe o ensino sem livros feitos de papel. A pergunta que se deve fazer é simples: Para que servem os livros? A resposta é, obviamente, simples: Para colher informação, apenas isso. A construção do conhecimento é uma coisa diferente. Ora, um tablet por aluno diminuirai o peso e o preço na ordem de vinte vezes menos. A informação será quer em termos quantitativos, quer qualitativos incomparavelmente superior. Por isso, é incompreensível que a discussão continue a ter como base a mochila dos livros, continuando a dar força ao provérbio de que um doutor é um burro carregado de livros. As escolas, lugares privilegiados da aprendizagem e da construção do conhecimento, continuam a funcionar como se não tivesse havido uma revolução nas tecnologias de informação e comunicação. E claro, estaríamos a proteger a floresta.

 

 

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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

Chegada a Minsk, passo a passo

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Saí de minha casa, em Vila Nova de Gaia, no dia 14 de Janeiro de 2016, pelas 7,30 h. Cheguei hoje a Minsk, capital da Bielo Rússia, eram 15,30, hora de Portugal. Percorri 3749 km, passo a passo. 

Amanhã estarei a caminho de Smolensk, em direção a Moscovo. 

Minsk, capital da Bielorrússia, é uma cidade moderna dominada pela monumental arquitetura stalinista. Muitos de seus museus, teatros e outras atrações culturais linha Independence Avenue (Praspyekt Nyezalyezhnastsi), uma larga, 15 km de comprimento via que leva à vasta Praça da Independência. Ao longo desta icônica praça estão a enorme sede da KGB e a igreja neo-românica de São Simão e Helena, também conhecida como Igreja Vermelha, In Wiquipédia

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Leitura obrigatória

 

Resultado da imagem para Quem governa o mundo?

Nos anos setenta tomei contato com a teoria linguístiva de Noam Chomsky e com a sua crítica à psicolgia beaviorista. De alguns anos a esta parte, interessei-me pelo Chomsky ativista político e pelos seus escritos em que nos alerta para os problemas fundamentais com que a humanidade se defronta e que na presente obra nos apresenta:As alterações climáticas e as armas nucleares. A sua tese principal é a de que os Estados Unidos, como primeira potência mundial a seguir à 2ª Grande Guerra, se  constituíram como a maior ameaça à paz e à sobrevivência da humanidade. Proclamando-se defensores da democracia, através de uma intensa e continuada propaganda, instauraram sempre que foi do seu interesse, ditaduras um pouco por todos os continentes, com especial zelo na América do Sul, onde só Cuba resistiu, resiste. Obrigando os outros ao cumprimento dos compromissos e acordos internacionais, colocam-se de fora da lei internacional; assumindo-se como os principais inimigos do terrorismo, praticaram o mais selvático terrorismo e tornaram-se numa fábrica de terroristas; abriram uma guerra contra o Iraque com o falso pretexto da existência de uma arsenal de armas químicas eles que varrearam, entre outros, o Laos e o Vietname com napalm; eles são os únicos que utilizaram a bomba atómica e que depois disso mais vezes provocaram outras potências a usá-las ou eles estiveram na eminência de as usar. Tudo em nome da paz, do progresso, da liberdade e da democracia. Quem nos defende destes nossos protetores?

Ler Noam Chomsky não é ler um autor qualquer. As suas ideias não são propaganda. Assentam na descrição de fatos. Por isso, encontra uma grande quantidade de páginas no final do livro onde se referenciam as fontes que sustentam as suas ideias. Incomodado com a verdade, o presidente Nixon colcou-o na lista dos inimigos da América.

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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

Elogio das pequenas coisas, mais uma vez

Inserto no livro Vigiar e Punir de Michel Foucault, aparece-nos esta extrato do livro de Jean-Bapriste de La Salle, Tratado sobre as Obrigações dos Irmãos das Escolas Cristãs:

Como é perigoso negligenciar as pequenas coisas. É um pensamento bem consolador para uma alma como a minha, ou indicada para as grandes ações, pensar que a fidelidade às pequenas coisas pode, por um progresso insensível levar-nos à mais iminente santidade: porque as pequenas coisas nos dispõem às grandes... pequenas coisas meu Deus, infelizmente dirá alguém, que podemos fazer de grande para Vós, criaturas fracas e mortais que somos. Pequenas coisas: se as grande se apresentassem, praticá-las-íamos? Não as crereríamos acima de nossas forças? Pequenas coisas: e se Deus  as aceita e quer recebê-las como grandes? Pequenas coisas: acaso já as experimentámos? Acaso  as julgamos pela experiência? Pequenas coisas: somos então culpados, se, vendo-as como tais as recusamos? Pequenas coisas: são elas entretanto que, com o tempo, formaram grandes Santos! Sim, pequenas coisas mas grandes móveis, grande sentimentos, grande fervor, grande ardor, e em consequência grandes méritos, grandes tesouros, grandes recompensas.

publicado por julmar às 17:51
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

Vigiar e Punir - Michel Foucault

Resultado de imagem para máquina a vapor para a correção

  1. máquina de vapor para a rápida correção das meninas e dos meninos. Avisamos aos pais e mães tios, tias, tutores, tutoras, diretores e diretoras de internatos e, de modo geral, todas as pessoas que tenham crianças preguiçosos, gulosas, indóceis, desobedientes, briguentas, mexeriqueiras, faladores, sem religião ou que tenho um qualquer outro defeito, que o senhor Bicho-Papão e a senhora de Tralha Velha acabaram de colocar em cada distrito da cidade de Paris uma máquina semelhante à representada nesta gravura e recebem diariamente em seus estabelecimentos, de meio dia às duas horas, crianças que precisam ser corrigidas. Os senhores lobisomem, Carvoeiro Rotomago e come sem fome e senhoras Panthera furiosa carantonha sem dó e bebe sem sede, amigos e parentes do senhor bicho papão e da senhora tralha velha, instalarão brevemente máquina semelhante que será enviada a cidade das províncias e eles mesmo irão dirigir execução. O baixo preço da correção dada pela máquina a vapor e seus surpreendentes efeitos levarão os pais a usá-la tanto quando exigir o mau comportamento de seus filhos. Aceitan-se com internas os  as crianças incorrigíveis, que são alimentadas a pão e água.  Gravura do fim do século XVIII  (coleções Históricas do INRDP)
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Socialismo burguês

 Resultado da imagem para mario soares biografia       seixas.jpg

'Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros´

 Orson  Welles

O meu sogro morreu uma semana antes do Dr Mário Soares. Ambos morreram pouco tempo depois de completarem 92 anos de idade. Todos os portugueses sabem quem é Mário Soares mas muito poucos sabem quem é António Seixas. Por isso, Mário Soares esteve no hospital da Cruz Vermelha com uma equipa médica a tempo inteiro, nas melhores instalações e com todos os mais sofisticados meios, cuidando da saúde e bem estar. António Seixas estava num lar e a cada agravamento do estado de saúde era chamada a ambulância dos bombeiros que, obrigatoriamente, fazia escala no Centro de Saúde do Sabugal para, em seguida, ser transportado ao hospital da Guarda onde aguardava, por tempo indeterminado, deitado na maca, por atendimento. No hospital não havia lugar para internamento, por isso, ia e voltava a vir repetidamente, até morrer. De uma das vezes, tremia tanto que a médica se apressou a diagnosticar-lhe Parkinson. Mas não, era apenas frio. Muito frio.

Muito se escreveu e muito se escreverá sobre Mário Soares, socialista, republicano e laico. Sobre António Seixas, sem etiquetas políticas ou religiosas, não se escreverá mais do que estas palavras que poucos lerão. Foram iguais no que a natureza se encarrega - no nascimento e na morte e os dois viveram uma longa vida - 92 anos. Um e outro cidadãos portugueses; um e outro obrigados a deixar o país: um para fugir à fome, outro para fugir à prisão. Os dois estiveram, na mesma época, em Paris. Um na Paris das elites, dos museus, dos jardins, das grandes avenidas ensinando na universidade, reunindo e conspirando; o outro no bidonville de Champigny, de ruas lamacentas e barracas feitas no descanso dos domingos, companheiro de um exército operário, construindo o conforto e o luxo dos outros. 

Que tem a Paris de Mário Soares a ver com a Champigny de António Seixas? Que tem a ver um com o outro? 

Um tem um sonho para todos os homens e para o seu país: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O outro tem um sonho de felicidade para si e para os seus que nunca os homens 'iluminados' enlamearam os sapatos nas ruelas de Champigny para lhes anunciar e explicar a tríade da Revolução Francesa que, além da liberdade e fraternidade, prometia a igualdade entre os homens. 

E, claro, os homens doutos, iluminados têm uma interpretação tão complexa desse conceito que os homens do bidonville não teriam inteligência e formação suficiente para a entenderem. Mas têm a sabedoria suficiente para não terem ilusões.

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Assustador e fascinante é o porvir

Wook.pt - A Era do Caos

Por vezes apetecia-me desligar por completo dos grandes (e dos pequenos) problemas do nosso mundo, se é que ainda sabemos qual é o nosso mundo. Para quem nasceu antes da era da Internet e dos telemóveis tende sempre a comparar com o mundo in illo tempore. Ainda que o homem não tenha mudado naquilo que ele é, as relações sociais, a economia e a cultura, por mor da tecnologia, entraram numa mudança acelerada. É disso que trata Federico Rampini numa analise da emergência de novas forças e poderes que levam a mudanças geopolíticas, económicas, ambientais, políticasas, à emergência de novas potências, entre elas a China e a Índia. Do caos surgirá uma nova ordem que mal  somos capazes de descortinar. Como no século XVI, nos alvores do nascimento da ciência, vivemos um período de desordem e de incerteza. Nessa época era a ordem de Deus que estava em causa; hoje é a ordem humana. Assustadores e fascinantes são os tempos que aí vêm. 



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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Primeira leitura do ano

zoom

De há tempos a esta parte que a vida do meu cão me preocupa. Esta dezena e meia de anos, mais qualquer coisa, passou por mim e por ele, passou por nós e deixou as suas marcas. Os cães também moldam os humanos e sei que acabámos por ter um feitio muito parecido como, por exemplo, o não falar ou ladrar em vão. Há cães que ladram por tudo e por nada, sendo suficiente uma sombra para os provocar. Ou, ainda meter o nariz onde  não se é chamado. O Czar, assim se chama, perdeu a audição por completo e, com isso perdeu a voz. Perdeu a força para ir até ao portão quando saio ou quando regresso. Olha para mim com olhar triste. 

Porque gosto de cães, do Czar de uma forma especial, e porque tenho a graça de ser filósofo, não podia deixar de ler este livro Só aconselhável a quem goste de cães e de filosofia. 

publicado por julmar às 18:19
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Domingo, 8 de Janeiro de 2017

Morreu Mário Soares

 

Resultado de imagem para mário soares

Morreu Mário Soares. A notícia deu-ma um velho conhecido que parou o carro, abriu a janela para a anunciar. Acrescentou que já devia ter morrido há mais anos  e que assim não nos teria roubado tanto. Fico triste por tanta gente ter de Mário Soares esta imagem. Esse velho conhecido passou a vida em França a construir ruas, esgotos, prédios de Paris, habitando no maior bidonville da Europa - Champigny.  Fico triste mas não lhe levo a mal. O tempo que teve foi para  amealhar dinheiro que lhe permite agora ter uma vida confortável. Ninguém se importou dele como habitante da cidade, como alguém a quem era devido uma formação cívica. Aceitou como verdadeiras as histórias que lhe contaram, repetidamente. O seu dia-a dia não lhe mostrava uma sociedade de igualdade, liberdade e fraternidade e se lhe dissessem que era possível chegar a uma coisa assim não acreditaria. Eu sei que há gente maldosa, gente encarregada de espalhar mentiras e calúnias mas não é o caso deste e de outros velhos conhecidos.

Respeito Mário Soares e sinto gratidão porquanto fez pelo país. Votei nele mais que uma vez. Como ele sou republicano e socialista. No entanto, divirjo quanto ao que deve ser a prática republicana e socialista, sendo como, Mário Soares, tolerante para os que entendem diferentemente e seguem caminhos que são deles.

A História o julgará e, no meu entender, ficará como a maior figura histórica do século XX onde, a seguir, aparerão as figuras de Salazar e Álvaro Cunhal.  

 

publicado por julmar às 17:38
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Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Andar, passo a passo

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Fim de ano é tempo de fazer balanços do que andámos a fazer. Ora, entre as coisas notáveis - numa avaliação completamente subjetiva-que fiz encontra-se o andar. O gráfico representa uma parte objetiva de quanto caminhei em cada mês e no ano. Percorri um total de 3270km contabilizadosa a partir de 14 de Janeiro. Uma boa parte deles foram percorridos no meu projeto Por terras do Sabugal, passo a passo, em que me propus visitar todas as freguesias do Sabugal (faltam apenas 4) a pé. Como auto-motivação imaginei-me a caminhar Europa fora, o que corresponde a ter atravessado Portugal (Vila Nova de Gaia-Vilar Formoso), Espanha, França, Alemanha, quase toda a Polónia, estando a chegar à Bielo-Rússia. 

Andar assim exigiu persistência e disciplina, levantar cedo, quase sempre antes do nascer do sol. A quase totalidade foi feita sozinho, tendo descoberto que sou um bom companheiro de mim mesmo. Aprendi que os ditos, provérbios e anexins são aplicados segundo as conveniências. Daí que do provérbio, que dizem ser africano, e que reza: se queres ir depressa vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado, que quase sempre é usado para elogiar o trabalho em equipa, dele não tenha feito uso. 

Material usado: Sapatilhas, bordão e chapéu. O Iphone que registou e contabilizou todos os meus passos. Assim, enquanto ando faço duas coisas essenciais na atividade mental que cabem no mesmo verbo: CONTAR: contos e contas. Galileu Galilei sabia muito acerca disto - O universo está escrito em linguagem matemática. Talvez o andar a passo e passo seja o caminho dessa metafísica matemática que só o andar devagar permite.

publicado por julmar às 15:25
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Votos 2017

Resultado da imagem para 2017

Um excelente ano 2017 para todos os que por aqui passam. Melhor que ficar à espera que a felicidade caia do céu é lutar por ela hoje. Agora. Porque amanhã pode ser tarde demais. Por isso, desejo aos meus amigos o que para mim desejo - sonhos realizáveis e coragem para lutar por eles

https://www.youtube.com/watch?v=XhHP0QDyvk8

publicado por julmar às 15:24
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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Passo a passo, chegada a Varsóvia

Displaying IMG_4473.JPG

 Sempre os mesmos princípios: Devagar se vai ao longe, das coisas pequenas se fazem as grandes. Com vontade, com persistência. Letra a letra, palavra a palavra, página a página se escreve (ou lê) um livro. Tijolo a tijolo se faz uma casa. Passo a passo se faz uma viagem. Dia a dia se vive uma vida. 

Assim "cheguei" a Varsóvia (hoje, dia 24 de Dezembro de 2016, véspera de natal), percorridos que foram 3200 km. Próxima etapa - Minski, na Bielo-Rússia.

 

publicado por julmar às 11:49
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

Leituras de 2016

resultado Imagem Pará Livros

Prestes a chegar ao final do ano é altura de começar a apresentar balanços e relatórios. Aprendi que é assim que aquilo que fazemos se torna experiência útil. Aprendemos ou apreendemos e ensinamos (in-signare) fazendo marcas, sinalizações, razão porque sempre insisti com os meus alunos em que ao estudar tivessem um lápis na mão para sublinhar, anotar, escrever no próprio livro. Nos dias de teste a primeira coisa que faziam era colocar os livros sobre a minha secretária para que eu pudesse avaliar, enquanto respondiam às questões, como ' tratavam' os livros. Um livro que não estivesse marcado, que estivesse virgem era um péssimo sinal. Não entendo, por isso, a questão de não estragar os livros por mor de voltarem a ser usados. É um pouco o mesmo que dizer a alguém que não ande muito porque estraga os sapatos e isso fica caro. Eles é que sabem. 

Porque as leituras - que são modos de viajar acompanhados por gente muito ilustre - ocupam uma boa parte do meu tempo, aqui vai a lista dos livros:

1- O Torcicologista, Excelência, - Tavares, Gonçalo M.

2- A Liturgia do Silêncio - Batista, Afonso

3- Viagem ao poder da mente - Punset, Eduard

4- O Caminho da Vida, Pierro - Michael e Gross-Loh, Christine

5- Mein Kampft - Hitler, Adolf (PDF)

6- História dos Reis de Portugal, vol. I  - coordenação de Manuela Mendonça

7- O Carisma de A. Hitler - Res, Laurence (PDF)

8- Discurso da Servidão Voluntária - Boétie, Étienne de Lá (PDF)

9- Ética a Nicómaco - Aristóteles (PDF)

 10- Sentido da Vida Humana - Wilson, Eduard

11- Ikigai - Viva bem até aos 100, - Miralles, Francesc eHéctor

12- A Pérola -J. Steibeck (PDF)

13- História da Vida Privada na Idade Média em Portugal - Direcção de José Mattoso 

14 - As Vinhas da Ira  - J. Steibeck (PDF)

15- Ouvir com outros olhos - Lobo Antunes,  João 

16- Crónicas - vol.I - Dylan, Bob

17- A doença, o sofrimento é a morte entram num bar - Pereira, Ricardo Araújo

18- SPQR - Beard, Mary (em leitura)

19- Fernão Capelo Gaivota - Bach, Richard (releitura) (PDF)

Nota Bene- O número de leituras em PDF vai crescendo de ano para ano.

 

publicado por julmar às 17:43
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O riso, as lágrimas e a morte

A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram Num Bar

Sou um apreciador do humor de RAP e passo a ter maior consideração por ele depois de ter lido este pequeno livro. No humor como na música ( e em muitas outras áreas) há vários níveis de elaboração e diríamos que o humor ao nível da anedota está para a música pimba, como o humor de RAP está para a música clássica. Do mesmo modo, que há muita gente divertidíssima com a música pimba, há muita gente divertidíssima a ouvir anedotas. Espíritos preguiçosos. 

O humor, de algum modo comunga com a filosofia o trabalho de desconstruir a realidade, de a surpreemder, de a fintar, de a espreitar por ângulos inhabituais ... e de no fim, acabar sempre por se enfrentar e humiliar frente à morte.

«Aquilo a que chamamos humor, ou sentido de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas. É raro, não por se tratar de um dom oferecido apenas a alguns eleitos, mas porque aquele modo de olhar e de raciocinar é muito diferente (às vezes, o oposto) do convencional. Este livro procura identificar e discutir algumas características dessa maneira de ver e pensar.»

publicado por julmar às 17:09
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016

Dia de celebrar chegada a Berlim, passo a passo

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 Quem anda por gosto, não cansa, diz o provérbio. Pode-se andar de infinitas maneiras e eu ando à minha. Iniciei a minha contagem no dia 14 de Janeiro e somei no dia de hoje, 17 de Novembro 2667,95Km. Cálculos feitos saí de Vila Nova de Gaia a 14 de Janeiro, atravessei Portugal, Espanha, França, Bélgica e, quase, toda a Alemanha, chegando hoje a Berlim, exatamente ao sítio onde se erguia o muro que durante a guerra fria dividiu a cidade de Berlim e a Europa. A próxima etapa será Varsóvia. 

Creio dever tudo isto ao pedido que o meu filho me fez quando hà 29 anos lhe perguntei qual era a prenda que desejava para os seis anos que ia fazer no dia 17 de Novembro. Como tinha aprendido na escola que era o dia do não fumador, disse-me que a prenda era eu deixar de fumar. Levei o pedido a sério e consegui o que em várias tentativas anteriores não conseguira. Creio qe não teria conseguido "chegar a Berlim" sem essa prenda que dei ao meu filho.

Por isso, hoje é um dia de celebrações: Dar os parabéns e agradecer ao meu filho, de parabenizar todos os que deixaram de fumar e a minha "chegada a Berlim". 

publicado por julmar às 11:55
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016

Leituras longas

Wook.pt - História da Vida Privada em Portugal - 1.º Volume

 

Leitura vagarosa, lenta, longa como o exige o assunto. Alguma  coisa do que sei de História de Portugal devo-o à leitura ou cordenação de obras de José Mattoso. Tem o condão de nos levar através do concreto à compreensão de lugares e épocas passadas. Esta obra, cujo leitura se encaminha para o fim, ajuda-me a compreender o mundo rural da minha meninice que, em grande parte, era sob muitos aspetos um mundo medieval:a distinção entre espaços públicos e privados, as formas  de identificação das pessoas e as formas de inserção familiar e social, as celebrações festivas. A alimentação, a sexualidade, a saúde, a doença, o corpo, alma. 

 
publicado por julmar às 17:26
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